"Nervos e ansiedade tomaram conta de nós. Os 15 minutos finais foram uma eternidade"

André Azevedo vestiu pele de herói no Vila Real
André Azevedo, jogador do Vila Rea, foi herói de uma "final" na qual o clube do coração se salvou da descida, ao marcar o único golo.
Filho da terra e formado no clube, André Azevedo marcou (75') o golo do triunfo ante o Pedras Rubras, na última ronda da Série C do Campeonato de Portugal, e respirou de alívio ao ver o Vila Real escapar à despromoção.
13568705
Dado o cariz do jogo, que ambiente se viveu antes de subir ao relvado?
-O míster tirou-nos peso dos ombros e pediu-nos para desfrutar. Mas cada jogador sentiu muita ansiedade. Há sempre um nervoso na barriga. Era essencial controlar as emoções para não perder a noção do que fazer e não deixar de confiar.
À medida que o tempo passava, os nervos apoderaram-se da equipa?
-Com o marcador a zeros, estávamos menos nervosos face à altura em que ficámos a vencer. Não tornámos o jogo mais difícil, mas os nervos e a ansiedade tomaram conta de nós, contrariamente ao que o míster pediu. Os 15' finais parecem ter durado uma eternidade, mais que os restantes 75.
Sem o seu golo, o Vila Real teria descido. Terá sido o mais especial da carreira?
-Este foi o mais relevante em termos sentimentais. Enche-me de orgulho. Senti que foi um momento bom para mim, para o clube e para a cidade e fico contente por ajudar e ficar na história do clube.
Esperava uma época tão adversa e com esta aflição?
-Éramos das três melhores equipas da série a jogar, mesmo com um plantel quase todo novo, treinador e sistema tático diferentes, pois trabalhámos muito. Merecíamos mais pelo futebol praticado, a pandemia trouxe muitas dificuldades, obrigou-nos a paragens, a ter poucos suplentes... Sem isso, a equipa podia ter ficado nos cinco primeiros.
Como vila-realense, como é servir o clube da terra?
-Tenho um carinho muito grande. É importante para mim, com 30 anos, ser visto como exemplo para muitos jovens que já me confessaram querer seguir os meus passos como jogador e cidadão.
Saiu em 2013 e regressou em 2020. Como vê o clube atualmente?
-Parou em alguns aspetos que precisam de evolução. Está algo desligado da cidade e faltam apoios. Mas melhorou a nível diretivo. Há que trabalhar ainda mais para consolidar o clube nesta prova.
"Percebi [que atuar em jogos de apuramento da Liga Europa e da Champions] era uma oportunidade única. Serviu de prémio por não chegar a uma liga profissional"
Esteve, de 2017 a 2020, na I Liga de Andorra, no Santa Coloma. Que nível competitivo encontrou?
-Não tem uma grande exigência. Comparo-a ao Campeonato de Portugal. É competitivo, as equipas trabalham bem, apesar de serem poucas e, por isso, tem curta duração. Nunca imaginei ficar lá tanto tempo, mas a oportunidade de disputar competições europeias e ser campeão nacional, fez-me permanecer.
Imaginou disputar jogos de apuramento da Liga Europa ou da Champions?
-Nem sabia que as equipas de Andorra tentavam apurar-se para tais provas. Admirei-me e vi que seria uma oportunidade única. Enriqueceu-me muito e serviu de prémio já que não cheguei, e tanto ambicionei, a uma liga profissional. Continuo na luta.
