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Miguel Pereira
Jordão debruça-se sobre o Estrela-Braga, dois dos clubes que lhe marcaram a carreira, além de uma proveitosa etapa no West Bromwich Albion, de Inglaterra. Vê duas equipas com ânimo para vingarem nesta jornada
Tendo 132 jogos pelo Estrela da Amadora, um filho da Reboleira com várias vidas no clube, Jordão juntou ainda na carreira 76 partidas pelo Braga, realinhando o trajeto dentro dos níveis mais competitivos, após ingresso pouco profícuo no Benfica. O antigo médio, hoje com 52 anos, será espetador atento do embate entre amadorenses e minhotos, recuando aos tempos em que brilhava num meio-campo ao lado de Chainho, treinado por Fernando Santos, ou às três épocas e meia nos guerreiros, onde começou por ser reforço às ordens de Fernando Castro Santos, sendo finalista da Taça de Portugal na mesma época já com Alberto Pazos ao leme.
"No Estrela fiz-me jogador nos juvenis, passei pelas seleções jovens, cheguei e afirmei-me na equipa principal. Foi onde venci e onde foi fantástico voltar a terminar. Mas guardo de Braga uma grande experiência, a hipótese de disputar uma final da Taça e pisar o Jamor. Lembro uma grande cidade e um clube que cresceu imenso, que não deve nada aos três grandes", conta Jordão, antecipando um duelo entre conjunto com estados anímicos que cruzam boas sensações, vindo o Braga de um empate com o Benfica e o Estrela de um triunfo em Famalicão.
"É um jogo de dificuldade máxima para os dois lados. Penso que o Estrela tem aqui uma oportunidade de tentar duas vitórias consecutivas que fariam manifesta diferença nas contas da Liga. O Braga está motivado, pensou que já encontrou o seu ritmo certo, irá ter uma palavra a dizer em relação ao próximo campeão. De um lado estará um coletivo a imperar, do outro forças individuais", afiança, acreditando que os minhotos, mesmo muito afastados do FC Porto podem ter argumentos para complicar e condicionar a luta que se faz na frente", evidencia, mesmo reconhecendo a falta de um pilar da equipa de Vicens no José Gomes.
"Olho para o Braga e vejo sempre o Moutinho, um relógio suíço que não falha um passe e impõe ritmo com mestria. Não se devia só falar do Ronaldo como referência para os jovens, o Moutinho é outra. Mas um Braga sem o Horta, o seu capitão, um dos melhores jogadores em Portugal, não ficará tão forte", adverte o antigo médio, que se mantém radicado em Lisboa com visitas frequentes a Braga, estando hoje ligado a pontes e parcerias entre clubes.
Do conhecimento da realidade, a uma auscultação do passado. "O Braga, de António Salvador, nada tem a ver com o Braga do meu tempo. Ele profissionalizou o clube, melhorou imenso as infraestruturas, dotou o clube de grandes jogadores e treinadores. Sinceramente, esperava que, por esta altura, já pudesse ter sido campeão", observa, imprimindo detalhe na radiografia do crescimento, de uma equipa que foi fazendo por ser temida.
"Lembro-me que as mesmas dificuldades que os grandes têm em jogar em Braga, já tinham no nosso tempo. Visito Braga regularmente, a minha família adora a cidade, e mantive ligação a alguns ex-jogadores como Barroso, Cabral, Artur Jorge, Mozer, Formoso, Silva ou Gamboa."


