Memórias do único Paredes-Benfica da história: "Tive vergonha de pedir a camisola a monstros"

Único jogo entre Paredes e Benfica foi há 35 anos. Carlitos e Magalhães alinharam nessa partida e defrontaram os ídolos de então
Foi a 4 de maio de 1985 que Paredes e Benfica se defrontaram pela única vez na história. Amanhã há novo confronto, mas para trás ficaram as memórias de um dia especial quando as águias foram a Penafiel, casa emprestada dos paredenses, vencer por 3-0.
"Sou benfiquista e estava habituado a ir à Luz ver jogar os meus ídolos. Ia quase sempre às competições europeias de carro, com os meus amigos, e enfrentávamos cinco a seis horas de viagem. Num ápice, passei a estar frente a frente com o Diamantino, o Wando, o Bento, o Nené...", conta Carlitos, avançado daquela formação do Paredes que nessa época subiu à extinta II Divisão.
"O Benfica sabia que tínhamos uma equipa forte e vieram com os craques todos. O que é nós podíamos fazer? Só desfrutámos", refere Magalhães, antigo lateral-direito. À meia-hora, já o resultado estava feito. O Paredes não resistiu aos golos de Manniche, Wando e Nené e o resto, conta Carlitos, foi "uma peladinha". "Estávamos habituados a jogar no pelado. Eu nunca tinha utilizado pitões de alumínio. Repare, aos 30 minutos estava cheio de dores nos pés...", narra.
Se Carlitos não tinha feitiopara pedir recordações aos craques no final do encontro, o mesmo não aconteceu com Magalhães. "Estávamos tão absortos que nem deu. Eu queria uma camisola de um qualquer, mas fiquei com vergonha em dirigirme a monstros como aqueles. Se fosse hoje, não teria vergonha, só que na altura éramos meninos", evoca o ex- defesa, também ele adepto das águias. Amanhã, Carlitos torcerá pelo Benfica, porque tem "mais hipóteses" de ganhar a Taça, enquanto Magalhães apoiará o Paredes.
Jorge Jesus é "difícil de entender"
Carlitos reconhece que é um adepto "fervoroso" do Benfica e se hoje ainda jogasse gostaria de trocar umas palavras com... Jorge Jesus. "Às vezes não percebo como é que o Benfica joga", atira. Porém, Magalhães tem uma opinião mais simpática sobre o treinador.
"Fiquei muito chateado quando ele saiu. Tem uma linguagem diferente", comenta. Para o antigo defesa, a surpresa é possível. "Os miúdos não têm tanto medo. Na altura ficávamos a tremer só de olhar para as camisolas. O Sporting na época passada não foi eliminado pelo Alverca e o Benfica não tremeu em Vizela?", questiona, exemplificando
