
Ricardo Nunes
Ricardo Nunes respirou de alívio com o apuramento para a fase de subida, que parecia impossível a três rondas do fim. Presidente dos lobos do mar tomou a decisão de trocar de treinador a quatro jornadas do final da primeira fase. Contratação do técnico Nuno Capucho acabou por ser determinante para a qualificação.
Na segunda temporada como presidente, depois de ter terminado a carreira de jogador, Ricardo Nunes voltou a colocar o Varzim na fase de subida. Após ter falhado esse objetivo na última jornada da época anterior, conta com os fervorosos adeptos poveiros para carregar a equipa rumo à II Liga.
Conseguido o apuramento, sente-se aliviado pela pressão que existiu sobre o Varzim nas últimas jornadas?
-Claro que sentimos um grande alívio por termos conseguido o apuramento. Quem está nestes cargos num clube com a dimensão do Varzim sabe que tem sempre de lutar por objetivos maiores e esta época não foge à regra. O Varzim assumiu a candidatura à subida de divisão desde o início da época e, para estar nas decisões, tinha de passar esta primeira fase que é muito competitiva. A Liga 3 é discutida até ao último segundo e, se não ganhássemos contra o Marco, estávamos fora. Os clubes têm feito um trabalho incrível, tem havido um grande investimento e as outras equipas também trabalham bem. Agora é tempo de partir para uma nova fase com toda a pujança e muita esperança para atingir o sonho de todos os varzinistas.
Aquele golo caricato no último lance do jogo com o V. Guimarães, em que o guarda-redes acertou nas costas do Derick e o Varzim ganhou, acabou por mudar o destino?
-Sem dúvida que sim. Quem anda no mundo do futebol sabe que há sinais que nos indicam que as coisas podem correr bem. Por vezes, temos que nos agarrar a algo e esse momento vai ficar para sempre marcado na nossa memória, porque se aquele golo não acontecesse estávamos completamente fora. Sabíamos que tínhamos de ganhar os últimos três jogos e ser Varzim é isto, sabendo viver na adversidade e conseguindo resistir a lutar contra tudo e contra todos. Tenho a esperança de que possamos estar mais tranquilos para fazermos uma fase de subida mais regular. Será uma fase muito competitiva e o máximo que pode acontecer aos clubes é não subir de divisão. A pressão estará sempre nos clubes históricos como o Varzim e naqueles que assumiram desde o início o objetivo da subida.
A troca de treinador a quatro jornadas do final, com a entrada do Nuno Capucho, resultou. É uma aposta de sucesso?
-Sabíamos aquilo que o Capucho nos podia trazer, até pelo sucesso que teve nas primeiras passagens pelo Varzim. O Capucho é um treinador carismático, com personalidade e liderança, à imagem do que são os valores do nosso clube. Era importante ir buscar um treinador que conhecesse a realidade do Varzim e que trouxesse confiança aos jogadores para que fizessem dentro de campo tudo o que ambicionamos, com uma equipa à imagem do clube. O Capucho conseguiu isso, sabendo que precisamos sempre de uma ponta de sorte e que ele a teve naquele momento do jogo em Guimarães, mas não há campeões sem estrelinha.
Numa altura em que o clube está ainda a recuperar de graves problemas financeiros, era importante conciliar a reestruturação com os resultados desportivos?
-Claro que é sempre importante por mostrar consistência e passar uma mensagem aos nossos adeptos de que o clube realmente está vivo e que o trabalho está a ser bem feito. Podemos dizer que temos uma boa estrutura, mas o que dita a avaliação são sempre os resultados desportivos. É importante conciliar as duas coisas. São dois anos de trabalho desta Direção e duas fases de subida, sendo que, na época passada, não subimos na última jornada e este ano esperamos conseguir.
O apoio dos adeptos será importante?
-Os adeptos são fundamentais, como se viu, mais uma vez, no Marco de Canaveses em que apoiaram de forma massiva. Mesmo depois das tempestades que temos passado, os varzinistas continuam a apoiar em todo o lado e sem dúvida que são muito importantes, criando uma atmosfera espetacular com um apoio do primeiro ao último minuto. Ser Varzim é acreditar até ao fim e nesse aspeto os nossos adeptos são absolutamente exemplares, mostrando, semana após semana, que são a alma deste clube.
Plantel vai ter "reajustes" para atacar a subida de divisão
O plantel do Varzim terá reforços para a segunda fase, estando previstos alguns "reajustes" que ficaram pendentes até perceber se o clube iria disputar a fase de subida. "Com o treinador, veremos o que será possível fazer para apetrechar o plantel. O Chamito já veio acrescentar. Transferimos o Rodrigo Freitas, entrou o Chamito e não ficamos a perder. A dinâmica tem de continuar", avisou Ricardo Nunes, destacando a "visibilidade" de um clube que, mesmo na Liga 3, "tem feito algumas vendas nos últimos anos, conseguindo receitas extraordinárias que vão mantendo as coisas". "O Varzim é um clube completamente governável. Prometemos estabilidade financeira, ordenados em dias e credibilidade, e temos conseguido tudo isso, sempre com valorização humana", sublinhou o presidente do Varzim.
