
Eis uma nova abordagem às vendas de bilhetes, merchandising e envolvimento dos adeptos com as marcas. Modelo de negócio atrevido para receitas e que oferece outra bagagem institucional.
Atiram-se logros magnificentes de um novo tempo que nos assaltou, passos seguros de alta costura tecnológica, instinto de cobrir o inédito, esmagando processos e diligências de uma teia mais humana e burocrática. São novas vibrações, poderio medido ao clique, acelerando engenho e aguçando as ferramentas da Inteligência Artificial. A FULLVENUE é um exemplo extraordinariamente bem-sucedido do toque de excelência que pode ser dado ao futebol. Tiago Costa Rocha dá a cara.
Que bases levaram à formação desta Start Up?
—Ganhei uma visão clara da quantidade de informação que os adeptos entregam às marcas que consomem. Percebi como gostam de estar perto da marca, de serem contactados pelo clube que simpatizam. Há uma disposição do adepto pela sua marca muito maior. Entendi que fazia sentido analisar e segmentar a informação disponível em canais de recolha de dados, fosse uma bilheteira, uma listagem de sócios ou fãs, ou uma lista de vendas da loja. Estaríamos perante informação valiosa que ajudaria a captar clientes de maior valor. A Start-Up nasce com o entendimento da força que o desporto poderia ter, juntando-se a grande vontade de levantar um negócio com visão mais ampla do desporto, usando-o. Há um recorrente desprezo do desporto pelas grandes áreas de negócio, posto num nível inferior de gestão. Com a experiência numa consultora, vendo a experiência de algumas pessoas, vendo o que foi feito na FPF, achei que devia arrancar com essa ambição de dominar toda a área das encomendas, otimização de manobras de marketing para audiências geradas por campanhas de IA. Foi isso que fizemos.
Como pode a FULLVENUE e os seus mecanismos de IA, revolucionar a mensagem no futebol?
— Trata-se de estruturar, planear e definir. O trabalho que a FULLVENUE oferece obriga uma visão prévia da equipa, definição de tarefas e objetivos. É preciso que um departamento de marketing de um clube defina um plano de negócios, uma estratégia para uma época e não para um mês. É preciso pensar no início da temporada, atualizar a cada trimestre, só uma estruturação para grandes objetivos pode fazer vir ao de cima o melhor, seja encher um estádio, promover um produto ou aumentar a base de dados de sócios. Depois passa por identificar audiências e a alta probabilidade de interação entre marcas, visando gerar receita e chegar a públicos mais qualificados. Um departamento de marketing pode não precisar de 10 pessoas. Com duas e o nosso serviço conseguimos oferecer melhor.
“Podemos garantir mais eficiência e promover o jogo com outro potencial ou lançar produtos todas as semanas”
Além de ajudas a entrar num mundo desconhecido, apurar linguagens e interações, há dinâmicas que podem assustar nesta transferência da IA para o desporto?
—A IA deve ser encarada com respeito e cuidado. Estamos a falar de dados que falam a sua verdade, mas carecem de análise humana. A entrada da IA no desporto abre todo um mundo de análise, potencia novos negócios e vai ter muitas vantagens para as organizações que lá chegarem primeiro. Na performance de um jogador, na análise, ou até fora do ambiente do jogo, há muito por onde ajudar na gestão do plantel. Em vez de três ou quatro analistas a lamber folhas de Excel com dados GPS, métricas de sono, de nutrição, dados respiratórios, toda a parte mais técnica, a carga de performance exaustiva, que exige trabalho de muita gente, haverá uma forma muito mais simples de analisar, recorrendo a ferramentas de IA que analisam uma fita de dados que podem dar avaliações mais valiosas e detalhadas com probabilidade de serem mais acertadas. Podemos garantir mais eficiência no futebol em todas as jornadas, podemos promover o jogo da nossa equipa com outro potencial, lançar produtos todas as semanas. Tudo em segundos.
A que nível de esfera de força faz mais sentido ver a utilidade da IA?
— Podemos dizer que para clubes ou equipas que não sejam tão fortes em volume de negócios, podem conseguir com departamentos mais pequenos coisas que estavam antes apenas ao alcance dos grupos City ou Red Bull. Temos clubes na nossa Liga que não estão entre os grandes e que podem conseguir competir com eles em horas. É uma escala que deve ser atendida por todos os clubes e ligas, que tenham capacidade mais limitada. Devem fazer uso da IA para ombrear com o que é feito ao nível do topo.
Vendo o futuro, que tópicos e serviços ao nível da gestão e da comunicação podem estar alterados pela difusão da IA?
—Esse prazo é difícil de prever, mas atiro coisas em que acredito. Digo que IA vai dar-nos utensílios para sermos mais rápidos, ágeis e capacidades para produzir mais em menos tempo. Entregando algo de forma mais rápida, intensa e profissional, seja na comunicação ou gestão. Ao mesmo tempo, será imprescindível contar com o capital humano, principalmente na visão da pirâmide, do topo dos departamentos a equipas para otimizar processos sem perder capacidade criativa e perceção de gerir expectativas de quem está do outro lado. Vejo um mundo onde vamos ter ferramentas para fazer coisas com qualidade e muita velocidade, para chegarmos a sítios do mundo onde nunca tínhamos chegado. O fator diferencial será pensar em cima disso, guiar e definir o caminho, seja o negócio, as equipas internas e a mensagem. Há um misto que devemos aceitar, otimizar as ferramentas do trabalho da IA e incluir a nossa capacidade de pensar. Quem tiver visão, souber pensar, ver tudo o que está a acontecer, vai ter sucesso no futuro.
Aumentar e muito receitas dos clubes
Ligações mais estreitas ao futebol já revelam farta satisfação.
Trabalho da FULLVENUE ganha em força em Portugal a partir do Famalicão, mas também existem parcerias com Villarreal e Brugge, ou federações como Bélgica, Roménia ou Albânia.
Como se avalia a implementação já conseguida em algumas federações europeias, também em alguns clubes?
—As experiências com federações internacionais têm sido fabulosas, com esse gosto de entregar o nosso trabalho na Roménia, Finlândia, Bélgica ou Reino Unido, países mais competitivos que o nosso, teoricamente mais capazes em algumas áreas. Estamos a ter resultados diretos com trabalho diferenciado, vários jogos esgotados no futebol masculino e feminino, aumento regular da receita gerada, falando de bilhetes vendidos, porque não é a mesma coisa esgotar um estádio de 30 mil lugares com 20 mil convites. Estamos também fortes no merchandising, ajudando na comercialização de produtos oficiais. Há uma satisfação constante e uma expansão no mercado. Estamos a desfrutar das parcerias, fazemos questão de visitar clientes, algumas viagens são marcadas para coincidir com jogos.
Como se caracteriza a ligação ao Famalicão?
—Falando do Famalicão, acho que, muito em breve, vão perceber como está a evoluir a nível digital. Uma equipa não tem de ser grande para fazer muitas coisas boas. É um projeto em evolução, tendo a FULLVENUE como parceiro. A taxa de ocupação do recinto foi um indicador positivo, quase lotação esgotada. Há um trabalho para vender camisolas e tem sido um bom ponto de partida para falarmos com outros clubes e chegar à Liga e Federação. Queremos alavancar todos os canais onde os adeptos tocam, estabelecendo sinergias com fornecedores na coleta de informação da bilheteira e loja online. A ideia é centralizar e extrair audiências de alto valor, aplicar em campanhas de marketing e aumentar a receita dos clubes. É preciso estar próximo do adepto.
O que está por fazer e pode encantar o cliente?
—É uma empresa que nasce com foco no desporto, mas, hoje em dia, além das parcerias, tem um produto que criou, que permite a qualquer marca que vende online numa plataforma ter um pequeno produto e conseguir conectar-se em três cliques com as suas vendas. Estamos a gerar audiência com IA e integrá-la numa plataforma. Penso ser um produto que levará a empresa para outro patamar.
Empresário percorre anos nos dragões e também perceções ganhas a partir de operações na FPF

