
Lukas Hornicek
EPA
Em grande plano, checo dá dimensão ao rendimento europeu. Reforçou inspiração a travar penáltis, após Tondela. É fundo de garantia e tem meta particular. Jovem guardião começa a subir a estaleca. Elogios certificam-no como peça influente e as exibições com chamariz europeu fazem acreditar que o lugar na seleção está próximo.
Para noites mais gélidas, nada melhor do que um homem de estampa impressionante, capaz de voar para um glaciar e que não se amedronta nem se abala com forças predadoras. Virou caçador de penáltis quando o jogo ganha asas mais anímicas. Hornicek atingiu a dimensão máxima no Minho e foi ele quem concebeu o plano anticrise, depois do doloroso afastamento da Taça de Portugal, em Fafe, que ditou veemente aviso à navegação de Salvador.
Hornicek recolheu, e bem, todos os louvores do triunfo sobre o Nottingham Forest, numa exibição que roçou a perfeição, com dois atos de sublime inspiração. O sucesso em mais um duelo da marca dos onze metros, após ter sido decisivo em Tondela, transformou a dimensão da sua atuação, e a diferença mínima num triunfo de valor extraordinário selou o seu papel cimeiro. O penálti que travou a Gibbs-White correu por todos os resumos da noite europeia. Hornicek roubou a ilusão de pontos ao Forest e empurrou o Braga para se inscrever nos oitavos, impondo o brilhantismo, que se relaciona na perfeição com uma campanha muito vistosa dos guerreiros nesta Liga Europa, conseguindo o checo cinco folhas limpas em sete jornadas.
Apaparicado pelos elogios, o gigante checo, de 23 anos, firma estatuto na Pedreira, onde é respeitado e admirado por toda a estrutura, e começa a ver o nome gravado em muitos relatórios. O sucessor de Matheus tem a favor a juventude, que ainda indica ao Braga potencial para uma grande transferência. Concentradíssimo em dar o melhor pela equipa minhota, carregando sentimento braguista desde que chegou, muito novo, do Pardubice, Hornicek ativa, nesta altura, também uma luz para ganhar, finalmente, assento na seleção checa, não tendo ainda alcançado a estreia. Há um play-off pela frente, em março, e o guarda-redes tem a presença no Mundial como enfeito deslumbrante para a temporada. Da Chéquia, de quem viu com muita atenção o FC Porto ceder pontos diante do Plzen, chega um voto entusiasmado por esse destino.
Vlk, antigo lateral dos dragões, gabou a O JOGO o protagonismo do homem que defende a baliza do Braga. "É um dos maiores talentos no nosso país. Jogou regularmente em várias das nossas seleções e demonstra qualidade na liga portuguesa. Vejo-o como o titular da Chéquia num futuro breve. Teve mais uma atuação fantástica na Europa, tem estatísticas brutais e há muita euforia à sua volta. Aqui espera-se um impacto forte dele na seleção", garante o antigo lateral-esquerdo, o primeiro checo a jogar em Portugal.

