
ANTÓNIO PEDRO SANTOS
O antecessor de Luís Filipe Vieira lembra a O JOGO que o Benfica avançou para o novo recinto sem ter dinheiro, mas louva a decisão, pelos frutos que, em paralelo ao centro de estágio, recolhe agora.
Manuel Vilarinho sucedeu a Vale e Azevedo e, hoje, sublinha o trabalho de recuperação de um clube que estava falido, mas que, mesmo assim, avançou para uma obra que restituiu ao Benfica uma grande pujança.
Que importância tem para o Benfica atual a construção do novo estádio, inaugurado a 25 de outubro de 2003?
- Lembro-me perfeitamente, foi uma obra que deu muito trabalho e os muitos cabelos brancos que tenho hoje devem-se à construção do novo estádio, mas posso afirmar que o Benfica voltou a ser ganhador e campeão devido a essas bases que lançámos em 2003. Demorou a recuperar, mas é agora um clube com uma força tremenda e uma grande pujança por causa dessa e outras obras.
Foi, portanto, um projeto trabalhoso mas que, olhando agora para o passado, influenciou o futuro do clube?
- Sem dúvida, até porque as condições do estádio novo não se equiparam às que tínhamos no antigo, mas acrescento ainda a edificação do centro de estágio e do museu, obras que foram e são importantíssimas para o futuro do Benfica. Há 13 anos já pensávamos assim. Certo é que o estádio deu muito mais trabalho pelas circunstâncias que envolveram a sua construção, nomeadamente porque não havia dinheiro nenhum.
Enquanto presidente do Benfica na altura, também foi favorável ao lançamento de uma obra tão dispendiosa?
-Acho que passou a ideia de que eu não queria o estádio, mas quem é que não queria? Só um burro não o quereria, o problema é que não havia dinheiro e eu não estava era habituado a ficar mal visto. A certa altura conseguiu-se o dinheiro e fez-se o estádio, que foi iniciado e terminado no meu mandato.
" Com o FC Porto, por exemplo, aconteceu o mesmo que com o Benfica, pois surgiu Pinto da Costa que transformou muito o clube e este passou a ser ganhador, mas com o passar dos anos entrou num ciclo negativo"
Considera então que a recuperação do Benfica coincidiu ou iniciou-se com a construção do novo estádio?
- O que posso dizer é que as duas coisas mais importantes que o Benfica conseguiu durante o meu mandato foram a construção do estádio e a resolução do diferendo com a Olivedesportos. Também nessa altura tudo era importante porque se não fosse em Portugal mas fosse na Alemanha, o Benfica teria sido declarado falido. Aqui deram-nos um bocado de espaço, até porque o Benfica é muito importante do ponto de vista económico e tivemos mais tempo para colocar o clube novamente a andar para a frente.
Em paralelo, também foram lançadas as bases para o centro de estágio no Seixal...
- Foi lançado esse projeto, com a compra do terreno, mas também foi uma obra difícil. Aliás, nessa altura, tudo era complicado porque as complicações vinham de trás. Agora, em contrapartida, não há complicações porque há pessoas que fazem as coisas com competência. Agora só há o problema com o ex-clube do Lindelof [risos], mas é uma simples divergência contratual e se o Benfica for condenado irá cumprir. Antigamente, nem condenado nem por condenar, não cumpria nada. E já não ganhava nada porque com má gestão não há títulos.
E agora vê o Benfica com um olhar mais otimista?
- O que vejo e o que sei é que passados 15 anos ainda não está totalmente reconstruído, mas para lá caminha a passos largos. Para destruir foi mais fácil. O que grandes presidentes, como Joaquim Bogalho, Vieira de Brito, Ferreira Queimado e Fernando Martins, entre outros, conseguiram, permitir ao Benfica ser forte e ganhador, mas o que aconteceu mais tarde até chegar eu e o Luís Filipe Vieira? Tudo foi estragado num instante. Com o FC Porto, por exemplo, aconteceu o mesmo que com o Benfica, pois surgiu Pinto da Costa que transformou muito o clube e este passou a ser ganhador, mas com o passar dos anos entrou num ciclo negativo, porque é preciso que surjam outras pessoas ainda mais capazes.
