Namaso, o aluno atento que faz horas extra: "Pedia para ficar depois dos treinos"

Danny Namaso, jogador do FC Porto
LUSA
Titular na Supertaça, o inglês foi treinado por José Gomes no Reading, que não esquece o "tremendo sentido de responsabilidade" do jovem que "pedia para ficar depois dos treinos".
Incluído de forma surpreendente no onze do FC Porto na Supertaça, Danny Namaso está a colher os frutos que semeou. Além de abdicar de muitas horas de férias para treinar individualmente, o avançado inglês foi um dos destaques da pré-época, com quatro golos, merecendo a confiança de Sérgio Conceição no primeiro desafio oficial da temporada. A resposta surgiu sob a forma de uma exibição convincente, que, aos olhos de quem o conhece bem, resulta de uma mentalidade exemplar.
Danny "ficava a apurar o remate no final de praticamente todos os treinos", conta o técnico português, agora no Ponferradina, a O JOGO. "E eu deixava, porque aquilo dava-lhe confiança", completa.
"O Danny tem um sentido de responsabilidade tremendo, que leva a que os treinadores confiem nele. Cumpre todas as tarefas que lhe são confiadas", conta, a O JOGO, José Gomes, que trabalhou com o dianteiro no Reading, em 2018 e 2019. "É aquele jogador que acaba o treino e pede para ficar a fazer algum exercício, pedindo ajuda para melhorar algum aspeto em que se sinta menos forte", acrescenta o treinador português.
"Sabe o que custa a vida, quer ajudar a família e está muito focado"
José Gomes conheceu Namaso, agora com 21 anos, "ainda menino", mas assegura que, já aí, a maturidade era notória. "Sabe o que custa a vida, quer ajudar a família e, por isso, está muito focado na profissão. "No final de praticamente todos os treinos ficava a treinar o remate. Eu deixava porque aquilo dava-lhe confiança", recorda o agora técnico do Ponferradina, de Espanha, explicando que, por detrás da opção de Conceição, pode ter estado o "sentido de compromisso defensivo" de Danny. "Ele não falha em nada do que lhe é pedido, nomeadamente na organização do processo defensivo", detalha.
Quanto ao que aí vem, a começar já pelo duelo de sexta-feira com o Marítimo, José Gomes acredita que Namaso não ficará deslumbrado. "Numa equipa grande, é muito difícil que qualquer jogador se sinta indiscutível e o Danny não foge a essa regra, até pelo estatuto que ainda não tem", remata o treinador. Certo é que o lugar no plantel já está assegurado e Conceição vê no jovem internacional inglês uma aposta segura para esta temporada.
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"Falta-lhe soltar as amarras"
Inicialmente posicionado no eixo do ataque, entre Taremi e Evanilson, não foi raro ver Namaso descer no terreno durante o jogo com o Tondela, no último sábado, por vezes a fazer lembrar Fábio Vieira, que chegou a desempenhar funções semelhantes em 2021/22.
"Pode fazer esse papel, sim. Comigo, no Reading, tal como nas seleções jovens de Inglaterra, jogou como avançado, extremo e até como médio-ofensivo", lembra José Gomes ao nosso jornal, frisando, porém, que essa hipótese também pode trazer desvantagens. "No fundo, afastá-lo das zonas de finalização pode ser um desperdício, porque é um jogador que define e atira extremamente bem à baliza", ressalva o técnico do Ponferradina.
"Até lhe falta um pouco de irreverência. A forma como sente os problemas táticos da equipa faz com que, muitas vezes, baixe as linhas para ajudar a defender, afastando-se da zona onde pode ser mais forte. Estou convencido de que, à medida que for crescendo, vai destacar-se mais enquanto jogador, no sentido de demonstrar o que tem de melhor. Falta-lhe soltar um pouco as amarras. Quanto mais se libertar, melhor jogador será", vaticina José Gomes.
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