"Militão era um monstro fisicamente quando chegou ao FC Porto, mas não tinha conhecimentos táticos"

Éder Militão e Sérgio Conceição (Créditos: Miguel Pereira/Global Imagens)
Declarações de Sérgio Conceição ao Tuttosport na cerimónia de revelação dos candidatos ao prémio Golden Boy
Contratação de Éder Militão: "Não tinha conhecimentos táticos, tecnicamente era muito forte e fisicamente era um monstro, mas não sabia o que fazer nem dentro nem fora do campo. Tivemos de fazer um trabalho específico para o tornar um negócio ao fim de um ano. Mostrámos-lhe em vídeo e depois no campo, sempre, espaço a espaço, treinos com uma linha defensiva compacta e curta, momentos de zona e momentos de pressão, agressividade... Quando ele entendeu que era um jogador inteligente, deu o salto. Se depois fosse dançar samba e comer picanha, então não se pode jogar no Real Madrid. E ele está lá há seis anos."
Militão foi vendido ao Real Madrid por 50 milhões de euros: "Quer dizer que o presidente do Porto sabia vender."
Ajudou vários jogadores a "dar o salto": "Trabalhar ao mais alto nível significa ter de trabalhar muito, em aspetos que talvez não sejam técnicos, para ter sucesso. O jovem tem de compreender qual é a forma correta de estar no futebol moderno, o que se faz fora do campo conta muito. Como treinador do FC Porto, acompanhei os sub-17, os sub-19, a equipa B, e é possível criar jogadores de seleção nacional, para não falar dos que vêm de outros continentes, e é preciso explicar-lhes que o futebol na Europa é diferente.... Sei tudo sobre os meus jogadores, até o seu prato preferido, ter todos estes pormenores faz a diferença. Quanto dormem, quanto não dormem, o que comem, que família têm.... É preciso ser exigente consigo próprio, rigoroso, há tanto trabalho que não se vê. É preciso ter paixão, a única coisa que nos faz aceitar todos os sacrifícios."
Passagem por Itália, ao serviço da Lázio: "Corri esta manhã perto do Estádio Olímpico. Regressar a Roma é sempre sinónimo de felicidade, tenho recordações maravilhosas. Ganhei muito com uma equipa muito forte e sempre que venho vêm essas lembranças fantásticas desses dois anos, depois voltei em 2004 com Roberto Mancini como técnico. Cada vez que venho a Roma e a Itália, boas lembranças vêm-me à mente."
Foi treinador por Eriksson, que faleceu recentemente: "Eriksson era um cavalheiro, um homem extraordinário que teve que administrar um balneário com campeões como Fernando Couto, Nesta, Salas, Nedved, Verón... todos eram personagens difíceis, mas nunca o vi furioso. Ele ficava vermelho quando ficava nervoso, mas sabíamos que tínhamos a pessoa ideal para vencer e administrar aquele balneário. Uma pessoa fantástica, emociono-me ao falar dele. Depois de duas ou três semanas de treino, ele chamou-me ao balneário e perguntou porque estava sempre chateado. Contei-lhe a minha história, que perdi os meus pais quando era adolescente e a partir desse momento a minha abordagem e relacionamento com ele mudaram."
