Rivais minhotos em final inédita da Taça da Liga: os onzes prováveis de V. Guimarães e Braga

LUSA
Vitória de Guimarães e Braga disputam este sábado pela primeira vez entre si um troféu nacional, na final da 19.ª edição da Taça da Liga, entre dois eternos rivais minhotos, em Leiria. O embate marcado para as 20h00 vai ser arbitrado por Hélder Malheiro
Onze provável do V. Guimarães: Charles; Miguel Maga, Miguel Nóbrega, Rodrigo Abascal e João Mendes; Beni Mukendi e Gonçalo Nogueira; Oumar Camara, Samu e Saviolo; Nélson Oliveira.
Onze provável do Braga: Hornicek; Lagerbielke, Vítor Carvalho e Arrey-Mbi; Victor Gómez, Gorby, João Moutinho e Lelo; Zalazar, Pau Vítor e Ricardo Horta.

Emoção, razão e uma estrelinha na bancada
Treinador procura fazer história e conquistar o segundo troféu da carreira. Favoritismo não há. Treinador do Vitória de Guimarães não abriu o jogo quanto a uma possível titularidade de Ndoye e sublinhou que preocupação era "recuperar bem" após meia-final intensa com o Sporting.
Luís Pinto elogiou a crença que a equipa demonstrou até agora na prova.
Como é que preparou esta final com tão pouco tempo?
-Preparámos este jogo com a preocupação de recuperar bem, tanto do ponto de vista físico, como mental, depois da meia-final. Essa preparação implicou muito trabalho para a equipa de análise. Fizeram um trabalho rápido, conseguindo fazer um resumo do que realmente importa, de modo a, depois, passarmos essas informações aos jogadores. Estudámos alguns aspetos que serão importantes para este jogo, estando, por outro lado, muito focados no nosso plano. Fomos muito sucintos em tudo o que passámos para a equipa.
Ndoye pode ser titular depois de ter sido decisivo?
-Felicitei-o da mesma forma que felicitei todos os jogadores da equipa, porque acreditaram. Não sou do tempo em que não havia substituições, mas sou do tempo em que só se permitiam três. Passaram depois para cinco e isso mudou o jogo. Quem está no banco não está lá porque está pior do que quem jogou de início. Estão lá porque são necessários e porque podem acrescentar, ajudando a ganhar jogos. Precisamos desse tipo de jogadores para determinados momentos, para podermos agitar uma partida. E o Ndoye entrou nessa perspetiva, fazendo por merecer as felicitações que teve da nossa parte. Se fizer sentido que ele seja titular amanhã [hoje], assim será. Se fizer sentido ir outra vez para o banco, vai.
O jogo entre Vitória e Braga no campeonato dá para tirar ilações?
-O Braga no primeiro jogo estava num momento muito diferente, tal como o Vitória. Pode existir uma ou outra coisa que já estivesse presente no momento de jogar agora. E vimos o jogo. Mas os momentos foram totalmente diferentes. Acaba por haver maior análise ao passado recente.
O que a equipa vai ter de mostrar para levantar o troféu?
-Queremos conseguir ter como identidade a crença. Se algo de menos positivo acontecer durante o jogo, seja em que jogo for, ter a capacidade de reagir e mantermo-nos ligados ao que interessa. Fomos capazes de o fazer nas "meias" e quartos de final. Mas só isso não foi suficiente. Foi preciso muito mais. Ter qualidade no jogo ofensivo e defensivo, nas relações que os jogadores foram tendo dentro de campo. Houve um grande espírito de sacrifício e capacidade para corrermos imenso, com intensidade e muita intencionalidade. O Vitória demonstrou não só vontade, mas também muitas outras coisas.
O apoio dos adeptos do Vitória pode ser uma chave para decidir o jogo?
-Sabemos que se trata de um jogo especial. Não nos queremos colocar de parte, queremos jogar com a emoção do jogo. Vamos fazer parte do dérbi mais marcante, porque vai decidir um título. Queremos utilizar a emoção para jogar o dérbi, mas também temos de jogar com a razão.
Diogo Sousa apto, Gustavo Silva à espera até ao último momento
Apesar de ter saído com queixas físicas do desafio diante do Sporting, Diogo Sousa está recuperado para a final de hoje e pode mesmo ir a jogo no dérbi. Já Gustavo Silva, reintegrado após recuperar de uma cirurgia à coxa direita, é mais complicado, ainda que não impossível. "O Diogo está bem, não tem qualquer impedimento. O Gustavo está na fase final de recuperação, todas as horas contam. Estamos a aguardar para perceber se podemos tê-lo connosco. Ainda teremos uma reunião para ponderar o seu caso", referiu o técnico. O avançado brasileiro lesionou-se a 20 de setembro, precisamente no desafio contra o Braga, para o campeonato.

"O plantel tem muita qualidade"
Diogo Sousa, formado no Vitória, espera erguer a taça. Apesar de alguns jogos menos conseguidos dos vitorianos, o médio destaca a competitividade da equipa e diz ser um jogo especial. "É uma final e as finais ganham-se. É para trazer o troféu".
O jogo de hoje é especial para o plantel vitoriano, ainda mais para Diogo Sousa. O médio de 19 anos, formado nos conquistadores, tem tido espaço na equipa principal e não esconde que levantar um troféu tornaria a época ainda mais especial. "Vamos encarar o jogo da melhor forma para ganhar, porque é uma final e as finais ganham-se. Estamos a prepará-lo como se fosse um jogo normal. O nosso foco é ganhar e trazer a taça para Guimarães. Conhecemos todos os adversários, sabemos as suas valias, mas olhamos muito para nós. Sabemos que temos as nossas armas e vamos explorar isso", disse em declarações aos meios da Liga.
O médio admitiu que, em alguns momentos, a equipa não esteve como o pretendido, mas acredita em muitas conquistas ainda esta temporada. "Ao longo da época temos tido alguns percalços, mas sabemos bem a qualidade que temos no plantel. Acreditamos em todos, todos têm sido importantes. E, sem dúvida, se estivermos todos unidos como até agora, as coisas vão correr bem. Podem esperar uma equipa competitiva como até agora, que quer jogar com qualidade. Com a força dos nossos adeptos, as coisas vão correr bem. E vamos sorrir no final".
Apoio à saída da cidade-berço
A saída da equipa do Vitória de Guimarães rumo a Leiria, onde vai ser disputada a final, ficou marcada por uma grande onda de apoio. Perto do final da tarde, cerca de uma centena de adeptos concentraram-se nas imediações do Estádio D. Afonso Henriques para deixarem palavras de força ao plantel. Com a faixa "escrevam a vossa história", os apoiantes dos vimaranenses entoaram cânticos, entre fumo e petardos. Em jeito de agradecimento, os jogadores, juntamente com Luís Pinto, desceram do autocarro para cantarem com os adeptos e agradecerem o apoio, numa comunhão que durou vários minutos. Nélson Oliveira e Rodrigo Abascal foram dos mais enérgicos, com o central a erguer um cachecol dos conquistadores, oferecido por um dos muitos adeptos que marcaram presença na concentração.
Ejike Opara já treinou
Luís Pinto orientou a última sessão de trabalho dos vitorianos na academia antes de a equipa seguir para Leiria e, num treino marcado pela boa disposição e uma palestra do treinador, Ejike Opara, reforço dos conquistadores, já trabalhou com a equipa. O avançado foi recebido com o tradicional "túnel" e fez trabalho específico, à margem do plantel.
Meia-final deu multa pesada
O Conselho de Disciplina da FPF multou o Vitória de Guimarães em mais de três mil euros, na sequência do jogo com o Sporting, das meias-finais da Taça da Liga, disputado em Leiria: 1210 euros pelo atraso de três minutos do início da segunda parte, 871 euros pelo comportamento incorreto dos adeptos e 1340 euros pelo uso de engenhos pirotécnicos.

"Será uma equipa com uma energia muito alta"
Treinador fala de um jogo com um clima "especial" e rejeita ser favorito. Claques estarão ausentes, mas o apoio será sentido, garante o espanhol. Braga e Vitória defrontam-se em final inédita no futebol português após afastarem nas meias-finais os grandes de Lisboa, Benfica e Sporting. Arsenalistas almejam conquistar o quarto troféu.
Carlos Vicens, 42 anos, pode conquistar hoje o primeiro troféu da carreira como treinador principal, depois de vários títulos como adjunto de Pep Guardiola no Man. City. O treinador espanhol pede uma equipa com "muita personalidade" diante do grande rival e a saber lidar com as adversidades.
Que desafios espera do V. Guimarães e que Braga se vai apresentar?
-Vai ser um jogo muito difícil, o V. Guimarães vem de uma dinâmica positiva, está em crescimento, podemos ver o trabalho que se está a fazer ali, é uma equipa que não se rende, como vimos recentemente, que dá tudo, é uma equipa solidária, trabalhadora, sabe jogar e que vai apostar as suas cartas para tentar ganhar. Nós teremos que ser uma equipa capaz de contrariar tudo isso, de oferecer uma versão com muita personalidade, de impor o seu jogo e de ter o caráter necessário para viver momentos de adversidade. Será um Braga muito motivado e com uma energia muito alta para tentar uma vitória que nos faria muito felizes.
Pelos títulos já conquistados e pelos últimos anos, o Braga é favorito?
-Não, nada. É um jogo diferente, com uma energia especial, uma final, um dérbi, e o que está para trás não serve para nada, nem o bom jogo que fizemos com o Benfica [vitória por 3-1 na meia-final]. O jogo começa 0-0 e temos que ganhar o direito de o conquistar através do esforço, de sermos competitivos, de nunca deixar de lutar, de saber sofrer, de ter personalidade, de sermos solidários uns com os outros e oferecermos a melhor versão que já pudemos ver do Braga. Isto é que te pode dar a vitória, não as vezes a que chegaste à final ou que ganhaste competições.
Mas esse alegado favoritismo pode alterar a forma como os jogadores vão encarar o jogo?
-Penso que não. Os jogadores têm muito claro as dificuldades que o nosso rival vai apresentar. Vamos preparar o jogo sabendo que fizemos muito bem há três dias, mas isso não nos dá nada. Não começa 1-0 por causa disso, oxalá...
Menos 24 horas de recuperação de que o V. Guimarães podem pesar?
-Vamos descobrir isso amanhã [hoje]. A primeira meia hora vai ser importante para avaliar realmente isso. Às vezes acontece que os indicadores de recuperação dizem uma coisa, mas com os desafios físicos e mentais que o jogo traz é que vamos ver se duram 80 ou 90 minutos ou se, aos 50 ou 55 minutos, precisas de fazer uma substituição. São os aspetos a que vamos ter que estar mais atentos.
Dia de preparação diferente, ontem?
-Tento que não seja. Temos que ser o melhor possível como equipa técnica e staff dando aos jogadores o que necessitam, ajustando a carga e o nível de informação, porque são muitos "meetings", muitos jogos, será o 35.º jogo amanhã [hoje]. Vi muitos jogos do rival e o nosso de há três dias para perceber coisas que escapam.
Vai repetir o onze do jogo contra o Benfica?
-Não sei ainda. Os jogadores estão a chegar, vamos almoçar aqui [ontem], depois faremos avaliações médicas e físicas e, em função do pouco trabalho em campo e das sensações que tivermos, tomaremos as decisões em função desses níveis de energia e recuperação.
As claques fazem boicote à competição. Sente que, ainda assim, a equipa será apoiada?
-Em primeiro lugar, respeito a opinião dos adeptos e, estando ou não presentes na final, sabemos que nos dão o seu calor de forma presencial ou espiritual. Sentes isso, no ambiente em nosso redor e na cidade. Não tenho dúvidas de que, apesar de não termos essa fação dos adeptos, a equipa vai ter apoio e essa energia vai ser sentida.
Minho na final por mérito próprio
Esta é apenas a terceira vez em 19 edições da Taça da Liga em que pelo menos um dos três grandes não está na final e o denominador comum é o Braga, repetindo as presenças de 2017 (perdeu com o Moreirense, 1-0) e 2024 (vitória sobre o Estoril nos penáltis). Questionado sobre a importância da presença de duas equipas fora desse núcleo que domina o futebol luso, Carlos Vicens começou por dizer que isso se verá "com a cobertura e a importância que a Comunicação Social vai dar ao jogo". "[Mas] Penso que pode ser positivo, porque as equipas mostraram que estão na final por mérito próprio e isso demonstra o nível do futebol português, lembrando também o que o Braga está a fazer nas competições europeias, e o trabalho de muitos clubes e muitos treinadores que vai mais além desses clubes mencionados. Há que dar valor, mas eu não sou a pessoa indicada para dizer isso, porque o meu trabalho é treinar", argumentou o treinador do Braga.
Coletivo floresce jogadores
Vicens explica momento bom da equipa frente ao Benfica. Treinador espanhol elogia Lagerbielke e Zalazar, peças em grande destaque contra as águias, mas considera que o defesa-central sueco e o médio uruguaio se destacam por causa do bom momento coletivo.
A ausência de Gorby diante do Benfica, na meia-final da Taça da Liga, foi a maior surpresa no onze do Braga. O médio francês é, juntamente com Víctor Gómez, o jogador com mais partidas pelos bracarenses (32), mas não saiu do banco na quarta-feira, pelo que, tendo em conta o curto espaço de tempo entre os jogos, é provável que regresse hoje à titularidade.
Em destaque diante das águias estiveram dois jogadores: Lagerbielke, no regresso após lesão, marcou e foi uma autêntica muralha defensiva, e sobretudo Zalazar, com uma exibição espetacular, com uma assistência e um golo após percorrer cerca de 60 metros, deixando vários adversários pelo caminho. Vicens dá outros ingredientes. "Não vamos descobrir agora quem é Zalazar, já está aqui há algumas épocas e vocês conhecem-no tanto, ou melhor que eu; já o Lagerbielke é mais recente. Preparamos cada jogo com os jogadores disponíveis e tendo em conta muitas coisas, como o "feeling" que temos ou o seu nível de energia. Depois, pensamos no perfil indicado para aquela posição. O Lagerbielke esteve bem no último jogo, mas já jogaram ali o Vítor Carvalho, o Niakaté e o Paulo Oliveira; o Víctor Gómez também jogou ali e bem contra o Benfica [na liga], por exemplo. Estiveram os dois bem, sim, mas também porque a equipa está muito bem coletivamente e isso permite-lhes florescer. Mas, há mais, há jogadores que fazem um trabalho mais invisível e menos espetacular, mas que oferecem a possibilidade a outros que jogam mais perto da baliza de terem essas atuações".

Energia e "cabeça fria"
Carregando aura decisiva, Zalazar abordou o dérbi do Minho aos canais da prova. "É um jogo histórico para os dois clubes, trata-se de um momento bonito que todos temos vontade de enfrentar. Dá motivação extra. Uma final traz sempre inquietação, deixa-te mais acelerado, será importante entrar no campo como fizemos contra o Benfica. Aceitar a emoção, de cabeça fria".
Aplicação, alegria e apoio
O Braga ultimou a preparação para a final da Taça da Liga com um treino realizado, ontem, na cidade desportiva. À saída para estágio, ao final da tarde, o autocarro arsenalista foi literalmente engolido pelos adeptos, num momento intenso, vibrante e colorido.

