Este clássico entre FC Porto e Sporting tem algo diferente: um duelo para a emancipação

Fábio Vieira já marcou dois golos depois da retoma
Lusa
Nunca neste milénio houve um jogo com tantos miúdos "criados" em Alcochete e no Olival. Fábio e Jovane são as estrelas na prova de fogo das apostas de Conceição e Amorim.
O discurso não é novo, mas o agravamento das finanças dos clubes provocado pela pandemia que parou o mundo do futebol por três meses tem reforçado a necessidade da aposta na formação.
E o clássico de amanhã ajuda a perceber que tanto FC Porto como Sporting se viraram ainda mais para dentro, não apenas com o objetivo de olhar para o futuro, como para o imediato.
Na ficha de jogo estarão cerca de 15 - podem ser mais ou menos um ou outro, consoante as escolhas técnicas - elementos com idade para jogarem na Seleção de Sub-21, formados no Olival e em Alcochete. Jovane tem 22 anos, mas feitos em junho, já depois do suposto final de campeonato. Nunca neste milénio se viram tantos jovens num clássico entre dragões e leões. O máximo foram oito num jogo do campeonato de 2008/09. Estamos a referir jogadores formados nos respetivos clubes e em fase de afirmação. Se as contas fossem apenas atletas criados nos clubes mas sem a limitação da idade haveria, naturalmente, outros exemplos. No caso do FC Porto só Sérgio Oliveira, mas está lesionado. Pelo Sporting, Tiago Ilori e Francisco Geraldes.
Vários jovens que há algum tempo eram apontados como potenciais apostas a breve prazo foram lançados por Sérgio Conceição e Rúben Amorim e têm agora uma prova de fogo no Dragão. Mesmo que o encontro possa já não contar para a atribuição do título - tudo depende do que fizer esta noite o Benfica -, não deixa de ser um jogo grande, o primeiro deste calibre para muitos dos miúdos. Os "leõezinhos" ganham em número, já que aos "habituais" Maximiano e Jovane Cabral podem juntar-se no onze Eduardo Quaresma e Nuno Mendes. No FC Porto, o craque que está na moda, Fábio Vieira, vai ser aposta no lado direito do ataque, aproveitando a suspensão de Corona. Entre as duas equipas, quase metade da ficha de jogo do clássico será preenchida com o nome de elementos formados no Olival e em Alcochete. E destes, Fábio Vieira e Jovane são os cabeças de cartaz...
O jovem avançado do Sporting - um dos mais utilizados por Rúben Amorim após o regresso - é o jogador mais influente da equipa nesta fase, com cinco golos e uma assistência, enquanto que o médio/ala portista soma dois golos e uma assistência, tendo vindo a reforçar o poder de fogo dos dragões nos lances de bola parada. Basta recordar que marcou de livre direto e de penálti...
Como referimos, a pandemia fez disparar a aposta no jovens, mas ela já acontecia desde o início da temporada em ambos os clubes. No Sporting isso até tem sido recorrente, mas no caso dos portistas, Sérgio Conceição é o responsável, à boleia do título na UEFA Youth League, pela chamada de nove miúdos - incluindo aqui o guarda-redes Francisco Meixedo - à equipa principal, sendo que dos jogadores de campo só ainda não deu minutos a João Mário. Curiosamente, o que chega a esta fase da época com mais jogos, 20, é o mais novo dos dragõezinhos. Trata-se de Fábio Silva, que ainda não completou 18 anos. No clássico, ainda assim, o caçula poderá ser um jogador formado no Sporting. Joelson Fernandes é sete meses mais novo do que o avançado portista. Rúben Amorim, diga-se, aproveitou para promover a estreia de quatro jovens nesta fase pós-retoma: Tiago Tomás, Joelson Fernandes, Eduardo Quaresma e Nuno Mendes.
No fundo, os três meses de paragem competitiva serviram para que os treinadores observassem e testassem - mesmo que à distância numa fase inicial e só depois no terreno - mais alguns dos jovens que tinham à mão. E para se perceber como (quase) tudo mudou basta dizer que no clássico de Alvalade, da primeira volta do campeonato, Maximiniano e Rafael Camacho foram os únicos Sub-21 (formados no clube) que jogaram, ambos no Sporting, que teve ainda Diogo Sousa como guarda-redes suplente.
Díaz e Matheus também de Plata
Subindo a fasquia da idade até aos Sub-23 e alargando o alcance aos estrangeiros dos dois plantéis, tanto Sérgio Conceição como Rúben Amorim têm mais juventude para apresentar amanhã. Do lado dos leões o equatoriano Plata (21 jogos), o brasileiro Matheus Nunes (sete) e o francês Rosier (16). Os dois primeiros têm fortes possibilidades de irem a jogo. Do lado do FC Porto, um dos melhores marcadores da equipa é o colombiano Luis Díaz, 23 anos e 13 golos apontados em 46 encontros, e há ainda o senegalês Loum.
Uma dúzia de miúdos em Alvalade
Se em jogos do campeonato o máximo do milénio de jovens Sub-21 convocados para um clássico entre leões e dragões é de oito, a Taça da Liga já teve um encontro com estes protagonistas em que estavam 12 miúdos na ficha. Aconteceu na mesma época, curiosamente. Na meia final da edição de 2008/09, o FC Porto de Jesualdo Ferreira foi de comboio para Lisboa no próprio dia do jogo com sete atletas "pescados" na equipa B. Isto porque quatro dias depois havia um clássico importante com o Benfica para o campeonato. Nesse jogo, Ventura, Ivo Pinto, Ricardo Dias, Josué, Sérgio Oliveira, Diogo Viana e Rabiola foram para o banco em Alvalade. No Sporting, foram chamados a essa partida Rui Patrício, Pereirinha, Carriço, João Moutinho e Adrien. Metade dos, na altura, miúdos, foram mesmo utilizados por Paulo Bento e Jesualdo Ferreira.
João Mário e Gonçalo siameses
Gonçalo Inácio, defesa de apenas 18 anos, foi um dos miúdos que Rúben Amorim chamou aos treinos da equipa principal, mas ainda não somou qualquer minuto. O central leva 26 jogos esta época, 23 nos Sub-19 e três pelos Sub-23, e já se sentou no banco na deslocação a Moreira de Cónegos. No FC Porto há um caso semelhante: João Mário subiu à equipa A no regresso aos treinos após a interrupção e ainda não foi utilizado. O extremo de 20 anos foi opção com o Marítimo e o Aves e até esteve para entrar contra os insulares, mas Conceição, entretanto, mudou de ideias. Meixedo, guarda-redes, também foi nunca foi convocado.
