O absolutismo de Conceição: trajeto cheio de troféus e valorização de jogadores

Porto's Portguese coach Sergio Conceicao raises the trophy after winning the 'Taca de Portugal' (Portugal's Cup) final football match against SC Braga at the National Sports Center Jamor stadium in Oeiras on June 4, 2023. (Photo by Patricia DE MELO MOREIRA / AFP)
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Completaram-se seis anos desde que assumiu o comando do FC Porto e os números são esmagadores.
Cumpriram-se ontem, quinta-feira, seis anos desde que Sérgio Conceição assinou o primeiro contrato como treinador do FC Porto, chegando ao clube com um objetivo bem claro: impedir que o Benfica festejasse o pentacampeonato.
Não só o conseguiu, vencendo o campeonato na primeira época, como devolveu aos portistas a hegemonia do futebol nacional, perdida para o rival da Luz nos anos anteriores. Os números são esmagadores.
A face mais visível deste domínio azul e branco são, naturalmente, os dez títulos conquistados nos seis anos do reinado de Conceição. Mais do dobro do Benfica. E só o Sporting se aproxima, muito à custa das quatro Taças da Liga que venceu nesse período.
Focando apenas no campeonato, Conceição ganhou três, o Benfica dois e o Sporting um. Mas se somarmos os pontos ganhos nas seis temporadas, o FC Porto, que terminou sempre acima dos 80, tem mais 29 do que os encarnados, mais 55 do que os leões e mais 102 do que os minhotos. Por isso, é também no Dragão que mora a equipa que averbou mais triunfos: 161, contra 151 do rival da Luz. No que diz respeito a golos neste ciclo, o FC Porto tem o melhor saldo entre marcados e sofridos, embora o Benfica tenha, no total, marcado mais 20. Contudo, sofreu mais 23.
Finalmente, e não menos importante, sobretudo numa altura em que o exercício financeiro da época está prestes a fechar, o FC Porto de Sérgio Conceição recebeu mais prémios na sequência do apuramento e desempenho nas provas europeias do que os três adversários diretos, de acordo com os valores revelados nos relatórios anuais da UEFA. A diferença para o Benfica pode parecer mínima - 283,7 milhões de euros para os azuis e brancos e 273,5 para os encarnados - mas só porque os valores calculados de 17/18 não incluem os 12,7 milhões de euros que a SAD recebeu pela entrada direta na Champions, uma vez que isso foi fruto dos resultados da época anterior, ainda com Nuno Espírito Santo, enquanto no Benfica o valor calculado inclui essa verba.
Mais de 400 M€ em vendas
Conceição chegou ao FC Porto com o clube em dificuldades financeiras, com a UEFA à perna. A valorização de muitos dos ativos ao longo destes seis anos e os apuramentos europeus foram fundamentais para a contabilidade voltar a terreno verde. Feitas as contas, de acordo com o Transfermarkt, a venda de jogadores rendeu mais 400 milhões de euros, sem contar com as transferências no defeso de 17/18 uma vez que esses atletas não trabalharam com o atual treinador. Por outro lado, a SAD "apenas" investiu 211,6 M€ em reforços. Por comparação, o Benfica, no mesmo período, encaixou mais de 700 M€ e gastou quase metade desse valor.

