Mário Évora a guiar o Juventude, sensação no Campeonato de Portugal: "Queria ter o meu lugar"

Mário Évora
Guarda-redes Mário Évora é totalista no Campeonato de Portugal, numa equipa que, na época passada, estava no Distrital e, agora, ocupa lugar de acesso à fase de subida. Formado no FC Porto, passou pelo V. Guimarães, mas nas últimas duas épocas tem procurado relançar a carreira no CdP. Afirma estar a consegui-lo num grupo elogiado pela qualidade e ambição.
Do distrital de Évora para a luta pela subida no Campeonato de Portugal. O Juventude de Évora tem sido uma das sensações da temporada e a vitória de domingo passado, por 2-1, frente ao Portimonense B mantém os alentejanos no segundo lugar, com mais quatro pontos que o Alverca B e a um do líder Atlético da Malveira. Terceira melhor defesa do agrupamento, com 12 golos sofridos, na baliza do Juventude está Mário... Évora, guarda-redes cabo-verdiano de 26 anos com escola de FC Porto e passagem pelo V. Guimarães.
Apesar do enriquecido currículo numa etapa inicial da carreira, desde então passou por São João de Ver (Liga 3) e União de Lamas (CdP), até chegar à capital do Alentejo. "Queria ter o meu lugar, somar minutos e ajudar o clube a conseguir os objetivos. O balanço, até ao momento, é super positivo e os resultados assim o demonstram", sublinha. O desempenho na série D "supera as expetativas", embora a qualidade do grupo seja "inequívoca". "Se olhar para a qualidade do balneário, esta classificação não me surpreende nada", garante.
Ora, se o desempenho coletivo é animador, Mário Évora sabe que o individual vai a reboque e, por isso, sonha com um convite que o possa fazer voltar a outros patamares, no fim da temporada. "Contamos sempre com isso, porque a vida do jogador é feita dessa esperança. Atualmente, estou focado em conseguir bons resultados no Juventude e, depois, esperar que possa receber boas propostas que alavanquem a minha carreira", comenta. Pelo meio, a hipótese de chegar à fase de subida é um sentimento real instalado no seio do plantel: "Temos um grupo coeso, muito forte e vamos jogo a jogo para lutar por esse objetivo".
Chegado a Portugal "com 12/13 anos", Mário Évora fez toda a formação no FC Porto, onde partilhou balneário com nomes como Diogo Costa, Diogo Dalot e Vitinha. "O FC Porto fez o homem que sou hoje. Tenho um enorme carinho pelo clube", elogia. No Olival, já dava para perceber a qualidade de Diogo Costa. "Consegui logo ver que tinha uma enorme margem para progredir. Mas não só ele, na altura também me lembro do Romário Baró, do Vitinha, do Diogo Leite que era um central já muito fino, do Diogo Dalot. Eram vários os jogadores que me cativavam", recorda.
Em 2018/19, saiu dos dragões e foi para o Águeda, no Campeonato de Portugal, ainda na ressaca de uma rotura de ligamentos cruzados. "Precisava de minutos e em Águeda consegui crescer", justifica. Dois anos na Bairrada trouxeram o interesse do V. Guimarães, por onde se repartiu entre a equipa B, sub-23 e o banco da principal. O São João de Ver veio depois da passagem pelos vitorianos, com duas épocas de pouca utilização, contudo sem mágoas: "Não joguei muito, mas apanhei excelentes treinadores que me ajudaram, incentivaram e apontaram o caminho que precisava de traçar".
"Sem palavras" para Cabo Verde
Mário Évora estreou-se por Cabo Verde em 2020, mas não voltou a jogar desde então. Viu à distância a qualificação para o Mundial 2026, feito que o deixa "sem palavras". "Conseguir estar nesse patamar é um feito para todos. Não há palavras para descrever o sentimento", exprime. A possibilidade de ser convocado é remota, mas o guarda-redes acalenta uma pequena esperança. "Estou sempre sujeito a ser chamado. Tenho de trabalhar e ter minutos para que isso pudesse acontecer", afirma o jogador normalmente tapado por Vozinha, Bruno Varela e Márcio Rosa.

