João Pedro Sousa, de Pablo a Rúben Semedo: "Tem a ver com características inatas..."

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LUSA
Declarações do treinador do Aves SAD na antevisão ao duelo com o Gil Vicente
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Uma nova oportunidade para tentar primeira vitória na Liga, o que será do jogo com o Gil Vicente? "É um jogo importante para nós, porque neste momento todos os jogos são muito importantes, independentemente do adversário. Vamos defrontar uma equipa que se destaca pelos números, nem preciso falar pela qualidade do seu jogo. Em dez jornadas só sofreu golos com Benfica e o FC Porto, nas duas únicas derrotas na liga, o que significa que é uma equipa muito competente e que está moralizada. Mas há coisas que dependem de nós e uma delas é ter a noção que temos capacidade para sermos competitivos, como fomos em vários momentos do último jogo, e termos a ambição de disputar o jogo para vencer."
O que pode o Aves SAD explorar para superar a consistência defensiva do Gil Vicente? "Há momentos em que teremos de ser tão competentes como o adversário, em coisas básicas como a reação à perda da bola, a reação ao ganho da bola, a nossa organização defensiva, a forma compacta como temos de jogar, em todos estes pontos que falei o nosso adversário é muito forte. No mínimo, temos de ser tão competentes como ele para a partir daí conseguimos equilibrar em alguns momentos do jogo. Temos de ser muito concentrados e agarrarmo-nos muitas coisas que fizemos no último jogo e fazermos o transfer para o jogo com o Gil Vicente, e termos confiança no nosso trabalho, naquilo que temos vindo a preparar durante a semana para o jogo. Vai ser um jogo muito exigente e de concentração máxima porque quer seja no ataque posicional, na organização defensiva e situações de bola parada aspetos em que o adversário é muito forte temos de ser muito rigorosos e competentes".
O Gil Vicente tem um bom coletivo mas também individualidades, nomeadamente o Pablo, que tem marcado muitos golos, como pensa anular a sua influência? "Eu tive a felicidade de trabalhar com o Pablo em 2019, no Famalicão, era ele ainda um menino de 16 anos. Na altura fizemos um treino contra os sub-23, ele estava a jogar um ou dois escalões acima, e recordo-me perfeitamente desse dia porque ele deu muito que fazer, mesmo muito que fazer aos meus centrais, e eu fiquei na dúvida, ou meus centrais são fracos ou o Pablo é muito bom jogador. Considerei a segunda possibilidade e chamei o Pablo para vir treinar connosco. Depois há um longo processo e penso que foi bom para o Pablo sair do Famalicão para o Gil Vicente. Sei quais são os seus vários pontos fortes e isso ajuda-me a tentar anular o Pablo. Não é que ele tenha pontos fracos mas conhecer os fortes dele é sempre uma boa ajuda para tentarmos anular algumas das suas características mais fortes. No entanto, o Pablo está inserido num coletivo que o ajuda a ser o Pablo que é hoje. Sem aquele coletivo, o Pablo não teria os números que tem hoje, portanto, o importante e o foco é no coletivo do Gil Vicente, na qualidade do seu jogo, que passa com certeza muito pelo Pablo, que se movimenta, posiciona e finaliza bem quer como pé quer com a cabeça. Mas o foco tem de ser no coletivo."
O Rúben Semedo estreou-se frente ao Tondela, sentiu a sua influência? "Sinceramente, sim. Tem a ver com características inatas do Rúben, a experiência que tem e também pelo perfil do nosso plantel. Quando chegou referi isso, a sua capacidade de liderança e a experiência competitiva. São dois detalhes muito importantes no futebol mas demasiado importantes na nossa equipa. E que já se refletiram no jogo e tem-se refletido durante a semana também. É, claramente, uma mais-valia para nós."
Em que é que o Carlos Ponck pode ajudar? "É mais um jogador que também chegou muito tarde, também destreinado e com algum peso a mais, mas que nos vai trazer as duas características que falei do Rúben. Olho para o Ponck como uma peça do corredor central, como uma defesa-central, sendo que o pode jogar como meio defensivo ou até eventualmente nos corredores laterais, como defesa lateral."
Considera positivo ou negativo o ponto, o seu primeiro, conquistado frente ao Tondela? "É claro que queremos ganhar porque estamos muito atrasados e por aí não estamos satisfeitos. Mas, por outro lado, à parte o resultado vejo mais coisas positivas do que negativas, essencialmente pelo jogo que fizemos, os momentos que tivemos, a forma como reagimos aos golos sofridos, a forma como jogámos no meio-campo do adversário, as situações de golo que tivemos ou as tentativas de finalização, o tempo de jogo que tivemos no último terço ofensivo. Tínhamos muita dificuldade nos últimos jogos de levar o nosso jogo mais para perto da baliza do adversário, mais para zonas de finalização. E em termos da organização defensiva também fomos mais fortes. Estes são sinais para mim muito positivos, dentro daquilo que trabalhámos, porque se não tivéssemos trabalhado podia dizer que aconteceu, mas não foi o caso, foram as situações que nós trabalhámos e que preparámos, quer em termos táticos e estratégicos, e as coisas funcionaram, os jogadores sentiram-se confortáveis, estão-se a sentir confortáveis, acreditam nesta forma de jogar e por isso estamos todos confiantes e com a ambição de que podemos da a volta às coisas"
Um ponto positivo, então? "Sim. Um ponto positivo, agarrado à performance do coletivo, mas nas questões individuais também houve algumas situações muito interessantes."
