
Em entrevista ao Expresso, o ex-árbitro internacional revelou que recebeu "mais de 300 camisolas, relógios de valor insignificante" e valorizou as prendas sempre como "gestos simpáticos"
Pouco mais de uma semana depois de ter anunciado o final da carreira, Duarte Gomes deu uma entrevista ao Expresso onde revela, por exemplo, que nunca se sentiu influenciado por ter recebido prendas dos clubes, incluindo dos três grandes. "Ao longo da minha carreira, recebi mais de 300 camisolas, incluindo do Benfica, FC Porto e Sporting. Nunca distingui esse tipo de ofertas, em nenhum clube, nem nunca as considerei uma tentativa de me influenciar. Valorizei-as apenas como gestos simpáticos. Também recebi camisolas com o meu nome, relógios de valor insignificante, galhardetes, toalhas... Se acham que uma camisola ou um almoço nos influenciam, têm-nos em muito má conta. Não nos ofendam, por favor", considerou o ex-árbitro internacional que garantiu nunca ter sido pressionado por Vítor Pereira, presidente do Conselho de Arbitragem da FPF. "Enquanto meu presidente, ligou-me imensas vezes, em muitos jogos de muitas equipas, sempre com a mesma mensagem: 'Boa sorte, bom jogo, vai tranquilo, nós contamos contigo'. É o papel pedagógico de um presidente", defendeu.
A propósito da confissão de Cosme Machado, pelo erro cometido no Sporting-Académica, Duarte Gomes afirmou: "Compreendo a vontade de falar, também já o fiz. Só que as pessoas acham que os árbitros devem falar, mas quando o fazem são logo apontados: "olha este, fala muito, mas arbitra pouco". Não há como satisfazer um adepto irritado, magoado e apaixonado pelo seu clube. Os árbitros têm um segundo para decidir. Também temos família, amigos, o vizinho, o colega do banco. Levei tudo com humor, porque é preciso ter encaixe. Não podia ser uma prima-dona. Via os meus jogos na televisão e ficava muitas vezes espantado: como é possível errar tanto", confidenciou.
