
O aumento da produção ofensiva do FC Porto está diretamente ligado à entrada do médio. Com ele, os dragões não só rematam mais, e à baliza, como criam mais ocasiões de golo.
Três golos e uma assistência nos últimos três jogos concentraram os holofotes novamente em Brahimi, que surge ligado ao súbito aumento da produção ofensiva do FC Porto. O argelino não é, como é natural, o único responsável, mas a verdade é que os números não deixam margem para grandes dúvidas: os dragões são muito mais ameaçadores quando ele joga do que quando Nuno abdica do seu talento. Não só têm mais tempo de posse de bola como rematam mais e até criam mais oportunidades para marcar. Na infografia que apresentamos em baixo, na qual figuram as médias dos jogos do campeonato e da Liga dos Campeões - da Taça de Portugal e da Taça da Liga, os registos são escassos -, não há um único parâmetro ofensivo em que os portistas não sejam melhores com o criativo.
Depois de um defeso atribulado em que viu gorado o sonho de saltar para um campeonato mais famoso que o português, Brahimi demorou a encaixar as ideias do treinador. O seu impacto nos primeiros jogos da temporada foi por isso residual. Com o Tondela, por exemplo, saiu logo aos 56 minutos, ainda antes da melhor fase dos dragões no encontro. E nem a boa entrada com o Brugge ou o golo assinado ao Arouca alteraram o cenário. Os adeptos azuis e brancos tiveram de esperar até à receção ao Braga para verem o melhor do argelino, com os efeitos que se conhecem no futebol ofensivo da equipa. Participação direta em quatro dos 13 golos marcados pelos portistas e um grande contributo para a subida da média de oportunidades criadas em quase cinco por jogo. Só ele é responsável por quase quatro por encontro.
Apesar de estar um jogador diferente, principalmente no momento de defender, a "domesticação" a que foi sujeito por parte de Nuno não retirou o que Brahimi sempre teve de melhor: o drible (19). Aliás, entre os homens que habitualmente alinham pelos flancos, só Corona (29) o bate no número de fintas bem-sucedidas no campeonato. Mas também tem quase o dobro dos minutos jogados, em comparação com o argelino, que aproveitou da melhor maneira a ausência de Otávio (lesionado) - dos três, é o que tem menos dribles realizados (14) - para conquistar a confiança do treinador. Até rumar à Taça de África das Nações, porém, só deverá realizar mais dois encontros pelos dragões: com o Chaves (segunda-feira, campeonato) e o Feirense (dia 29, Taça da Liga).
