
Paços de Ferreira deixou ao segundo escalão
Gonçalo Delgado/Global Imagens
Marco Baixinho foi uma das baixas mais sentidas no plantel em 2022/23. Partilha dor com antigos companheiros, mas tem a certeza de que o clube se vai levantar depressa.
César Peixoto já se despediu do Paços de Ferreira, deixando um histórico de 50 jogos em dois períodos de comando na vigente temporada, conhecendo o estranho caso de ser despedido e contratado em curto espaço de tempo. Enquanto o futuro homem do leme está por conhecer, o técnico cessante responde por um trabalho promissor em 2021/22, recuperando a equipa até um tranquilo 11.º lugar, por uma esperança quase milagrosa no seu regresso ao clube, mas também por um início de época ruinoso em resultados, que ditou o seu afastamento perto do final da primeira volta.
Com três períodos sobre avaliação, é importante realçar que o inusitado regresso de Peixoto, após experiência falhada com José Mota, foi também resultado de uma auscultação ao plantel, o que não deixa de ser significativo quanto ao apreço que granjeava o antigo jogador do FC Porto e Benfica. Afinal, o que se passou exatamente com uma equipa que somou dois pontos na primeira volta e que conquistou 18 na segunda metade da Liga? Muitas lesões intrometeram-se na vida dos castores, contratações falhadas também, num balanço com reforços cirúrgicos que chegaram em janeiro e potenciaram outro equilíbrio.
Decidimos falar com Marco Baixinho, figura com muitas épocas na Mata Real, que deixou o clube precisamente no final de 2021/22, rumando ao Chipre, ao Anorthosis. Ajuda-nos na leitura dos problemas que acompanharam época amarga, também para ele, olhando ao registo de sete temporadas na capital do móvel, 196 jogos, muitos com a braçadeira. "Foi uma época muito triste. Acompanhei todos os jogos intensamente. Parecia que ainda estava lá a jogar. Tanto eu como o Hélder Ferreira! Não há dia que não se fale do Paços e do que aconteceu", reconhece o central, entrando nas particularidades dos castores em 2022/23 no que respeita à figura de César Peixoto. "Realmente um treinador regressar à mesma equipa, é uma situação que raramente acontece, e, na maior parte das vezes, não faz sentido. Quem está por dentro e toma as decisões de certeza que o fez com a melhor das intenções", aclara Baixinho, compreendendo a sintonia dos atletas com o técnico, mesmo com a crise de resultados que massacrou o ego.
"Apesar de não estar dentro do grupo e não sabendo o que se passou, consigo perceber essa relação. O César é muito bom treinador e na época passada tínhamos uma ligação muito forte entre jogadores e equipa técnica. Ele tem uma boa ideia de jogo e faz-nos entender o mesmo. E provavelmente por ter sido jogador há pouco tempo, gosta de nos ouvir e ir ao nosso encontro", justifica, pondo ênfase em erros cometidos.
"Penso que houve falhas no planeamento. Isso foi visível com uma primeira volta muito má, que acabou por ditar a descida praticamente", reconhece, lembrando a capacidade de resposta na casa amarela com enfoque em 2023/24. "Já passei por uma descida no Paços e sei o que custa para todos e para a cidade", lembra. "É difícil ver amigos passar por isto. Vou falar com eles. É como se fossem parte da minha família. Conhecendo a maneira de pensar e trabalhar, sei perfeitamente que já estão a preparar arduamente o regresso."
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