
Nandinho estreou-se a marcar na reviravolta do Marco 09 frente à Sanjoanense (2-1), no regresso aos triunfos
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Aos 29 anos, Nandinho é um dos mais jogadores mais experientes do Marco 09, equipa que participa pela primeira vez na Liga 3 e procura consolidar-se nesta divisão. Para já, os marcoenses estão em oitavo lugar, a dois pontos do último e a quatro do quarto, que garante automaticamente a permanência.
Dois meses depois, o Marco voltou a vencer para o campeonato com um golo seu. É um jogo que vai recordar pela estreia a marcar?
-Sim. Além de ter marcado a uma equipa da qual já fiz parte [Sanjoanense], o que fica é a nossa reviravolta, após muitos jogos sem ganhar. Pode ser um clique e o ponto de viragem.
Contra a Sanjoanense sofreram muito cedo. Temeram que a vitória pudesse fugir de novo?
-Começámos a perder com um golo logo aos quatro minutos, mas senti que tínhamos capacidade para dar a volta. Mesmo na primeira parte, tivemos várias situações em que podíamos ter virado o resultado, apesar de a Sanjoanense também poder dilatar a vantagem, porque estávamos a arriscar mais. Na segunda parte, conseguimos materializar o golo, e em cinco minutos demos a volta.
Qual foi a chave para este triunfo?
-A chave foi a nossa resiliência. Temos um grupo muito forte, muito coeso e acho que isso vai fazer toda a diferença neste campeonato. Estando numa fase menos positiva, porque já não ganhávamos há alguns jogos, sentimos que nunca fomos inferiores aos nossos adversários. Após sofrermos um golo cedo, a jogar em casa depois de uma paragem de duas semanas, e vindos de uma derrota, a nossa resiliência e bem-estar fez a diferença. Fazemos o luto das derrotas, mas, quando há vitórias, também é preciso festejar. Agora começou uma nova semana e é pensar no jogo de domingo, contra o Fafe.
Este foi também o primeiro triunfo com o Pedro Lomba. Como é que a equipa reagiu à mudança?
-É obvio que não é por perdermos que estava tudo mal ou por ganharmos que está tudo bem. Nos primeiros jogos, fomos assimilando as ideias que o míster quis implementar. Deu-nos alguma liberdade de dizermos o que sentimos, mas ele é a decidir o que devemos fazer durante o jogo. A paragem ajudou e neste jogo já foram mais evidentes essas mudanças, mas há sempre coisas novas a aprender. É continuar neste processo.
Que avaliação faz ao percurso do Marco neste primeiro ano na Liga 3? Estão dentro do objetivo?
-Não temos muitas vitórias, mas também não temos assim tantas derrotas. É uma divisão nova, muito competitiva, de luta até ao fim. Queremos estabilizar o clube na Liga 3. Estamos dentro dos objetivos, porque temos de fazer o nosso trabalho diário e pôr a instituição do Marco sempre à frente do individualismo. Ainda falta muito campeonato e será sempre decidido no detalhe. Um clube pode estar em 10.º lugar e com uma vitória passa para os quatro primeiros. Foi sempre assim na Liga 3, e este ano não está a ser diferente.
A equipa está a dois pontos do último e a quatro do primeiro. Isto demonstra que não há favoritos?
-Costumo dizer que nos inícios das épocas todos os clubes são favoritos. Começam todos com zero pontos e a mesma ambição de ficar nos quatro primeiros, tanto para quem quer subir de divisão como para quem quer a permanência. Vai ser uma luta até ao fim, principalmente nesta Série A. Há sempre favoritos, como o Fafe, o Paredes, o Trofense, que mantiveram uma base de há muitos anos, ou o Braga B, que tem miúdos com um talento incrível, mas isso depois vê-se em campo.
Está pelo terceiro ano consecutivo na Liga 3. Qual das experiências gostou mais e o que levou a escolher o Marco?
-No primeiro ano, no Lourosa, gostei muito, já me sentia prata da casa. É um clube com uma mística bairrista, que adoro, faz parte do meu ADN enquanto jogador: sentir os adeptos e a pressão de ganhar. No Fafe, também tínhamos a ambição de subir de divisão. Infelizmente, não o conseguimos, apesar de termos um grupo muito bom em termos de qualidade. O Marco foi uma oportunidade que apareceu. Pelos jogadores que estavam contratados e que poderiam integrar esta equipa, sabia que as ambições também iam ser boas, com jogadores habituados a vencer e a lutar por subidas. O clube também tem uma mística bairrista, com adeptos furiosos, tanto em casa como fora, que nos dão na cabeça quando é preciso e ajudam-nos quando têm de ajudar. Pude presenciar isso contra a Sanjoanense e deram-nos muita força.
Com se define como lateral-esquerdo?
-Sou um lateral moderno. Gosto de atacar por zonas interiores, mas quando é preciso vestir o fato-macaco e defender, essa é a minha primeira função. Faço-o sem qualquer problema, umas vezes melhor, outras pior, mas faz parte. Estamos sempre a aprender e a crescer.
Feirense no coração e um play-off incrível quando defendia o Lourosa
Natural de Santa Maria da Feira, Nandinho começou a carreira no Feirense, o único clube que conheceu na formação, e assume-me como "um fogaceiro de gema". "Foi o meu clube desde os quatro anos, e sempre será. Tive a felicidade de, no primeiro ano de sénior, ter-me estreado na equipa principal, com o Pepa, que subiu à I Liga [2015/16]", recordou o lateral-esquerdo, de 29 anos, que depois passou por Gafanha, Sanjoanense, Marítimo B, Salgueiros, Länk Vilaverdense, Lourosa e Fafe, os últimos dois na Liga 3. "Foi marcante a subida do Campeonato de Portugal à Liga 3 pelo Lourosa e, no final da época seguinte, um play-off de subida à II Liga, frente ao Feirense. Foi dos jogos mais emocionantes que tive, estar a jogar contra o clube que me formou. Estive bem, fui o mais profissional possível, mas o Feirense levou a melhor", sublinhou, referindo ter Fábio Coentrão e Marcelo como referências na sua posição.
