"Guarda-redes a não terem o mínimo de dignidade, de profissionalismo, de respeito pelo jogo..."

José Mourinho
LUSA
Declarações de José Mourinho na conferência de imprensa após o Benfica-Braga (1-3) da segunda semifinal da Taça da Liga, na quarta-feira
Pode dizer quais foram os erros que foram cometidos na Pedreira e se esses erros foram incorridos também neste jogo? "Na Pedreira, pouquíssimos. Na Pedreira, pouquíssimos. A diferença da primeira para a segunda parte foi que o Sudakov e o Aursnes e o Barreiro começaram-se a mostrar muito mais para o jogo, começaram a ligar o jogo muito mais. Na primeira parte estavam demasiado altos e os nossos jogadores em posse encontravam um vazio para ligar o jogo. Na segunda parte começaram a baixar, começaram a apanhar o jogo entre as linhas e a girar e a deixar correr e a girar e a atacar o último terço. Que no fundo foi aquilo que nós fizemos hoje na segunda parte. Nós preparámos este jogo bem e preparámos no sentido de que o Braga fará o mesmo ou eles tentarão modificar alguma coisa porque a segunda parte foi muito difícil para eles lá na Pedreira. Constatámos que a única diferença foi o central, a Gabriel, que jogou e o Vítor Gomes não jogou, depois o Grellitsch ou o Gorby não muda grande coisa. Mas a abordagem deles a chegarem ou não chegarem aos nossos jogadores entre as linhas foi exatamente igual. Que foi, na segunda parte, aquilo que nós fizemos. Encontrámos muita vez Prestianni, encontramos muita vez o Barreiro. Portanto, não houve grande diferença. A grande diferença é que... Não correu bem neste jogo. Porquê que não correu bem? Eu não gosto muito dos ses, nem do hipotético, mas lá está o se de que eu não gosto. Se não há o terceiro golo, isto não acabava 2-1. O Braga meteu-se todo lá atrás, começa a entrar Paulo Oliveira, começa a entrar Vítor Gomes. O Braga percebeu, aquilo que percebeu na Pedreira, que na segunda parte, eles estavam em grande dificuldade. Depois o terceiro golo aparece e acabam com o jogo. Depois o João Pinheiro também mostrou os músculos que não se mostra a todos os capitães de equipa, mas mostrou só o nosso. E expulsa, e obviamente que acaba com o jogo. Mas a segunda parte é a nossa. Eu recuso-me a dizer que merecíamos o empate e ir aos penáltis. Recuso-me a dizer porque a primeira parte é absolutamente horrível e a segunda parte do Braga não é horrível. A segunda parte do Braga é uma segunda parte difícil. Foi difícil para eles de nos aguentarem. Mas não foi horrível. A única coisa que foi horrível é uma coisa que é rotineira no campeonato português que eu criticava muito no campeonato turco e venho a encontrar em Portugal a mesma coisa, que são os guarda-redes a não terem o mínimo de dignidade, o mínimo de profissionalismo, o mínimo de respeito por aquilo que é o jogo. Porque eles sabem perfeitamente que quando o guarda-redes está lesionado o jogo pára e não há jogo. E estamos a exagerar. E o João Pinheiro até fez... Uma das poucas coisas boas que ele fez hoje foi ter dado o amarelo ao guarda-redes mais ou menos ao minuto 30. Mas depois... Mas depois quando eles começam com os 5, 4, 3, 2, 1 nos dedos e nunca deixam aquilo acabar e nunca marcam o pontapé de canto e nunca penalizam... Os guarda-redes hoje em dia em Portugal, e não só em Portugal, têm muito controlo sobre a dinâmica do jogo. Muito controlo sobre a dinâmica do jogo."
Como consegue convencer os adeptos do Benfica a acreditar antes de se poder praticamente decidir toda a época em 15 dias? "Como é que eu convenço? Acho que não tenho que convencer. Não se trata de convencer, trata-se de trabalhar sempre no máximo das nossas potencialidades. Falo por mim próprio. Falou em arrasar, não foi minha intenção, foi constatar. Se viesse aqui dizer que foram fantásticos, diria 'ó mister está choné'. Quer que seja sério ou vender aqui histórias da carochinha como muitos treinadores fazem? Tenho de ser honesto nas minhas análises. É difícil jogar sem António Silva e Otamendi, com Manu que esteve um ano parado... mas temos de lutar. Não há folga. Não há nada mais que conversar sobre o que foi hoje e preparar o jogo da melhor forma possível e acreditar que o podemos fazer. Esta é a primeira derrota em Portugal e a pior performance a da segunda parte. Viram o banco cheio de miúdos sem minutos na equipa principal. Imagino sem Bah, Bruma, António... Temos tido problemas, é uma realidade. A minha natureza é nunca desistir e não permitir que desistam. A equipa parecia morta ao intervalo, vamos tentar fazer isso com o FC Porto, depois o Rio Ave e depois a Juventus."
Vai ao Dragão lutar pela continuidade na Taça de Portugal. O jogo de hoje é para esquecer? Que tipo de atitude vai ter perante a possibilidade de perder? "Hoje, pensando que jogaríamos a final, não vamos para casa e vamos para o Seixal. Vão dormir no Seixal, amanhã e sexta trabalho, mas não há jogo sábado, o próximo é com o FC Porto. Espero que durmam tão bem como eu, não dormirem. Não durmam e pensem muito. E depois conversar. No balneário foi um monólogo e gosto de conversar com os jogadores. É preparar da melhor forma possível o jogo com o FC Porto, sem Enzo de certeza, Otamendi... Com todas as dificuldades vamos lá a pensar que podemos ganhar o jogo."
Pavlidis pediu desculpa aos adeptos. Houve assobios. Entende este desagrado? "Claro que sim, sem dúvida. Quando o jogo acaba, vitória ou derrota saio sempre, não gosto de ficar em campo. Não tive essa perceção, mas consigo imaginar o desagrado. Alimentam-se de alegrias e vitórias, não de uma reação na segunda parte. Alimentam-se de bons resultados. A primeira parte é muito má, aliada à derrota. É normal que tenham assobiado todos nós. Nunca são dirigidos a quem falhou ou cometeu um erro, são nossos."

