
André Sabino
Sport Clube União Torreense
O JOGO esteve à conversa com André Sabino, diretor-geral e uma das caras do sucesso do clube nos escalões jovens, designadamente nos sub-23. O dirigente, de 34 anos, explica a filosofia do clube e garante que a aposta numa formação de excelência é a base da sustentabilidade e do crescimento do emblema de Torres Vedras.
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O Torreense é um exemplo de aposta firme na formação, combinando desenvolvimento de talento e sustentabilidade desportiva. No escalão de sub-23, a equipa azul-grená é a atual campeã da Liga Revelação e, este ano, volta a disputar a fase de apuramento de campeão. À frente deste projeto está André Sabino, diretor-geral do clube, que, aos 34 anos, coordena uma estrutura capaz de transformar promessas em jogadores da primeira equipa. "É um projeto estruturado, assente na valorização de jogadores e na rentabilização de ativos", explica Sabino. "Tive experiência no Estoril durante quatro anos com os sub-23 e, por conhecer esta competição desde o início, é a menina dos meus olhos. É aqui que conseguimos desenvolver jovens, ajudá-los a evoluir e prepará-los para a equipa principal".
No Torreense, ganhar troféus não é o objetivo principal. A verdadeira vitória está na transição bem-sucedida dos atletas para a equipa principal e no reconhecimento que alcançam no mercado. "O nosso objetivo é valorizar os jogadores para a equipa principal e, quando possível, rentabilizá-los no mercado. Já aconteceu com o Léo, o Simões, o Danilo, o Silas, o Arielson e o Ellie, que foi vendido por cerca de dois milhões de euros. Subir atletas, valorizá-los e criar resultados sustentáveis é, para nós, a verdadeira vitória", afirma Sabino.
A conquista da Liga Revelação no ano passado reforçou a credibilidade do clube. "Externamente, vencer a Liga alterou bastante a perceção. Mostrou que não foi obra do acaso e que temos objetivos sólidos. Internamente, a maior satisfação é ver os jogadores serem valorizados, como aconteceu com o Elie, cuja venda foi a maior dos últimos anos da II Liga, e com o Léo, que certamente seguirá o mesmo caminho", acrescenta o dirigente.
O clube não estabelece metas rígidas de promoção de jogadores, mas procura constantemente identificar aqueles com potencial para subir à equipa principal. "Não queremos apenas subir um ou dois jogadores por obrigação. Todos os anos, se conseguirmos subir mais de um jogador, já é excelente. O mais importante é perceber se o atleta tem potencial e margem de progressão. Se virmos isso, garantimos imediatamente o seu espaço na equipa principal", explica.
Manter o equilíbrio entre competitividade e aposta em jovens é um desafio diário que o dirigente assume. "Estamos pelo segundo ano consecutivo com um dos plantéis mais jovens da II Liga, e isso é fruto de um processo estruturado. Sabemos que não é fácil enfrentar equipas mais experientes, mas é fundamental criar espaço e confiança para os jovens. Acreditamos que a qualidade destes atletas pode superar a experiência de muitos adversários", garante.
"Revelação é espaço de excelência"
Apesar do sucesso, a Liga Revelação continua a ser subvalorizada em Portugal. Todavia, Sabino acredita que, ao longo dos anos, tem-se afirmado como espaço de excelência para o desenvolvimento de jovens. "Nos meus primeiros anos falava-se na criação de uma liga europeia sub-23, o que daria um impulso ao escalão. A Liga Revelação tem vindo a solidificar-se ao longo dos anos, embora concorde que a criação da Liga 3 tenha tirado algum espaço a jogadores mais próximos das equipas principais. Ainda assim, é um espaço de excelência para formar e valorizar talento jovem", garante.
"Queremos um jogo positivo"
A ligação entre os sub-23 e a equipa principal não é apenas estrutural. Existe uma identidade transversal "Temos linhas de orientação bem definidas. Queremos que os treinadores promovam um jogo positivo, irreverente e audaz. Não há obrigação de jogar num sistema específico; o padrão é comum, mas cada treinador tem liberdade para adaptar a forma como atinge os objetivos prioritários", explica o diretor-geral.
A promoção de Luís Tralhão dos sub-23 para a equipa principal reforça esta filosofia. E a escolha de Fábio Vieira, atual treinador dos sub-23, ex-Ovarense, mantém a lógica de aposta em talento jovem. "Depois da subida do míster Tralhão, o Fábio, pelo perfil que tem, e por ter sido jogador, transmite experiência aos jovens, que precisam de exemplos assim. É um treinador ambicioso, com ideias positivas, que encaixa no nosso perfil. Foi uma aposta audaz da nossa parte, mas com muita qualidade", assume.
Olhando o futuro e a eventual subida à I Liga, André Sabino assegura que o clube mantém a estratégia. "No futebol de hoje, é difícil imaginar um modelo competitivo sem apostar na valorização de jovens. Todos os clubes da II Liga querem subir, mas o Torreense investe nos jovens, nos processos e nos recursos humanos. A subida à I Liga não é um objetivo imediato, mas está sempre presente. A sustentabilidade do clube assenta na aposta nos jovens; se tentássemos um modelo com jogadores muito experientes e não atingíssemos os resultados, gastaríamos dinheiro e tornaríamos o projeto insustentável. Ao valorizar jovens, mesmo que o resultado não seja sempre o esperado, garantimos sustentabilidade e continuidade", remata.
