Frederico Varandas: "Importante nunca colocar em perigo o clube por uma conquista"

Frederico Varandas
Lusa
Declarações do candidato à presidência do Sporting Frederico Varandas, no debate eleitoral no canal do clube
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De que forma pode o Sporting ser um clube financeiramente sustentável sem receitas da Champions e de vendas de jogadores? É possível?
"Foi mais um ano de resultados líquidos positivos, pelo quarto ano consecutivo. O Bruno acusou-nos de autoelogio, não é um autoelogio. O meu debate vai ser apresentar resultados do meu trabalho. São factos e resultados. Foi trabalho feito. Se foi bem feito, ou mal feito, daqui a 36 horas, os sócios dirão de sua justiça. Nas seis épocas que esta direção planeou do princípio ao fim, em cinco tivemos lucro. Não tivemos numa, em que nenhum outro clube teve, que foi o ano da pandemia (COVID-19). Esta é a nossa linha, é muito importante para nós, independentemente dos resultados desportivos, ou não, garantir a sustentabilidade de um Sporting que nunca precisemos de colocar em perigo pelo dia do amanhã, por uma conquista, ou um título. Nestes quatro anos, apresentámos lucro com um valor acumulado de 82 milhões de euros. Não é fácil, não só em Portugal, mas também na Europa, encontrar algo semelhante. Em relação ao passivo, muito se tem falado. O Sporting aumentou o passivo, de uma forma estratégica, achámos que era o momento de o fazer. Tínhamos duas vias de poder continuar a governar o Sporting. Numa, nos últimos 16 anos antes de chegarmos ao Sporting, de 2002, quando foi inaugurada a Academia, e em 2003, quando foi inaugurado o estádio, nunca mais houve investimento no Sporting. Viu-se o resultado, não falo só em termos desportivos, mas também da degradação do património, das infraestruturas, dos espaços. A partir de 2018, nós, de uma forma comedida, a equilibrar primeiro as contas, fizemos um investimento com capitais próprios na academia, tivemos de fazer, sim ou sim; no polo universitário, e depois, no último mandato, no Estádio José Alvalade. Os resultados estão à vista, entre 16 anos sem investimento, e 7 anos com investimento. Chegámos ao ponto em que o Sporting, para poder continuar a investir e ser competitivo, tem de investir com capitais próprios (temos de criar receitas com vendas de jogadores), ou teríamos de nos financiar. O Sporting goza de uma credibilidade, por estes 7 anos de gestão, financeira, não dita por nós, mas pelas agências de rating, altamente credível do ponto de vista financeiro. Fizemos um acordo de 225 milhões de euros, em que lançámos dívida a 28 anos, para investirmos para outra dimensão. O Sporting achou que era o momento cirúrgico para o fazer. Primeiro, e o próprio mercado deu razão ao Sporting, porque o Sporting estava no momento ideal para o fazer. O Sporting teve procura de nove vezes mais, dois mil milhões que quiseram investir no Sporting, estamos a falar de investidores internacionais de referência. O Sporting foi ao mercado, teve a assessoria da JP Morgan, e o crédito de risco do Sporting foi avaliado com o rating" investment grade". O business plan do nosso projeto está claro. O Bruno disse que não apresentámos projeto eleitoral, apresentámos um projeto de mais de 100 páginas, onde detalhámos como, com este investimento, o Sporting vai dobrar as suas receitas. Ao tornar um espaço fulcral como o Alvaláxia, do qual o Sporting vê 0 de receitas, aquilo não era nosso. Fizemos a aquisição do espaço e vamos promover o espaço José Alvalade, aberto de 15 a 15 dias, para fazermos receita. Estes 225 milhões de euros de financiamento, a receita que vai ser gerada vai pagar, confortavelmente, os custos do empréstimo."

