Freddy Adu arrepende-se de ter ido jogar para o Benfica: "Nunca tinha vivido nada assim"

Freddy Adu, quando jogava no Benfica
JORGE CARMONA O JOGO
Extremo internacional norte-americano chegou ao Benfica com 18 anos e assume que não estava preparado para a realidade que encontrou. Se fossse agora, teria optado por outro clube, onde pudesse jogar e ganhar experiência, diz
Freddy Adu chegou ao Benfica com pompa e circunstância, era considerado um prodígio e já era comparado a Pelé. Fez 21 jogos e marcou cinco golos e não voltou a jogar pelos encarnados, sendo emprestado ao Mónaco, Belenenses, Aris e Caykur Rizespor antes de voltar à MLS, em 2010. Não chegou a corresponder às expectativas e diz que se arrepende do passo que tomou.
"Não fazia ideia do que me esperava. Quando cheguei a Lisboa o aeroporto estava cheio de adeptos do Benfica, nunca tinha vivido nada assim. Não conseguia passar, fiquei surpreendido. Eles abraçaram-me e cantavam. (...) Sabendo o que sei hoje, não tomaria essa decisão. Quando és jovem precisas de jogar para ganhar experiência. Por isso, tomaria decisões diferentes", disse numa entrevista a Mirror US Sports.
"Foi muito emocionante, mas mentiria se não dissesse que também havia imensa pressão. Eu sabia que aquelas pessoas todas iam ver os jogos porque tinham ouvido falar daquele miúdo de 14 anos que era suposto ser um fenómeno. Havia tanta expectativa e a MLS queria promover a liga. Era ingénuo, mas não ia dizer que não", afirmou o antigo extremo de 36 anos, que fez a estreia na MLS com apenas 14 anos.
O jogador ganês, que foi 17 vezes internacional pela seleção dos EUA, custou, em 2007, 14 milhões de euros ao Benfica.
Ainda antes da mudança para as águias, fez um período de testes no Manchester United, em 2006, e conheceu Cristiano Ronaldo. "O Ronaldo fez-me sentir confortável enquanto lá estive. Esforçou-se para falar comigo e ofereceu-me ajuda. 'Ei, se precisares de alguma coisa, avisa, gostava de te levar a sair'. Tinha treinado com os sub-21 e ele, ao sair de carro depois do treino da equipa principal, parou, baixou o vidro e falou comigo. Fomos jantar e deu-me conselhos. As pessoas não o conhecem como pessoa, apenas o veem como o Ronaldo da televisão", lembrou.
A finalizar, o jogador que terminou a carreira e 2020, nos suecos do Osterlen FF, deixou um conselho aos jovens futebolistas norte-americanos: "Diria para ficarem e ganharem o máximo de experiência na MLS, fiquem um pouco mais de tempo, não se apressem a ir para o estrangeiro. Sei que é tentador ir jogar para o estrangeiro, sobretudo na Champions, mas tenham paciência."

