Luís Pinto sobre o dérbi: "Julgo que é uma final, temos de viver este jogo dessa forma"

Luís Pinto
Vitória SC
Declarações de Luís Pinto, treinador do Vitória de Guimarães, em antevisão ao jogo com o Braga, agendado para sábado.
Se espera um Braga com um ego ferido: "Esperamos um jogo com todo o que um dérbi deve ter. Com emoção, paixão, com duas equipas a quererem ganhar, mas com uma história própria. Não acredito que haja algo para trás, nos dérbis é focar no que se disputa no dia e, por isso, acredito que toda a gente vai estar muito focada no que pode fazer para que possa sair do dérbi com o Vitória, que seja para o nosso lado, é nisso que nos vamos focar. É saber que há contornos pessoais, que é um dérbi e que representa muito para muita gente e jogar com essa responsabilidade".
Carlos Vicens disse que saiu vencido, mas não convencido da final: "Julgo que é uma final, temos de viver este jogo dessa forma. Quando digo que um dérbi é vivido de uma forma diferente, que um dérbi é vivido pelo que se passa naquele dia, temos de vivê-lo sabendo que a nós só nos interessa o resultado, que queremos vencer, que vamos ter de passar por vários momentos dentro do jogo e respeitar isso. Quanto a estar convencido ou não, são questões que não me dizem respeito. Como treinador, também houve jogos que perdemos e não devíamos ter perdido. Mas o futebol é o que é e normalmente ganha a equipa que merece, não quero entrar por esses caminhos. Ganhámos, conquistámos o título na primeira final entre os dois clubes. Mas, felizmente para nós, é palmarés, é passado e queremos disputar os três pontos".
Se considera que o Braga está uma equipa diferente: "Olho para uma equipa que em alguns momentos está mais pragmática do que era na altura. Mas igualmente com um jogo bastante elaborado no processo ofensivo, com bastante qualidade individual e coletiva nos processos deles, mas uma equipa que conseguiu ganhar alguma consistência em diferentes momentos que à data do nosso último jogo não era tão capaz. Julgo que por ser um dérbi, alguns desses fatores em que se foram tornando mais fortes, podem ficar um bocadinho diluídos pela emoção do jogo e queremos utilizar isso em nosso favor. Sabemos que vamos ter momentos em que a bola na nossa zona mais ofensiva, outras defensiva, outras vezes vamos ter de pressionar alto, outras jogar mais vezes sem bola próxima da nossa baliza. Saber também que o domínio pode estar mais de um lado ou de outro e capitalizar os momentos em que estaremos no domínio. Mas obviamente com muita qualidade de parte a parte".
Se equipa terá de estar concentrada: "Acredito que quem tiver mais tempo os níveis de concentração, competitividade, no auge, poderá vencer o jogo e acredito que poderemos dar uma boa resposta nesse capítulo. Sentimos que a equipa está a querer fazer as coisas dessa forma e terá uma importância capital para o resultado final".
Se jogadores que saem do banco podem ser importantes: "Acredito no onze, que vamos entrar com um onze extremamente capaz desde início, mas teremos opções para que nos momentos certos possamos acrescentar ainda mais probabilidade de sucesso ao nosso jogo. É algo que acredito que é importante ter no nosso planeamento de jogo".
Se Rivas e Gonçalo Nogueira podem ir a jogo: "Óscar está descartado. O Gonçalo em principio também. Vai fazer ainda mais um exame, mas ainda está em processo de melhoria. À partida ficará de fora".
Se equipa se sente mais confortável nos momentos mais emocionais: "Não diria que se sente mais confortável. Nós temos de perceber todas as dimensões do jogo e utilizar todas as suas dimensões em nosso favor. E é algo que nós tentamos utilizar em nosso favor. E quando se trata de um dérbi, eu acredito que a paixão e a emoção deve ser jogada dentro de campo também. Nós devemos utilizar aquilo que a nossa cidade vive com estes jogos para nos galvanizar dentro de campo. Obviamente que, em determinados momentos, temos que ter a cabeça fria. É um dérbi, mas nós também temos que ter a nossa parte racional. Na minha opinião, o futebol tem de ser emoção também, tem de ser vivido com paixão. Nós temos de conseguir utilizar a energia que recebemos de fora, ao mesmo tempo que há momentos em que nós temos de conseguir, através daquilo que fazemos, galvanizar quem está lá fora também. E nós queremos retirar isso mesmo do dérbi. Nós queremos retirar essa paixão, essa emoção que existe e tentamos, obviamente, ter isso na nossa mente. Uma das coisas que no final da época eu gostaria de dizer era que nós conseguimos ter uma forma de ser que, ao longo do ano, foi-se tornando cada vez mais vincada, com um ADN muito próprio e que as pessoas que nós representamos se revejam".

