Jogou no Benfica e no Real Madrid e antevê duelo: "Por muito mal que esteja..."

Tote, no canto inferior direito
O antigo avançado espanhol Tote vestiu as camisolas de Benfica e Real Madrid, que se defrontam esta terça-feira na Liga dos Campeões
O duelo de amanhã entre Benfica e Real Madrid, na primeira mão do play-off da Liga dos Campeões, é especial para Tote, antigo avançado espanhol que passou pelos dois clubes.
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"Vejo o Real Madrid com vantagem. Nestas competições, por muito mal que esteja, compete sempre. Além disso, o jogo da segunda mão é em casa. Mas terá de trabalhar muito, porque já está avisado pelo que aconteceu na Luz. O Benfica só podia ganhar e isso muda a atitude desde o primeiro minuto. Eles vão com tudo e não poupam nada. Mas surpreendeu-me mais o Real Madrid, que não competiu. O Benfica ganhou em todos os aspetos do jogo", comentou, em entrevista ao Sport.
Tote não vê grandes diferenças entre o Real Madrid de Arbeloa e o de Xabi Alonso: "De momento, não noto grandes diferenças. Gostei do jogo em Villarreal ou contra a Real Sociedad. Deu-me a sensação de equipa, com e sem bola, mas se virmos o que aconteceu em Lisboa, percebemos que é uma ilusão. No resto, não gostei. Falta muito futebol. Não é um problema de atitude, mas de jogo. A transição após Modric e Kroos não foi bem feita. Apostaram mais na força física do que no talento e isso está a sair caro."
O ex-jogador, que atuou na Luz por empréstimo do Real Madrid em 1999/2000 (fez 11 jogos e marcou três golos), recordou a etapa no emblema português: "Não foi fácil. Estava longe do meu bairro, dos meus pais, da minha gente. Mas fui para uma cidade maravilhosa e para um clube muito grande. Trataram-me de forma espetacular. Tive azar com uma lesão no joelho logo quando tinha começado a jogar como titular. Só pude disputar 19 ou 20 jogos. Isso condiciona muito, mas a lembrança com que fiquei é muito bonita. Havia jogadores muito importantes, internacionais, que já tinham alcançado grandes feitos nas suas carreiras. Eu tinha 19 ou 20 anos e não tinha feito nada ainda. Quando fui titular lesionei-me e fiquei três ou quatro meses de fora. Isso marca-nos, mas a experiência, que me foi dada porque o meu treinador no Real Madrid C foi com o Jupp Heynckes para o Benfica, acabou por ser maravilhosa."
Agora com 46 anos, contou na entrevista ao jornal Sport como recusou uma proposta do Barcelona, feita num guardanapo: "Sim, recebi uma oferta do Barça, que obviamente era diferente do atual. Joan Gaspart fez-me a oferta num guardanapo. Ainda a tenho em casa. Naquela época, eu estava no Real Valladolid. Era um contrato de seis anos. Eu nem poderia ter sonhado com isso. Não dei o passo e, quando quis assinar, já não pude, porque as pessoas no comando tinham mudado. Eles procuravam outro tipo de jogadores, por isso tudo mudou. Fiquei no Real Madrid e não há muito mais para contar. A oferta passou. Claro que jogar no Barça teria sido uma experiência incrível, mas assim é o destino, há coisas que não se podem controlar. Às vezes sentes que cometeste um erro, mas fui feliz e, para mim, isso é suficiente."

