Proposta de distribuição do mecanismo de solidariedade da UEFA não foi aprovada

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Mário Vasa
Clubes profissionais reuniram-se numa Assembleia-Geral Extraordinária para discutir a revalidação da proposta de distribuição do mecanismo de solidariedade da UEFA, que acabou rejeitada por um voto
Com alguma polémica à mistura, que estalou dentro de portas, ouviram-se divergências mais acaloradas e também Paulo Lopo, presidente da SAD do Estrela da Amadora, acabou por desabafar nas redes sociais e admitir que existiram fortes desencontros na Assembleia Geral da Liga, destinada a uma aprovação da revalidação do mecanismo de solidariedade da UEFA, que contemplaria um bolo de 7,5 milhões a distribuir por clubes da I Liga e da II Liga. A proposta foi chumbada com quatro votos contrários, uma abstenção e uma ausência, sendo requerida para aprovação 75 por cento de anuência dos clubes da Liga. O voto foi definido como secreto pelo Rio Ave, contrariando a tendência de braço no ar. Por seu turno, terá sido o Braga, presente ao mais alto nível por António Salvador, o único a deixar vincada a natureza do seu voto, favorável à permanência de um apoio aos clubes da divisão secundária.
Falhado o propósito, a reunião foi suspensa, para ser retomada em data a agendar, por virem à tona questões técnico-jurídicas. Refira-se que, em setembro de 2024, foi aprovado este mecanismo com uma base redigida "daqui em diante", dando permanência no tempo. Na falta de suficientes pareceres técnicos para promulgar qualquer decisão, a AG adiou a discussão e Reinaldo Teixeira desvalorizou a tensão. "Acredito numa plataforma de entendimento, o equilíbrio será conseguido. A vontade foi clara, com 12 votos favoráveis à revalidação da distribuição destas verbas. Ficam a faltar dois votos para a proposta passar num universo de seis. A vida é feita de momentos de algumas divergências".
Paulo Lobo, presidente da SAD do E. Amadora, lamentou o sucedido. "Hoje é um dia negro para o futebol português. Na Assembleia Geral de hoje, a proposta de distribuição do mecanismo de solidariedade da UEFA não foi aprovada, por não ter alcançado os 75% de votos favoráveis exigidos. Dos 18 clubes da Primeira Liga, faltou um voto para a aprovação, quatro clubes votaram contra e um optou pela abstenção. Quebrou-se, de forma grave, uma regra basilar do futebol: a solidariedade. Uma solidariedade que sempre foi o cimento do nosso ecossistema competitivo e que hoje foi colocada em causa por uma visão egoísta e de curto prazo. Mais grave ainda é o facto de alguns dirigentes não terem tido a coragem de votar olhos nos olhos dos seus pares, refugiando-se covardemente no voto secreto. Falamos de um futebol onde os valores garantidos não permitem, sequer, assegurar o pagamento do salário mínimo a um plantel de 25 jogadores e respetiva equipa técnica. Num contexto destes, a solidariedade não é um favor: é uma necessidade estrutural. Importa, por isso, sublinhar que os clubes grandes foram verdadeiramente grandes no sentido do seu voto. Demonstraram, uma vez mais, que a grandeza também se mede pelas atitudes e pelo compromisso com o todo", começou por escrever Paulo Lopo.
"Os clubes da Segunda Liga não mereciam esta facada nas costas por parte de clubes irmãos que, ainda há poucos anos, eram igualmente reféns dessa mesma solidariedade. Clubes que hoje, inebriados pelos milhões dos seus investidores, deixaram de olhar para o lado e de reconhecer aqueles com quem, no passado, lutaram juntos contra as mesmas dificuldades e adversidades, e que hoje se encontram fragilizados. O futebol português ficou hoje mais pobre. A ganância individual sobrepôs-se ao interesse coletivo, em claro detrimento da parte mais frágil do sistema", continuou.
"O Estrela da Amadora não se revê no dinheiro que irá receber neste contexto. Não se revê neste novo paradigma de milhões sem responsabilidade social, nem numa lógica de indiferença perante o próximo. Da nossa parte, tudo faremos para repor a justiça solidária e defender os nossos clubes irmãos, porque acreditamos que só com equilíbrio, respeito e cooperação é possível construir um futebol verdadeiramente sustentável. Bem-haja a todos os que votaram favoravelmente, em especial aos clubes grandes, porque acreditamos que juntos conseguiremos construir uma liga mais forte, mais justa e mais solidária. Espero que esta decisão seja suspensa a bem do futebol português!" finalizou o dirigente.
Durante a discussão, sabe O JOGO, António Salvador, presidente do Braga, foi um dos poucos que falou, para dizer que iria votar a favor, mas que entendia que aquele dinheiro não vai resolver os problemas de sustentabilidade da II Liga.
De seguida, a Mesa da AG questionou se alguém se oponha a que a votação fosse por braço no ar e o Rio Ave fê-lo, pelo que a votação foi secreta.
Contrariamente ao noticiado, o Estoril não votou contra.

