"Depois da derrota com o Casa Pia, juntámo-nos todos e dissemos que não podíamos entrar em pânico"

Cláudio Ramos
Miguel Pereira
Cláudio Ramos, guarda-redes do FC Porto, em entrevista aos canais oficiais do clube azul e branco
Algumas frases fortes da entrevista:
"Estava com uma lombalgia, praticamente não me mexia, estava no campo e eu pensava: "O que é que eu estou aqui a fazer?""
"Seleção? Estamos a almoçar e de repente sou engolido pelos meus colegas, todos a baterem-me e a darem-me os parabéns."
"De repente chegas a um contexto como o FC Porto onde tu tens um empate e parece o fim do mundo. Parece que o mundo acaba. Chegas ao balneário e tu vês aquilo e dizes "fogo", aí tu percebes realmente da dimensão do clube em que estás, onde um empate parece que é a pior coisa do mundo que aconteceu ali. E acho que isso é incrível."
"Vinha habituado a ser o destaque da equipa, ser o protagonista, jogar sempre. E de repente passei a ser mais um no meio de uma equipa e a não ter protagonismo nenhum, praticamente no primeiro ano nem joguei."
"Não é que eu aceite o meu papel na totalidade, porque como é óbvio não quero ser número dois, não quero ser número três, o meu objetivo é ser titular sempre. Mas tu tens de perceber que se neste momento és isto, então tens de ser o melhor. Se eu sou o número dois, tenho de ser o melhor número dois de todos e tenho de trabalhar para isto, tenho de ajudar a minha equipa."
"Com os telemóveis e com as tecnologias já não há aquelas brincadeiras, aquelas praxes que havia antigamente e que eu ainda apanhei muito."
"Acho que a derrota no Casa Pia foi incrível no sentido em que chegámos ao autocarro e juntámo-nos... já não é muito comum como era antigamente a malta acabar o jogo e juntar-se tudo e na conversa ou jogar umas cartas etc. Agora é tudo muito mais cada um com o seu tablet, cada um com os seus fones etc. Mas nesse jogo senti realmente que a malta chegou lá acima e sentámos e começámos a falar do jogo. E sabíamos: não podemos entrar em pânico, porque perdemos um jogo. Somos a mesma equipa que está há não sei quantos jogos sem perder, que tem não sei quantas balizas sem sofrer golos, que estamos em primeiro lugar. Por isso não podemos ter pânico nenhum."
"Os adeptos do FC Porto são adeptos que gostam de que a equipa esteja sempre a atacar, que esteja sempre em cima. Os adeptos do FC Porto são adeptos que tanto celebram um carrinho bem dado ou uma entrada mais forte como festejam um golo."
"No outro dia fomos jogar à Madeira e o mister não nos perguntou, mas ele sabia tudo, sabia que ia ser um jogo difícil, sabia o que era o tempo, sabia que a viagem... Eles estão preparados realmente para a liga portuguesa e para aquilo que nós vamos enfrentar."
"A posição de guarda-redes número dois é um bocado ingrata, é um bocado isso: é tu nunca jogas ou jogas muito pouco, mas quando jogas tens de ter a performance do, neste caso, do Diogo Costa que é um dos melhores guarda-redes do mundo. E não é fácil."

