Courtois e os gestos racistas de adeptos na Luz: "Segurança do Benfica tem de agir"

Thibaut Courtois
AFP
Declarações de Thibaut Courtois, guarda-redes do Real Madrid, em antevisão ao jogo de quarta-feira (20h00) com o Benfica, no Bernabéu, da segunda mão do play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões. A primeira mão, na Luz, terminou com uma vitória dos espanhóis por 1-0
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Alegada homofobia de Prestianni em vez de racismo. Há alguma diferença na gravidade? E houve gestos racistas de adeptos do Benfica na Luz. Considera que o Benfica, enquanto clube, podia ter dado melhor imagem na sua reação a estes casos? "A verdade é que, depois do jogo, parece que o jogador disse isso, mas para mim é igualmente grave, são insultos homofóbicos e é igualmente grave. Vi as imagens da bancada do Benfica durante o jogo e acho deplorável ver isso num estádio. Gestos lamentáveis, não vi se eles disseram que iam perseguir esses adeptos que fizeram gestos de macaco, mas creio que há muitas coisas que não se fizeram bem. O racismo como a homofobia são coisas que não podemos aceitar nunca, é igualmente forte o insulto. Se tapas a boca, podemos imaginar o que pode ter dito".
Protocolo antirracismo da UEFA é suficiente nestes casos? "Só sei que, naquele momento, é Vini quem decide que voltamos a jogar, porque se ele disser que não voltamos a jogar, como equipa juntamo-nos para ver o que decide o responsável da UEFA. As outras coisas que aconteceram na bancada para mim são para se parar um jogo e expulsar essas pessoas. Mas quando jogas, não vemos o que acontece na bancada, então aí tem de haver outro responsável. Para mim, aquilo acontece à frente de um segurança do Benfica, esse é que tem de agir, chamar as autoridades e dizer que aconteceu à sua frente, mas penso que temos de melhorar mais nestas coisas e, como sociedade, deixar de ser tão tontos".
O que acha da possibilidade de se vir a sancionar jogadores que tapam a boca, como fez Prestianni? "Sim, no final acho que é difícil, porque às vezes queres comentar algo com um colega e tapas a boca para que não se ouça, mas se for para acabar com insultos racistas, que seja bem-vindo. Nos Estados Unidos muitos jogadores e árbitros usam microfones e ouve-se tudo. Se for para acabar com o racismo, para mim não há problema nenhum".
O quão complicado é para os jogadores focarem-se no jogo no meio de tanta polémica? "Para nós não é problema, somos profissionais, trabalhamos e fazemos o nosso melhor. Sabemos que amanhã será um jogo importante, temos de passar e na liga também temos de nos focar nas coisas que temos feito bem e nas que temos de melhorar. É fugir um pouco do ruído externo e não ler demasiado o que está na comunicação social, com todo o respeito por vós, temos de nos focar mais no que diz o treinador".

