Rui Borges responde a Luis Enrique: "No campeonato também encontramos blocos baixos..."

Rui Borges
EPA
Declarações de Rui Borges após o Sporting-PSG (2-1), jogo da sétima jornada da fase de liga da Liga dos Campeões
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Qual é o sentimento de ter conseguido estes três pontos em Alvalade? "Sentimento de dever cumprido. Grande vitória. Eu já estou cá em baixo na realidade e são três pontos difíceis contra uma grande equipa, num jogo em que tivemos grandes dificuldades, mas onde soubemos ter o que pedi: coesão na primeira parte e paixão na segunda, mas foi importante a coesão ao longo de todo o jogo. Defrontámos a melhor equipa da Europa, com uma grande qualidade individual, e soubemos sofrer na primeira parte, com dificuldades para ligar o jogo. O Trincão tem muitas bolas na primeira parte em que, se ele tivesse mais inspiração, teria criado mais perigo, porque perdemos muitas bolas e foi difícil. Na segunda parte entrámos mais audazes e não falei muito ao intervalo, apenas num ou outro comportamento para sermos mais intensos e ter a equipa mais à frente. Fomos conseguindo, as substituições também ajudaram - com Geny a poder acelerar num espaço mais ofensivo - e fomos criando e pondo o PSG mais para trás, com um sentimento de mais perigo. Tivemos um bocado de sorte nos golos, faz parte da audácia, mas o grupo teve uma coesão e um compromisso infinito. Mais uma demonstração de qualidade, amizade e de quanto eles querem ganhar. Um sentimento de felicidade, mas de descer à Terra, porque vem aí o Arouca, uma deslocação difícil. Muito especial e deixar um agradecimento aos adeptos, que passaram-nos energia de fora para dentro e foram importantíssimos. Eles foram 12.º jogador para a equipa continuar a acreditar. Estava difícil, mas tínhamos de acreditar e no final foi bonito ver os adeptos no estádio. Que aconteça sempre, também no campeonato, é importante a equipa senti-los a bater palmas e eles merecem isso em todas as competições. Dentro das capacidades deles, foram sempre capazes de mostrar a qualidade do grupo e enaltecer o apoio dos adeptos, que será importante nos próximos meses. É manter as bancadas cheias deste espírito de vitória, união e do acreditar".
Luis Enrique disse que a vitória do Sporting foi muito injusta e que o PSG fez o melhor jogo da sua época fora de casa. Isso valoriza a vitória? O que pode dizer de Luis Suárez? "Sabíamos o que ele nos ia dar, a mim e à estrutura não surpreende, porque sabíamos o que ele nos ia dar em termos de caraterísticas, de personalidade, caráter... Foi um jogador particularmente importante hoje e eu disse-lhe que íamos precisar dele, não por causa dos golos, mas porque este ia ser um jogo à imagem do do Bayern, onde ele fez um grande jogo. Na primeira parte não conseguimos ligar num primeiro momento, mas sim num segundo, ele foi conseguir buscar muitas bolas num trabalho extraordinário, dentro do que tem feito. Fez dois golos, mérito da equipa, que trabalhou para isso e ele teve o caráter e a energia própria dele, que também é importante. Sobre o míster [Luis Enrique], entendo. Eles fizeram um grande jogo, é certo. Tirando os golos anulados, têm dois remates perigosos; andaram em cima de nós, perto da área, mas também há o outro lado, outra estratégia e nós no nosso campeonato também encontramos blocos baixos, há que se saber bater com eles e fomos comprometidos. Não tenho palavras para o que a equipa fez hoje, como contra o Bayern, onde sofremos nas bolas paradas. Tivemos mais audácia na segunda aprte, tivemos isso no Bayern, com o Geny na linha de quatro a defender. Hoje sabíamos que não íamos ter isso, mas dentro do que tínhamos, tentámos arriscar com o Geny numa linha de cinco e depois na segunda parte melhorámos com o Geny a quatro. O Alisson também entrou muito bem, um lance dá golo e o outro podia ter dado. Dentro do que foram as nossas armas, não podia pedir mais à nossa equipa".
O Sporting já passou à fase seguinte da Champions, que vai ser depois de janeiro. Isso vai obrigar a contratar mais reforços? E o Sporting na imprensa estrangeira é o destaque, com menção ao bis de Suárez. Qual é a diferença entre Suárez e Gyokeres, qual deles é o melhor? "São os dois muito bons, cada um à sua maneira, não há melhores. São diferentes, goleadores natos e não é possível comparar. Sobre a imprensa, é chamá-los a terra. Hoje somos os melhores e amanhã os piores. Eles merecem esta alegria porque trabalharam imenso e marcaram mais uma vez a história do Sporting, mas é descer a terra que vem aí o Arouca. Os reforços não têm nada a ver com a Champions. O Faye não foi apresentado, mas já assinou, por isso posso falar dele e são dois jogadores [juntamente com Luís Guilherme] de futuro e nunca para o imediato. São dois jovens em que revemos valor, que nos podem ajudar um pouco no imediato e em quem acreditamos para o futuro. A Champions é o Arouca. O Bilbau, a mim preocupa-me a ambição de ir aos oitavos, porque assim temos menos dois jogos no calendário e isso ajuda. Eles é que vão dar essa demonstração num ambiente difícil, mas serão capazes e, se não formos capazes dos oitavos, nada apaga o que fizemos hoje e não só, mesmo quando não ganhámos. Luis Enrique diz que é injusto e eu também digo que é injusto termos perdido os jogos que perdemos. Hoje correu bem, com sorte, mas a sorte dá trabalho e acompanha os audazes".

