
No seu discurso na Gala de aniversário do Benfica, Luís Filipe Vieira deixou duras críticas aos rivais.
"Podemos continuar a aceitar aqueles que fazem da divisão, do conflito, da intimidação o seu modo de vida, e achar que o futebol português pode sobreviver a isso. Ou, então, temos de rejeitar tudo isto e exigir comportamentos orientados pela ética e pela responsabilidade", afirmou.
"O Benfica está aqui e entende que não pode valer tudo. Todos nós temos a obrigação de fazer crescer o futebol em Portugal, de o projetar como produto de excelência, de o valorizar a nível internacional, e isso obriga-nos a ter de combater o fanatismo mais agressivo e mais primário", rematou.
Leia o discurso completo do presidente do Benfica:
"Cada vez que nos reunimos para celebrar mais um aniversário do Clube, somos testemunhas da História, da capacidade mobilizadora dos nossos sócios e adeptos, mas acima de tudo somos responsáveis pelo legado daqueles que em 1904 deram início à nossa História.
Mas a História não é mais do que uma janela para o futuro, não é um capítulo fechado, é antes um espaço de inspiração e um desafio para a ação.
O futuro é o que fazemos hoje, porque o presente que hoje vivemos começou a ser construído com as decisões que tomámos há 10, 12 e 15 anos.
O trabalho que desenvolvemos até aqui serviu para transformar o Benfica num Clube vanguardista com ambição, onde sonhar voltou a ser permitido, onde voltámos a ser uma referência europeia. Um Clube respeitado e admirado, um Clube credível e cada vez mais observado além-fronteiras.
Acreditem que vivo hoje o mesmo entusiasmo e a mesma ilusão que experimentei no primeiro dia em que cheguei ao Benfica.
Os desafios de hoje não são menores que aqueles que encontrei há 15 anos, são apenas diferentes. Conseguimos chegar aqui porque acreditámos que era possível, porque avançámos sem medo, porque conseguimos transformar problemas em oportunidades.
Sempre tive o cuidado de olhar e cuidar da nossa História como algo fundamental para o Clube, porque nenhuma grande instituição sobrevive sem cuidar da sua memória.
As nossas referências devem estar sempre presentes como alicerces em que se constroem os novos projetos do Clube, devem ser referências de valores, devem ser os exemplos que nos inspiram em cada dia.
Mas também é verdade que a herança do passado só se torna viva se lhe juntarmos um permanente inconformismo e um desafio diário de pensar e construir o que queremos no futuro.
O Sport Lisboa e Benfica é hoje um Clube admirado, competitivo e global porque apostou na inovação como valor diferenciador.
Fazemos coisas diferentes, mas acima de tudo fazemos primeiro, e é por isso que somos admirados a nível internacional.
A inovação está presente no Seixal, na Luz, no marketing, nos recursos humanos, está presente em toda a nossa organização. A inovação é um valor transversal no atual Sport Lisboa e Benfica, e isso para mim é um motivo de orgulho.
Outro dos fatores em que se alicerçou o nosso crescimento recente foi a união e a estabilidade que conseguimos ter durante os últimos anos. A estabilidade permitiu-nos pensar e planear a médio e longo prazo, permitiu-nos voltar a ser um Clube global.
O Benfica fez-se grande na união, construiu-se na diversidade de opiniões, na democracia das ideias, mas em questões estruturais sempre estivemos unidos nas opções a tomar.
Fizemos uma longa viagem num curto espaço de tempo. A viagem vai continuar, e vamos continuar a surpreender e a crescer de forma sustentada.
Uma palavra final em relação ao Futebol português.
Podemos continuar a aceitar aqueles que fazem da divisão, do conflito, da intimidação o seu modo de vida, e achar que o Futebol português pode sobreviver a isso.
Ou, então, temos de rejeitar tudo isto e exigir comportamentos orientados pela ética e pela responsabilidade. O Benfica está aqui e entende que não pode valer tudo.
Finalmente, para que não fiquem dúvidas, a justiça deve ser célere, deve castigar ou ilibar, mas tem de ser muito célere nas suas decisões.
Portanto, para evitar demagogias ou polémicas absurdas, digo hoje que espero que nenhum jogador da equipa que vamos defrontar na próxima jornada seja impedido de jogar contra nós.
A justiça deve atuar, aliás já o devia ter feito, mas, para que não haja nenhum tipo de suspeição, castiguem - se tiverem de o fazer - depois do nosso jogo.
Todos nós temos a obrigação de fazer crescer o Futebol em Portugal, de o projetar como produto de excelência, de o valorizar a nível internacional, e isso obriga-nos a ter de combater o fanatismo mais agressivo e mais primário.
