José Mourinho e os programas de arbitragem: "Não sei o que será melhor ou pior"

José Mourinho
Miguel Pereira
Declarações de José Mourinho na antevisão ao Benfica-Braga (20h00 de quarta-feira), jogo das meias-finais da Taça da Liga
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Futebol português não está preparado para a forma como os árbitros comunicam? Problemas da arbitragem devem-se aos programas de TV sobre arbitragem? "O presidente dos árbitros será a pessoa indicada para fazer esse tipo de análise. Acho obviamente que o debate público encerra uma dose maior de pressão. Seria muito mais fácil, para os intervenientes do jogo... Imagine eu, treinador, imagine a minha equipa fazer um jogo horrível e perdermos, era muito melhor para mim acabar o jogo e não ir à imprensa, que durante uma semana não se falasse sobre os erros que eu cometi, sobre os erros que a minha equipa cometeu. Não haver debate público dá maior estabilidade. Mas o debate público, o confronto, as perguntas, por outro lado, também dão um sentido de responsabilidade diferente, porque obrigam a enfrentar as coisas, a enfrentar os problemas que tiveste, que criaste e te foram criados. Não sei o que será melhor ou pior. Honestamente não consigo. Acho que uma coisa que seria bom... e não é fazer um auto-elogio, mas é seguir a minha perspetiva de que antes dos jogos os árbitros são todos bons. Não há um único árbitro que não seja bom, competente, honesto, que diga que não quero. Vamos dar confiança. Não estou a vender fumo nem a fazer teatro. Para mim, todos os árbitros que possam apitar jogos do Benfica, são todos bons e bem-vindos. Depois do jogo, em função da performance, ou eles são bons ou maus, estiveram bem ou mal. Neste sentido não há nada a fazer. Nós treinadores vamos sempre dizer que não estamos contentes por isto que aconteceu, vocês ou os programas de arbitragem na televisão vão sempre analisar. Mas depois também há muitas situações, mesmo analisadas, em que não há unanimidade. Pode acontecer um penálti assinalado e entre 10 comentadores de arbitragem aparecem seis que dizem que é e quatro que dizem que não. E é neste tipo de situação que continuo a dizer: porque é que o VAR perturba o desenvolvimento natural do jogo? O VAR ajuda em situações claras e inequívocas. Acho que nesse sentido qualquer árbitro ficará super feliz de ter alguém que lhe fala ao auricular e diz: "amigo, cometeste um erro inequívoco". O árbitro vai ver, muda a sua decisão e saímos todos felizes. O que verdadeiramente me perturba são as situações duvidosas. São as situações que depois vão dar muito origem a que se fale durante a semana e que crie uma instabilidade maior nos árbitros."

