
LUSA
Intervenção do técnico italiano no descanso ajudou a transformar o jogo, até porque os atletas sentiram as palavras. O JOGO detalha um pouco da forma e mensagem com que Farioli mudou o jogo em Tondela, impondo transformações que passaram pela intensidade. Mas sobretudo oferecendo confiança aos atletas.
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Uma revolução anímica e de jogo, o FC Porto cuspiu fogo ao reentrar na arena, após ter andado um pouco perdido das velocidades recomendáveis na 1.ª parte. Muito se falou da intervenção de Farioli ao intervalo e no impacto que palavras, gestos e mensagens tiveram nos atletas e livraram a equipa de um contratempo em Tondela, que fizesse murchar as expetativas dos adeptos de um avanço mais considerável na frente da Liga. Samu tocou no tema, aflorando reparos do técnico, mas que surtiram efeito a espicaçar os dragões para outra atuação. O avançado espanhol acabou por ser responsável pela libertação da euforia, travando os nervos e sensações mais pessimistas, descongelando os mais puros sentimentos de exaltação coletiva entre a equipa e a legião de seguidores que rumou à Beira Alta.
Apurando a abordagem do técnico italiano ao descanso, os 15 minutos foram utilizados para redimensionar os níveis de intensidade da equipa, devolvendo-a ao plano de jogo que tinha sido traçado, a fim de não desperdiçar uma boa oportunidade. Numa consulta ao que se passou, o JOGO pode garantir que não se tratou de reprimendas que pusessem as orelhas a arder aos jogadores. A ação de Farioli incidiu, sim, numa postura mais intensa e focada, fazendo tocar o despertador, já urgia o tempo para a resolução do jogo. Avesso a sermões, mostrou inteira confiança que todos dariam uma resposta mais adequada, não fazendo qualquer troca ao intervalo. Travando para fora pensamentos mais soltos e contraproducentes que o campeonato podia ficar mais à mercê, acentuadas fossem diferenças nesta jornada, Farioli não deixou de fixar na mente de todos a importância de uma saída vitoriosa de Tondela.
No habitual recurso a uma análise por vídeo de determinadas situações de jogo, mostrou aos jogadores onde queria melhorias de comportamento, reajustamentos táticos e detalhes individuais. Os 15 minutos de reposição de energia e reflexão tiveram o condão de abanar decisivamente a equipa, e, em dois atos fulgurantes, o jogo ficava resolvido, irremediavelmente perdido para os locais. O perfil mais psicológico, ou também filosófico de Farioli, ajudou a empurrar uma equipa que parecia perra para os necessários três pontos.


