"Se não fossemos campeões, claro que vinha para a lua de mel mais triste"

Didi, o guarda-redes do Amarante que liderou a defesa menos batida do Campeonato de Portugal, subiu ao altar três dias antes da final da prova que ficará marcada para sempre na memória
Foi quase do casamento para o título de campeão do Campeonato de Portugal. Didi, o guarda-redes que liderou a defesa menos batida da prova, casou-se a três dias do Amarante disputar a final, no Jamor, frente ao V. Setúbal. E na segunda-feira contribuiu para o triunfo, por 3-0, diante dos sadinos. “Casei-me na sexta-feira, no domingo fui para estágio, na segunda-feira joguei e na terça saí em viagem para lua de mel”, contou o guarda-redes a O JOGO, já a partir do Dubai, onde está a gozar os primeiros dias do matrimónio, devidamente autorizado a faltar à receção que a Câmara Municipal preparou, ontem, para a equipa.
Contratado ao Montalegre esta temporada, o jogador, de 23 anos, diz estar a “viver um sonho”. “É incrível relembrar o dia que foi, o ambiente que estava, conseguir manter a baliza a zero e pensar que dois dias antes a Seleção Nacional tinha jogado naquele palco... Confesso que ainda me custa a adormecer. Tive o casamento, o jogo, agora a lua de mel. São dias muito atribulados. Sempre que falo e penso sobre a final, é incrível. Parece um sonho dizer que fui campeão no Jamor”, refere.
Na boda, Didi conta ter “tido alguns cuidados”, em nome de uma partida decisiva que estava à porta. “Houve algumas cautelas, mas também tive de aproveitar o momento, pois a vida são dois dias e só espero casar-me uma vez. A minha esposa reagiu muito bem, ficou imensamente contente por irmos ao Jamor; ela é sempre o meu porto seguro, a que me apoia em tudo, e sabia que no Jamor ia ser profissional; não ia ser um dia que deitaria por terra toda uma época”, sublinha.
De bom humor, a esposa de Didi bem pode agradecer ao futebol o estado de espírito no guardião nas férias. “Se não fossemos campeões, claro que vinha para a lua de mel mais triste, mas a vida não é só futebol e temos de aproveitar todos os dias. Para uma equipa que perdeu tão poucas vezes, seria uma injustiça grande não ganharmos a final”, atirou, aludindo às duas derrotas em 33 jogos, no CdP, que os amarantinos tiveram.
Formado no Ramaldense e, maioritariamente, no Rio Ave, Didi passou a primeira temporada de sénior na Arménia, ao serviço do Junior Sevan. “Tive de sair do Rio Ave por motivos que não quero especificar. Apareceu a oportunidade de ir para a Arménia e foi uma experiência bastante positiva. Consegui demonstrar a minha qualidade, ainda hoje me contactam de lá e só tenho coisas boas para falar. É um futebol onde se apanha vários jogadores de outros países, como Rússia, Ucrânia, Chipre, Sérvia. É mais aberto, há mais transições e duelos, mas com qualidade”, recorda.
Quando voltou a Portugal, em 2021/22, assinou pelo Montalegre, mas, em dois anos, fez 26 jogos e não conseguiu agarrar a titularidade. Em Amarante, o contexto foi diferente. “Pensei desistir do futebol, em trabalhar e levar isto mais na brincadeira, porque não me sentia valorizado. Precisava de uma época estável, de ter confiança, e o Amarante deu-me isso. Tenho de agradecer-lhes por me terem dado esta oportunidade e este voto de confiança”, termina o guardião.
Sonho passa por chegar à I Liga
Didi tem um sonho claro para a carreira: chegar à I Liga. Aos 23 anos, o guarda-redes que sofreu 19 golos em 32 jogos no Campeonato de Portugal ambiciona saltar patamares o mais depressa que conseguir. “Sei que tenho de ter paciência, mas quero acreditar que um dia chegarei à I Liga. Preciso de fazer as coisas devagar, mas o meu principal sonho é este, e gostaria de lá chegar o mais rápido possível”, conta.

