Combate com ataque total entre Rui Costa e Noronha Lopes: "mentiroso", "vitimização", "varinha mágica" e "irresponsabilidade"

Noronha Lopes e Rui Costa
SL Benfica
Ânimos aqueceram e os candidatos, a passarem várias vezes das marcas, gastaram muito tempo a trocar acusações. A jogarem tudo na corrida pela presidência do Benfica, que se decide no sábado, Noronha Lopes e Rui Costa procuraram apresentar os últimos argumentos para serem eleitos.
O último debate antes das eleições de amanhã foi o tudo ou nada de João Noronha Lopes e Rui Costa, sobretudo do líder da Lista F, à procura de recuperar terreno após os resultados da primeira volta. Os ânimos aqueceram frequentemente e as interrupções e as farpas marcaram um debate que chegou a ser mais um combate. Marcado mais do que com a apresentação de ideias por acusações, com o termo "mentiroso" a ser recorrente.
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O primeiro a entrar em ação, Noronha Lopes foi rápido a atirar-se ao incumbente. "Rui Costa já provou que não sabe ganhar. Eu tenho um projeto para vencer", atirou, ao que o líder da Lista G ripostou: "Diz que tem projeto, mas continua sem o dizer. Ou tem varinha mágica, ou tem projeto." Irónico quanto à "superestrutura" do gestor, respondeu ao adversário a propósito das críticas pela contratação de Meité, em 2021. "Tenho aqui quatro relatórios do Meité, a contratar por Pedro Ferreira. Vou oferecer-lhe e pode levar a Pedro Ferreira", atirou, visando odiretor-geral de Noronha Lopes, que não gostou: "É mentira!". Rui Costa devolveu: "Estou a dar um documento do Benfica e está a chamar-me mentiroso."
O tom conflituoso prosseguiu, com o gestor a considerar que o Benfica tem sofrido várias saídas "porque Rui Costa não tem liderança", acusando o presidente, quando interrompido, de recorrer à "vitimização". Já este, frisou, sobre as baixas no scouting, que "Pedro Ferreira, quando foi para Inglaterra, levou-os a um preço muito mais caro". Mais adiante, e já após ter disparado: "Os camiões de pessoas para ter lá dentro é que não tenho. Faço ideia as pessoas que tem para a SAD", entregou também um relatório de Darwin ao adversário. O gestor frisou que Luís Filipe Vieira revelara que o avançado uruguaio estava referenciado desde 2016, ao que Rui Costa ironizou: "Está com muitos amores por Vieira e percebo porquê. Se dependesse de si, ele já nem era sócio."
O tema do futebol profissional, que abriu o debate, acendeu o rastilho e provocou forte crispação, sendo que Noronha Lopes procurou explorar o mandato desportivo do antigo jogador - tentando cativar eleitores de Luís Filipe Vieira e João Diogo Manteigas -, atirando, sobre o que Rui Costa tem dito sobre a renovação de um plantel envelhecido. "Quem era o vice-presidente para o futebol que pôs lá esse plantel? Não sei o que ele fez lá dentro! Esteve lá 13 anos". E perante as insistências sobre as suas funções na vice-presidência, Rui Costa lançou: "Quanto mais fala, melhor para mim. Pode falar." O que aqueceu de novo os ânimos. "Chega de mentiras", disparou Noronha Lopes. "Não me vai chamar de novo mentiroso. Nunca abandonei o Benfica", atirou Rui Costa, sendo contestado de imediato: "Esteve encostado."

Da realidade paralela à descoberta de petróleo
Noronha Lopes, que já defendera momentos antes que "não podem ser os sócios individuais a pagar os erros de gestão de Rui Costa", acusou o dirigente máximo das águias de "não falar" sobre assuntos importantes para o clube e, face à reação deste, considerou-o de "nervoso" - "Não seja mal-educado", disse Rui Costa -, frisando que, "em vez de dar murros na mesa cada vez que a equipa perde, Rui Costa devia dar murros na mesa das reuniões da Liga". "Por que está condicionado nas críticas a Proença?", lançou, ao que o líder da Lista G ripostou: "Veio extremamente nervoso. É por estarmos perto de sábado, é porque a primeira volta correu como correu?"
Discutindo as contas, os candidatos divergiram claramente. "Rui Costa vive numa realidade paralela. Com quatro pessoas os resultados não aparecem", atirou, enquanto o incumbente defendeu-se: "Os números são estes, não enganam." A troca de acusações prosseguiu. "Não fui bandeira eleitoral de Vale e Azevedo. Rui Costa fica nervoso com os nomes de Pedro Proença e Vale e Azevedo", afirmou Noronha Lopes, voltando a contestar a venda de João Neves, que considerou a nível financeiro que "a situação está pior do que aquela que Rui Costa herdou". "Não vai vender jogadores. Ou nasceu petróleo, ou vai vender o clube a algum investidor", lançou o dirigente.

Mensagens finais não acabaram bem
A dupla voltou a picar-se nas mensagens finais. Já após Noronha Lopes se ter dirigido aos sócios, Rui Costa falou do opositor como alguém que "apresentou a demissão do cargo ao fim de 58 dias", quando este fez parte da Direção de Manuel Vilarinho. "É mentira", lançou o gestor, enquanto o presidente mostrou uma "ata do clube". Perante tantos atropelos, Rui Costa pediu "desculpa" pelo debate. "Não dignificou o clube". E já após ter acabado, fora das câmaras, a nova contestação de Noronha Lopes, o antigo futebolista disparou: "Não me chama mais mentiroso, é um mentiroso compulsivo".

Choque nas assembleias
Irresponsabilidade foi acusação usada de parte a parte. Chumbo do último relatório e contas apresentado pela Direção e disponibilização de uma auditoria provocou mais um momento de discussão entre os candidatos
O tema lançado para o debate tinha a ver com o formato defendido pelos candidatos para a realização das assembleias gerais de sócios, mas este foi apenas mais um rastilho que levou à explosão de argumentos e acusações entre Rui Costa e Noronha Lopes. Ambos concordaram na escolha de um novo formato, mas tudo o resto foram divergências.
Noronha Lopes até mostrou alguma "colagem" ao ex-candidato João Diogo Manteigas, que lançou a ideia do clube "facilitar autocarros para os sócios irem a assembleias gerais", que Rui Costa aproveitou para destacar a importância de estas reuniões "serem mais participadas para decisões macro". De repente já ambos argumentavam sobre a diminuição da democracia no clube, até surgir no debate relatórios e auditorias apresentados em cima das assembleias. E aqui, como noutros dossiês, o ambiente aqueceu.
"É preciso criar condições para que vá mais gente. Como o chumbo das contas que pode levar à queda da Direção", justificou Rui Costa, com Noronha Lopes a retorquir que "tem havido incompetência na preparação e na forma como a informação é divulgada". "No ano passado foi divulgado um relatório de uma auditoria na véspera da AG. Isto é respeitar os sócios? Na última AG foi apresentado o relatório consolidado na véspera da AG", atacou, seguindo-se o contra-ataque: "Foi por isso que chumbou [o relatório] 30 M€ positivos? Foi por não ter tido o caderno com todos os números?."
"Rui Costa teve tantas demissões nos órgãos sociais que na última AG quem foi apresentar o relatório e contas não era um vice-presidente, mas sim um funcionário da SAD. Aquele relatório foi chumbado porque a Direção é incompetente do ponto de vista financeiro. Irresponsabilidade é aumentar o passivo em 100 M€", insistiu o candidato a presidente, com o atual líder a devolver a "irresponsabilidade por chumbar um relatório de 30 M€ positivos", acrescentando que a auditoria a transferências investigadas pelo Ministério Público foi entregue aos sócios na véspera da AG, porque Rui Costa a recebeu "na antevéspera". "Mal seria se eu tivesse escondido esse documento para apresentar depois da AG. Seria esconder aos sócios que a auditoria estava pronta".

Proença no meio dos direitos de TV
Os direitos televisivos para o período de 2026 a 2028 e a posterior centralização foi chamado à discussão e deu mesmo novo choque, com Noronha Lopes a tentar carregar na ligação de Rui Costa a Pedro Proença, ex-presidente da Liga que iniciou esse processo. "O dinheiro do Benfica deve servir para ganhar títulos. A única coisa estável no Benfica são as derrotas. Em relação aos direitos televisivos, já me disseram que a TVI tem uma oferta, não sei se é verdade. Saberemos e poderá explicar algumas coisas. Esta Direção foi embalada pelos 300 M€ de Proença [verba antecipada pelo então líder da Liga], que era um número irrealista", atacou o candidato da Lista F, tendo o ainda presidente do clube explicado que "o Benfica saiu da centralização por acreditar que neste momento há uma mão cheia de nada". Seguiu-se o ataque de Noronha: "Não se faça de vítima. Os benfiquistas têm de deixar de olhar para o Rui Costa como jogador. Rui, você já não é jogador. É candidato a presidente. Há um contradição entre Rui Costa que se deixou enrolar por Proença neste processo e agora à última da hora quer saltar do processo". O líder da Lista G retorquiu que "não foi só o Rui Costa, foram todos os clubes" a apoiarem o projeto de Pedro Proença.




