
Benfica surge apenas com uma derrota no período de preparação, enquanto o Sporting ainda não venceu. Mas o FC Porto de Villas-Boas conta uma outra história
Vencer a maioria dos jogos de preparação antes de ir a jogo na Supertaça não dá triunfo na certa, mas a verdade é que "ajuda". Olhando para a última década, nas nove disputadas anteriormente, percebe-se que em cinco ocasiões o vencedor do troféu foi aquele que registou mais triunfos na pré-temporada e por três vezes a equipa que pior registo obteve conseguiu sair por cima dos duelos.
Arranque FC Porto chegou à primeira Supertaça desta década em pior forma que o rival Benfica, mas trucidou
A exceção foi no início de 2016/17, em que Benfica e Braga oscilaram entre derrotas, empates e... vitórias, sem que a tendência fosse acentuada para uma delas.
Não é o que se verifica no presente. A avaliar pelo que se viu na pré-temporada, o Benfica de Bruno Lage apenas tropeçou perante o Anderlecht, precisamente na Luz, naquele que foi o encontro de apresentação aos seus associados. Daí para cá seguiram-se quatro vitórias, desde o duelo com a Académica, passando pelos três na International Champions Cup, prova de que as águias estão em boa posição para vencer.
Ora, em posição oposta está o Sporting de Marcel Keizer, que, nos cinco desafios de preparação, empatou três deles e perdeu dois, o último dos quais frente ao Valência, no Troféu Cinco Violinos, que serviu igualmente de apresentação aos sócios. Pela tendência recente... o Benfica apresenta-se mais próximo do triunfo, se a lógica se mantiver.
Outro dado interessante é que sempre um dos grandes do futebol português marca presença na Supertaça, é garantido que não acaba a temporada de mãos a abanar. Nos anos em análise, o FC Porto foi o grande triunfador, com cinco conquistas nas cinco presenças na Supertaça. O Sporting também é até ao momento cem por cento vitorioso, mas apenas disputou uma vez a partida oficial que abre a época.
O Benfica venceu três das cinco Supertaças disputadas e o grande perdedor é o V. Guimarães (derrotado nas três que jogou). Aves, Braga, Rio Ave e Académica também disputaram o troféu, porém sem sucesso.
Benfica de Vitória manteve sina
Na última década, o Benfica, em 2015/16, foi a única equipa que chegou à Supertaça sem vencer qualquer encontro no decurso da pré-temporada e o resultado acabou por ser negativo. Então, os encarnados comandados por Rui Vitória foram vergados perante os leões de Jorge Jesus, que se estreava oficialmente no comando técnico (ver peça à parte). Agora, novamente no Estádio do Algarve e sem o aparato mediático de então, as duas equipas voltam a defrontar-se, precisamente em cenários opostos. Resta saber se o desfecho será o mesmo de então.
Triunfo no clássico no arranque oficial levou os dragões a uma época de sonho sob o comando do treinador português, com a conquista de mais três títulos: Liga, Taça de Portugal e Liga Europa
Villas-Boas iniciou póquer
A primeira Supertaça da década terminou com triunfo do FC Porto sobre o Benfica por 2-0, num desfecho que até pode ser considerado surpreendente, já que o Benfica estava a fazer uma pré-temporada com melhores resultados. Mas os golos de Rolando e Falcao na Supertaça disputada em Aveiro fizeram os dragões disparar para uma época de sonho com André Villas-Boas ao comando, com um póquer de títulos: Supertaça, Taça de Portugal, Liga e Liga Europa (falhou apenas a Taça da Liga).
O FC Porto foi uma máquina de triturar em 2010/11, tendo chegado aos 145 golos marcados - e apenas 42 sofridos - num total de 58 desafios. Os azuis somaram 49 vitórias, cinco empates e quatro derrotas, mas nenhum desaire foi na Liga, prova na qual acabaram líderes com 21 pontos de avanço sobre o Benfica e 36 sobre o Sporting! O excelente registo goleador fez com que, na liga portuguesa, os dragões terminassem com os dois melhores marcadores: Hulk com 23 golos e Falcao com 16 (em menos jogos que João Tomás).
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Marcel Keizer entre portugueses
Em nove finais já disputadas nesta última década em apreciação, não houve um só treinador estrangeiro à frente de qualquer um dos finalistas, pelo que Marcel Keizer é o primeiro a ter a possibilidade de vencer o título nesta janela temporal. André Villas-Boas, Vítor Pereira (duas vezes), Paulo Fonseca, Jorge Jesus (duas vezes), Rui Vitória (duas vezes) e Sérgio Conceição foram os técnicos vencedores desde 2010; os já mencionados Jorge Jesus e Rui Vitória (duas vezes), além de Pedro Martins (duas vezes), Manuel Machado, Pedro Emanuel, José Peseiro e José Mota, saíram do encontro sem o troféu que leva o nome de Cândido de Oliveira.
Leão fura exclusivo dos campeões
A Supertaça é disputada entre o campeão nacional e o vencedor da Taça de Portugal da época transata (ou o finalista vencido, caso o ganhador seja também o campeão nacional). Dessa forma, é com naturalidade que os dois grandes que têm repartido a conquista da Liga, FC Porto e Benfica, sejam os que têm mais presenças na Supertaça desde 2010, até porque o Sporting não só vai em 18 anos sem ser campeão como apenas conquistou duas Taças de Portugal no período em análise.
Nas nove finais disputadas desde 2010, no entanto, apenas o Sporting, na condição de "qualificado" para a Supertaça através da Taça de Portugal, conseguiu furar a supremacia dos campeões nacionais. Foi no dérbi de 2015, num jogo decidido com um desvio de Teo Gutiérrez, após remate de André Carrillo, e que marcou a estreia de Jorge Jesus no Sporting.
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