
Em carta divulgada pela agência Lusa, este sábado, a Liga admite que "os clubes são completamente alheios" à ameaça federativa de suspensão das inscrições
Na sequência da ameaça de suspensão do registo de transferência de Ricardo Quaresma comunicada, sexta-feira, ao FC Porto pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF), a Liga escreveu aos clubes, este sábado, a garantir a regularidade das inscrições, a consequente possibilidade de utilização dos reforços de inverno e a responsabilidade pelo facto de o dinheiro reclamado não ter chegado aos cofres federativos.
Em carta enviada aos clubes e à FPF, a Liga argumenta que "é organizadora das competições profissionais e, nessa qualidade, assegura aos clubes que podem utilizar todos os jogadores que foram inscritos na Liga e cujo registo foi homologado pela FPF". O documento, a que agência Lusa teve acesso, tem a assinatura da diretora-executiva, Andreia Couto, e nele lê-se que "esta investida da FPF é um expediente lamentável para coagir a Liga a pagar o que não deve".
Em causa, admite, está a "ameaça de suspensão das inscrições expedida" sexta-feira e "comunicada à Liga às 18:54". O organismo que rege o futebol profissional entende que tal "não tem qualquer cobertura regulamentar ou legal" e assegura que, "de facto, os clubes pagaram as inscrições e são completamente alheios às relações entre a Liga e a FPF".
Na carta, a Liga admite, implicitamente, o que o FC Porto também alega, ou seja, que a inscrição de Quaresma foi paga (estão em causa 4260 euros) e que tudo está regularizado, no que às obrigações do clube respeita. O dinheiro, esse, não chegou aos cofres federativos, a pretexto de uma dívida à FPF que a Liga decidiu não pagar.
A versão do organismo presidido por Mário Figueiredo é diferente e está resumida na carta da qual a Lusa reproduz excertos. "A Liga tem um crédito sobre a FPF, que resulta do pagamento de quotas de inscrição que os vossos serviços cobraram em duplicado. Igualmente bem sabe que está a ser exigido pela FPF o pagamento de quotas de inscrição de jogadores que não se inscreveram na época desportiva 2013/14, que a Liga, naturalmente, não aceita e, como tal, não exigiu aos clubes", defende-se, no documento em que se informa que já estava marcada para segunda-feira uma reunião para discutir estes assuntos.
