José Vala: "Caldas jogou num campo que está pior do que aquilo que nós temos na Mata"

Caldas SC
Declarações após o jogo Caldas-Braga (0-3), dos oitavos de final da Taça de Portugal, disputado esta terça-feira no Estádio Manuel Marques, em Torres Vedras
José Vala (treinador do Caldas): "A frustração e este turbilhão de emoções está diretamente relacionado com uma coisa muito simples: o Caldas hoje jogou num campo que está pior do que aquilo que nós temos ali na Mata. Aproveito também para agradecer ao Torreense, um rival de sempre, mas por quem sempre tivemos muito respeito. E é isso que é esquisito. Não sei se há responsáveis. Há alguém, de uma empresa, que invadiu, fez invasão de propriedade ontem (terça-feira), pelo que soube. Foi fazer uma vistoria a um campo sem autorização de ninguém. Fizeram um vídeo falso. Vocês sabem muito mais de vídeo do que eu. Não é ser falso, mas aquele vídeo que acho que foi publicado, é feito a dois metros do chão, a apontar para um sítio que tem cerca de dois metros quadrados, e tem mais de três metros quadrados no máximo. E passaram isso como se o campo do Caldas estivesse nessas condições. O campo do Caldas está a 90%, muito melhor do que este, e tem duas zonas onde tem mais dificuldades. Aqui não havia duas zonas, havia um campo inteiro mole e que foi ficando deteriorado ao longo do jogo. Houve alguém que decidiu isto, e essa pessoa tem de ser responsabilizada. Houve um técnico de uma empresa que fez aquilo que eu já disse, e que mentiu ou exagerou, premeditadamente, para que o jogo não fosse na Mata. Portanto, alguém também tem de ser responsabilizado nessa parte. O Caldas provavelmente perderia o jogo na mesma. 90% ou mais possibilidades para o Braga ganhar o jogo, mas perdeu-se aquilo que é mais bonito do futebol, e aquilo que, para mim, me tem norteado a minha vida e a minha vida no futebol, que é este tipo de jogos, estas festas. Íamos ter uma festa brilhante nas Caldas, onde toda a gente ia ficar a ganhar. O futebol ia ficar a ganhar, a Taça de Portugal ia ficar a ganhar. E, provavelmente, o Braga também ia ganhar. E, no fim, o Braga, nessa parte, está a ficar a perder.
Conseguimos pôr sempre o Braga de sobreaviso. Até acho que, não digo oportunidades, mas as aproximações mais perigosas na primeira parte até foram do Caldas e dividimos no jogo. Não posso falar em quebra, mas os dois golos de bola parada, no início da segunda parte, decidem o jogo. A partir daí, uma gestão em posse do Braga e nós fomos tentando desfrutar do jogo. Fica um orgulho grande dos jogadores, deste clube e desta Direção."
Carlos Vicens (treinador do Braga): "As partidas da Taça são partidas especiais porque não há um amanhã para uma das equipas e isso faz com que a competição seja especial, com fatores e circunstâncias diferentes. Durante o jogo fomos de menos a mais, sobretudo a entender o que a equipa precisava. Muito do nosso jogo desenvolveu-se pelo lado direito do nosso ataque. A equipa apresentou sempre uma versão muito competitiva e muito séria, com carácter e personalidade. Preparámos tudo para jogar no Campo da Mata, alheios ao que estava a acontecer. Segundo o que me explicaram, estavam a tentar apurar opções, mas no final tivemos de mudar a logística. Obviamente, gostaríamos de ter jogado em Caldas [da Rainha], porque o sorteio assim decidiu e para eles era importante jogar em casa. Nestes jogos de Taça, onde só há uma partida e só passa uma equipa, acredito que o primeiro golo é sempre muito importante porque o nível de confiança da equipa que marca aumenta e a equipa que sofre sabe que tem de fazer dois para passar. Todas essas coisas afetam. Obviamente ajudou-nos abrir o marcador."

