
Balelo fez os três golos na vitória do Paredes sobre o Marco 09 (3-0). Na jornada anterior, bisara contra a Sanjoanense
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Miguel Ângelo Bastos Melo, mais conhecido por Balelo, é o nome do momento no Paredes. O avançado de 23 anos, que reforçou a equipa de Tarantini após experiências na Série Sul da Liga 3, ao serviço de Caldas e Covilhã, marcou os primeiros golos pelos paredenses nos últimos dois jogos, contribuindo com um bis na vitória sobre a Sanjoanense (3-0) e um "hat-trick" diante do Marco 09 (3-0), que permitiram à equipa ascender ao terceiro lugar.
Marcou cinco golos nos últimos dois jogos, os primeiros com a camisola do Paredes. Estava a guardar o melhor para o fim da fase regular?
-É uma boa pergunta [risos]. Estou a passar uma boa fase, a equipa também, mas o mais importante é termos ganho estes últimos três jogos, que nos colocaram no sítio onde queremos estar. Claro que os golos são importantes, mas o mais importante mesmo é ajudar a equipa.
O que sentiu nestes dois jogos? Os adeptos e os colegas também ficaram surpreendidos com a sua veia goleadora?
-Senti-me bem, e a equipa ajudou-me para que isso fosse possível. Também agradeço aos adeptos, que têm sido muito importantes. Tivemos fases menos boas, mas agora estamos a passar uma fase positiva e queremos continuar assim, com a ajuda deles. A nível de golos, já fiz alguns em jogos particulares, mas nos oficiais a bola não estava a entrar, e agora entrou. Essa é a diferença!
Ao longo da carreira, houve algum golo que tenha sido mais especial?
-Talvez um golo que marquei há duas épocas, quando estava no Benfica e Castelo Branco [CdP], contra o Peniche. Foi um remate do meio-campo e foi especial pela distância e dificuldade. Este foi o primeiro "hat-trick" da carreira. Já tinha feito dois golos num jogo por mais do que uma vez, mas três, nunca.
Qual foi a chave para derrotar o Marco 09?
-Não só este adversário, mas em relação aos últimos jogos, realço o trabalho que a equipa tem feito durante a semana. Mesmo quando os resultados não estavam a aparecer, continuámos com o nosso processo. O que mudou é que as bolas começaram a entrar e a equipa está mais confiante. Tudo isso ajuda!
Curiosamente, só foi titular nos últimos três jogos, que coincidiram com três vitórias. O que mudou consigo na frente de ataque para este ser o melhor momento do Paredes na época?
-Sinceramente, não mudou muito. O processo foi igual, e os métodos de treino exatamente iguais. Acho que a equipa precisava de uma vitória forte, que conseguimos ter contra o V. Guimarães B [3-1], e a partir daí tudo melhorou.
Provou a Tarantini que merece um lugar no onze?
-De certa forma, sim. Era algo que já procurava há muito tempo, esperei pela minha oportunidade e estou a tentar aproveitá-la da melhor maneira possível.
Como é trabalhar com um treinador que teve uma longa carreira na I Liga?
-Tem sido bom. Passa-nos a sua experiência, os treinos são porreiros, nota-se que a equipa gosta bastante e acho que vamos ser felizes.
Estas três vitórias permitiram ao Paredes subir ao terceiro lugar. A duas jornadas do fim, acreditam que é possível chegar à fase de subida?
-Acreditamos. Já acreditávamos há muito tempo, mesmo nos momentos menos positivos. Agora que conseguimos pela primeira vez estar entre os quatro primeiros, queremos manter-nos lá e ganhar os próximos dois jogos.
O próximo jogo será contra o Amarante, que é líder e está num grande momento. Como poderão contrariá-los?
-Vai ser um jogo difícil. O Amarante também está a passar uma fase muito boa, vem de cinco vitórias seguidas. É um dérbi, vamos ter uma boa casa e temos de encarar esse jogo como encarámos todos os outros. Trabalhar bem durante a semana, prepará-lo da melhor forma e domingo lá estaremos para tentar ganhar. Contra o Marco, levámos muitos adeptos, num dia de chuva. Eles percebem que são muito importantes para nós. Quanto mais pessoas vierem ao estádio apoiar, melhores resultados iremos ter.
É o seu primeiro ano no Paredes, o que o levou a escolher este clube depois de ter estado no Covilhã e no Caldas?
-O que me levou a escolher o Paredes foi pelo projeto apresentado. É um clube que tem um potencial enorme e as pessoas fizeram sentir-me sempre desejado. Acho que fiz uma escolha certeira e estou a gostar muito de representar o clube.
Como se define como avançado e quem tem como referências?
-A minha referência, tal como a de muitos, é o Cristiano Ronaldo. Sou um jogador forte fisicamente, tenho um bom toque de bola e sinto que sou inteligente em campo.
A alcunha imposta pelo irmão e a ambição de chegar à seleção
Conhecido como Balelo, Miguel Melo explicou a origem da alcunha que usa desde que se tornou jogador de futebol e da qual o irmão, Tiago Melo, capitão do Beira-Mar, foi responsável. "Chamo-me Miguel Ângelo Bastos Melo; a minha mãe e o meu pai queriam que um dos apelidos fosse o meu último nome. Por isso, o meu irmão decidiu arranjar um que juntasse os dois últimos e surgiu o Balelo", explicou o avançado, que é natural de Carregosa (Oliveira de Azeméis), tendo feito grande parte da formação na Oliveirense.
"A Oliveirense acaba por ser um clube marcante e também o Cesarense, que foi onde fiz a minha primeira época de sénior e onde apanhei o melhor grupo", recordou o jovem, revelando os sonhos que tem. "A ambição é chegar sempre o mais alto possível e isso passa pela Seleção Nacional. Trabalho todos os dias para que isso possa acontecer", finalizou.
