Mourinho: "O Benfica começa a ter cultura tática e começa a ser equipa, mas está longe do que quero"

José Mourinho (Foto: Mário Vasa)
Mário Vasa
Declarações de José Mourinho após o Benfica-Nápoles (2-0) da 6.ª jornada da Liga dos Campeões
Sai daqui do Estádio da Luz com a sensação de que a equipa já está no ponto que pretende ou ainda longe daquilo que ambiciona? "Longe, longe. A equipa melhora pouco a pouco, a equipa vai melhorando, como eu dizia antes, melhora, esconde deficiências, esconde limitações, encontra novas soluções, começa a saber interpretar diferentes adversários, diferentes modos de jogar, hoje soube compactar, soube pressionar alto, soube baixar linhas, soube nos últimos 10 minutos defender com uma linha de cinco contra dois gigantes na área, mais alguns que chegavam de trás com um jogo muito direto. A equipa começa a ter cultura tática e começa a ser equipa, mas obviamente que estamos longe daquilo que eu gostaria que fosse a nossa equipa. Mas quem nós somos neste momento, o grupo que somos, os jogadores que somos, acho que estamos a esconder muito bem as nossas limitações, estamos a desenvolver muito bem as nossas próprias qualidades. Por exemplo, outra das brilhantes mensagens com que tu me acordas era que todos os jogadores do Benfica pioraram desde que eu cheguei: eu acho que o Ríos piorou bastante, o Dahl piorou bastante, há muita gente que piorou bastante, mas pronto, siga a marinha."
Há pouco disse que às vezes acerta com as escolhas, mas também às vezes pode errar. Hoje teve duas escolhas diferentes no onze, Ivanovic e também Tomás Araújo, como é que avalia a prestação dos dois jogadores? Também reparei que entrou com um saco no interior da sala e era só para perceber se é uma prenda que tem para dar a algum jornalista e também qual é a prenda que quer dar aos adeptos do Benfica nesta fase? "Este saco é meu, é a camisola do Scott McTominay. Foi eu que o meti lá dentro, fui eu que deixei o Pogba em casa para o meter a ele lá dentro, o mínimo que ele podia fazer era dar uma camisola. Qual era a prenda que gostava de dar aos adeptos do Benfica? São escolhas que têm muito pensamento por trás, são escolhas que têm muita análise, são escolhas que fazem seguramente com que os rapazes que trabalham comigo às vezes me odeiem, porque eu sou chato, porque eu sou persistente, porque eu não deixo ninguém ir para casa enquanto não tiver tomado decisões, e pensámos que contra um jogador que profundiza como o Hojlund, que é rapidíssimo, que é potentíssimo, que devia estar em campo o nosso jogador mais rápido, que é o Tomás, não há outro tão rápido quanto ele no eixo da defesa. E por outro lado, contra uma equipa que quer defender ao homem, e que quer os jogadores que se aproximem das zonas do meio-campo para poderem ser apertados, para poderem ser encurralados, em vez de ter um jogador tão técnico como o Pavlidis, era melhor termos um jogador que procurasse a profundidade e que procurasse descompactar uma equipa que normalmente é muito compacta. Eu digo sempre que os treinadores, não eu só, todos, acho que todos os treinadores decidem bem. À partida todos decidimos bem, depois são os jogadores lá dentro que fazem com que nós decidamos bem ou decidamos mal. E hoje foram eles os responsáveis por eu ter decidido bem, porque acho que são duas boas performances individuais que criaram uma diferenciação relativamente àquilo que nós somos quando eles não jogam, deram-nos aquilo que nós idealizámos, deram-nos aquilo que nós pensámos que seria importante para o jogo."

