Frederico Varandas e Bruno Sá frente a frente: muito barulho e pouco debate entre os candidatos

Bruno Sá e Frederico Varandas
LUSA
Bruno Sá tentou encostar Varandas à parede. Este começou por ignorá-lo, mas acabou agitado. Concorrente da lista A acredita que "Varandas e seus cartilheiros já estão a cozinhar o Rui Borges". Adversário responde dizendo que o atual treinador teve o "maior investimento da história".
Candidatos das Listas A e B à presidência do Sporting, Bruno Sá e Frederico Varandas, respetivamente, estiveram frente a frente pela primeira e única vez antes do ato eleitoral, de amanhã, na televisão do clube. Apesar dos ataques, e sobretudo muitas interrupções, de Bruno Sá à sua gestão, Frederico Varandas desvalorizou inicialmente o confronto, mas acabou por reagir, não escondendo alguma agitação e intranquilidade com o estilo do rival - com sorrisos, ataques mais pessoais como a referência ao filho de "seis anos perceber" o que iria dizer a seguir. O facto de os sócios e adeptos do Sporting não serem "atrasados mentais", foram outras farpas diretas ao seu concorrente.
Varandas, de resto, começou o debate por assumir ter feito uma "direta", na sequência da viagem à Noruega, e lançou uma indireta a Bruno Sá, pelo timing do debate: "Não tenho como demonstrar o meu incómodo por estarmos a fazer este debate 36 horas antes da abertura das urnas. Não pelo facto de eu ter chegado às 6h30 da manhã da Noruega e ter pela frente um dia de trabalho, estou literalmente com uma direta em cima."
Bruno Sá respondeu, disse que não tinha alternativa e tentou contra-atacar de imediato, mostrando uma carta que diz ter recebido na manhã de ontem e que colocava em causa o sigilo da votação dos atletas do clube. Varandas garantiu desconhecer.
Sá não desarmou e falou em autoelogio do líder leonino. "Não me candidato contra ninguém, e sim pela democracia. Há um autoelogio constante, eu estou aqui para falar do presente e do futuro. O doutor Varandas é um presidente de clube entertainment. O Sporting vive distante das pessoas, que se sentem esquecidas, as Assembleias Gerais não têm pessoas. Por isso estou aqui pela democracia e pelo debate. Há muito a melhorar, não é só ganhar."
Varandas foi ignorando, revelando alguma ausência de paciência para responder diretamente a Sá, preferindo seguir por outros caminhos. "O Bruno insiste na história de que o sócio é mal tratado. Segundo as palavras do Bruno, o sócio deve ser masoquista, ou atrasado mental", atirou Varandas, sublinhando ainda durante as suas explicações que até o seu filho de "seis anos percebe".
"Cozinhar" Borges e maior investimento
Voltando à especificidade do futebol, Frederico Varandas defendeu-se de novo ataque do seu opositor, afirmando convictamente que Rui Borges teve "o maior investimento da história do Sporting. O investimento é de 100 milhões de euros, coisa que Rúben Amorim nunca teve". O presidente e candidato da lista B respondeu a Bruno Sá, que sugeriu que "Varandas e seus cartilheiros já estão a cozinhar o Rui Borges", num claro sinal de que a atual Direção está a programar a saída do treinador principal do Sporting.
O tema Rúben Amorim continua bem vivo e Varandas voltou a destacar a qualidade do treinador e consequentemente o sucesso da sua Direção. "Irónico, dizer bem de Amorim é dizer bem da minha Direção, é dos melhores treinadores do Sporting", comentou o candidato, que procura o seu terceiro mandato, atirando: "O problema não é perder, é mudar de rumo quando se perde."
Segundo Varandas "a decisão [de manter Rui Borges] está tomada, mas jamais será arma em campanha eleitoral", garantiu o responsável máximo dos leões e candidato ao sufrágio de amanhã.
Questionado sobre as compras e vendas do Sporting desde 2018 até esta temporada, Varandas não hesitou. "Gastámos 440 milhões de euros e vendemos 750 milhões de euros".
Varandas desafia a equipa a "continuar a sonhar"
No final do debate, na zona mista, Frederico Varandas reconheceu o grande desafio pela frente na segunda mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões, com o Bodo/Glimt, mas incitou a equipa a manter a ambição: "O Bodo/Glimt não é um nome sonante, não é muito sexy, mas já eliminou muitas equipas muito sexy. Basta recordar, Atlético de Madrid, Inter Milão, Manchester City, três colossos. Ouvi o treinador a falar, ouvi o capitão, e eles foram muito claros. Assinava por baixo, todos os anos, ir aos oitavos de final. Os adeptos sentem a qualidade desta equipa, e que, se calhar, conseguimos um bocadinho mais. Agora, eles têm de mostrar em campo se querem continuar a sonhar".


