Diogo Motty dá cartas em Mirandela: "Olhavam para nós como o patinho feio"

Ala de 21 anos tem cinco golos esta temporada e ultrapassou o anterior máximo, enquanto sénior. Emprestado pelo Santa Clara, e em fim de contrato, sonha com a estreia nos açorianos, clube do coração
Diogo Motty nasceu em Leiria, mas com cinco anos mudou-se para São Miguel, nos Açores. Formou-se no Santa Clara e há dois anos regressou ao continente para, primeiro, jogar no Benfica e Castelo Branco e, agora, brilhar no Mirandela, segundo da série 2 da fase de acesso à Liga 3.
Tem cinco golos esta época, que já é a melhor da carreira. Este número supera as expectativas?
-A minha meta era chegar pelo menos aos cinco golos, para superar o máximo que tinha alcançado no Águia [2018/19]. E consegui. Também tenho cinco assistências e só penso em fazer cada vez mais e melhor.
Está emprestado pelo Santa Clara ao Mirandela, e em final de contrato. Alguém o abordou para renovar?
-Até agora não falaram comigo, mas deixo isso na mão do meu empresário, Nuno Correia, que sempre deu o melhor seguimento à minha carreira. O meu verdadeiro sonho é estrear-me pelo Santa Clara, onde me formei e clube pelo qual tenho um carinho especial.
Espera, então, que Daniel Ramos [treinador do Santa Clara] possa ler este desejo?
-Era bom, era [risos]. Nunca se sabe...
Nasceu em Leiria, mas aos cinco anos mudou-se para São Miguel, nos Açores. Foi uma mudança difícil?
-Era um miúdo, e não tinha bem noção das coisas. Hoje, sinto-me meio continental, meio açoriano. Fiz muitos amigos na ilha, foi lá que comecei a jogar futebol, quando entrei para o Santa Clara, é lá que está a minha família, mas estou há dois anos no continente em busca de um sonho. Para o conseguir, tenho que fazer sacrifícios.
Quanto ao Mirandela, se a fase de acesso à Liga 3 acabasse agora, subiam de divisão...
-É verdade, fizemos uma boa primeira volta, perdemos com o V. Guimarães B [4-1] mas demos uma boa resposta no fim de semana passado e podíamos ter mais dois pontos, não fosse termos sofrido o empate no último segundo do jogo em Fafe.
Acha que são vistos como um outsider nesta série 2?
-Sim, toda a gente olhava para nós como o patinho feio, mas estamos a conseguir mudar essa imagem. Como disse, se acabasse agora, éramos nós que subíamos.
Acredita que ganhar ao Fafe na próxima jornada será um passo de gigante rumo à promoção?
- Eles são o nosso adversário direto. Estão um ponto atrás de nós e são o próximo oponente. Não escondo que será um jogo importante.
Uma espécie de Dembelé...
Desafiado a nomear os ídolos em Portugal e lá fora, Diogo Motty elegeu Corona como a referência no futebol nacional. À parte disso, aprecia Sterling (Manchester City) e define-se como um "jogador rápido, que gosta de ir no um para um" e que também "ajuda a defesa", revendo-se em Ousmane Dembelé, do Barcelona. "É rápido, remata bem e gosto bastante dele. Revejo-me um pouco nas características", afirmou. Fora do campo preza o convívio com os amigos e tenta ser "o mais profissional possível". "Procuro fazer uma boa alimentação, que é muito importante", salientou.
