
À margem do do Fórum ANTF, José Pereira faz um balanço de 40 anos de ligação à ANTF, preparando-se para colocar um ponto final na presidência da associação de classe. Em relação ao convite de Pedro Proença para integrar os quadros da FPF, desconhece o que se trata
40 anos é uma vida? "Comecei muito novo, com José Maria Pedroto, Fernando Vaz, Miguel Alvarada, Manuel Oliveira figuras mais atrevidas, na constituição da nossa organização. Estive muitos anos a treinar e dedicado à Associação Nacional de Treinadores de Futebol. Em determinada altura pensámos que devíamos ter um treinador a exercer as funções de presidente de uma forma objetiva, clara e determinada e de exclusividade também. Lançaram-me um repto, na altura, foi difícil de aceitar, porque, quando se é treinador, não se quer ser outra coisa. Depois habituei-me, gostei, naturalmente, mas agora também está na altura de dar lugar aos outros, de dizer que chega e que, naturalmente, estarei sempre disponível para a Associação Nacional de Treinadores de Futebol, em outras funções. É preciso muita determinação, muita coragem, muita vontade, também, e algum conhecimento daquilo que são, digamos assim, as lides relativas à Associação Nacional de Treinadores de Futebol."
Que funções vai exercer na FPF, agora que Pedro Proença lhe abriu a porta? "Quer que lhe diga muito sinceramente? Não sei. O Pedro Proença nunca falou comigo. É uma novidade para mim, também, e, portanto, aguardarei, naturalmente, pela altura própria, para que ele me convide oficialmente e me diga o que é que pretende da minha pessoa e se eu terei a disponibilidade que ele pretende, porque ele é muito exigente e tem que se ter disponibilidade, muita vontade. E, portanto, não sei se, efetivamente, eu estarei à altura daquilo que é que ele está a programar ou a projetar relativamente à minha pessoa."
Sobre a intenção de Pedro Proença abrir mais cursos de treinadores? "Queria esclarecer uma coisa. Não há dificuldade nenhuma em fazer o primeiro nível e o segundo nível. Ou seja, o UEFA C e o UEFA B. Nós temos um funil, digamos assim, uma garganta muito apertada relativamente a fazer os cursos de grau 3, o UEFA. Esses cursos, normalmente, fazíamos um por ano. Este ano, a Federação já resolveu fazer três. Portanto, estão a decorrer dois cursos de treinadores de grau A. Um em Lisboa, outro na Associação Nacional de Treinadores de Futebol, e, portanto, em Lisboa, na Federação de Futebol. E, depois, em Quiaios, no final da época, vai-se realizar outro curso. Passamos de um para três. Aquilo que o compromisso que eu tenho com o Pedro Proença, o Sr. Presidente da Federação tem comigo, é que, efetivamente, no próximo ano, façamos cinco cursos de treinadores do UEFA. Aí está, efetivamente, o grande óbice, que é, nós temos cerca de seis mil treinadores de grau 2 e temos seiscentos e tal de grau 3, portanto, 10 por cento. Quer dizer que a abertura vai-se efetuar neste mandato, no próximo ano. Daqui a dois, três anos, provavelmente, a situação estará mais ou menos equilibrada. Mas, se isso não acontecer, tenho a certeza absoluta que o Sr. Presidente da Federação estará disponível para, se necessário, fazer mais cursos, para que os níveis fiquem todos equilibrados, para que os treinadores também possam corresponder às exigências dos próprios regulamentos da Federação Portuguesa de Futebol."

