Paulo Lopo arrasa pares: "A ganância individual sobrepôs-se ao interesse coletivo"

Paulo Lopo
Carlos Carneiro
Clubes profissionais reuniram-se numa Assembleia-Geral Extraordinária para discutir a revalidação da proposta de distribuição do mecanismo de solidariedade da UEFA, que acabou rejeitada por um voto. Presidente da SAD do Estrela da Amadora teceu duras críticas aos dirigentes que votaram contra esta medida
A proposta de revalidação da distribuição do mecanismo de solidariedade da UEFA foi esta sexta-feira rejeitada na Assembleia-Geral Extraordinária da Liga Portugal, revelou Paulo Lopo, presidente da SAD do Estrela da Amadora numa publicação nas redes sociais em que "arrasou" os dirigentes dos clubes que votaram contra esta medida.
"Hoje é um dia negro para o futebol português. Na Assembleia Geral de hoje, a proposta de distribuição do mecanismo de solidariedade da UEFA não foi aprovada, por não ter alcançado os 75% de votos favoráveis exigidos. Dos 18 clubes da Primeira Liga, faltou um voto para a aprovação, quatro clubes votaram contra e um optou pela abstenção. Quebrou-se, de forma grave, uma regra basilar do futebol: a solidariedade. Uma solidariedade que sempre foi o cimento do nosso ecossistema competitivo e que hoje foi colocada em causa por uma visão egoísta e de curto prazo. Mais grave ainda é o facto de alguns dirigentes não terem tido a coragem de votar olhos nos olhos dos seus pares, refugiando-se covardemente no voto secreto. Falamos de um futebol onde os valores garantidos não permitem, sequer, assegurar o pagamento do salário mínimo a um plantel de 25 jogadores e respetiva equipa técnica. Num contexto destes, a solidariedade não é um favor: é uma necessidade estrutural. Importa, por isso, sublinhar que os clubes grandes foram verdadeiramente grandes no sentido do seu voto. Demonstraram, uma vez mais, que a grandeza também se mede pelas atitudes e pelo compromisso com o todo", começou por escrever.
"Os clubes da Segunda Liga não mereciam esta facada nas costas por parte de clubes irmãos que, ainda há poucos anos, eram igualmente reféns dessa mesma solidariedade. Clubes que hoje, inebriados pelos milhões dos seus investidores, deixaram de olhar para o lado e de reconhecer aqueles com quem, no passado, lutaram juntos contra as mesmas dificuldades e adversidades, e que hoje se encontram fragilizados. O futebol português ficou hoje mais pobre. A ganância individual sobrepôs-se ao interesse coletivo, em claro detrimento da parte mais frágil do sistema", continuou.
"O Estrela da Amadora não se revê no dinheiro que irá receber neste contexto. Não se revê neste novo paradigma de milhões sem responsabilidade social, nem numa lógica de indiferença perante o próximo. Da nossa parte, tudo faremos para repor a justiça solidária e defender os nossos clubes irmãos, porque acreditamos que só com equilíbrio, respeito e cooperação é possível construir um futebol verdadeiramente sustentável. Bem-haja a todos os que votaram favoravelmente, em especial aos clubes grandes, porque acreditamos que juntos conseguiremos construir uma liga mais forte, mais justa e mais solidária. Espero que esta decisão seja suspensa a bem do futebol português!" finalizou Paulo Lopo.

