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O jornalista Rob Tanner e o ex-colega Betinho dizem a O JOGO que Slimani nunca reduziu nos esforços. Avançado argelino está em rota de colisão com Rúben Amorim e a saída é um cenário em cima da mesa. Um possível acordo com o dianteiro implicaria gastar pelo menos 2 milhões de euros.
Islam Slimani é o caso incontornável no Sporting ao não ter sido chamado por Rúben Amorim para o jogo com o FC Porto, embate que ditaria o afastamento da Taça de Portugal, tendo o treinador enfatizado que "quem treina melhor é convocado".
Ora, sabendo que Amorim incluiu o procedimento de analisar os dados de um colete GPS que os jogadores transportam, O JOGO procurou perceber se a falta de empenho é uma situação habitual no quotidiano do argelino, o que nos contam não ser verificável no passado.
"Causa-me surpresa esta situação tendo em conta o jogador de que estamos a falar. Empenho é coisa que nunca lhe faltava. Foi sempre aplicado nos treinos", relata a O JOGO Betinho, jogador do Espinho, hoje a recuperar de lesão grave num joelho, lembrando com carinho os tempos de Sporting, onde fez a formação, jogando três partidas no campeonato de 2012/13, conhecendo Slimani na equipa B nesse ano.
"Estar chateado num treino pode ser visto de duas formas: porque pode ser mau para o treinador, mas também mostrar vontade em ajudar o Sporting a ser mais competitivo. Convivi com ele, foi sempre uma pessoa espetacular, estava sempre pronto a ajudar-me e era extremamente brincalhão com os colegas", adianta o avançado de 28 anos, que garante não se lembrar "duma reação menos boa" de Slimani quando este sabia que não seria titular, vincando, sim, que na adversidade tende a "encarar com mais força o trabalho, sempre no estilo combativo dele".
Betinho jogou pelos bês contra o Sporting A que seria segundo em 2015/16 com Jorge Jesus ao leme. "Tenho a certeza de que Amorim vai contornar a situação. Saberá gerir o balneário. Lembro-me que o Jorge Jesus não dava azo a abusar", acrescenta Betinho.
Slimani saiu do Sporting em 2016 e foi para Leicester, onde, verdadeiramente, não se afirmou, sendo cedido a Newcastle, Fenerbahçe e Mónaco depois de ano e meio ao serviço dos foxes.
O JOGO contactou o jornalista Rob Tanner, correspondente do "Athletic" e há mais de uma década figura próxima dos jogadores dos foxes. Não tem qualquer relato de insurgências.
"Nunca teve problemas nos treinos. Era próximo do Mahrez, um jogador influente na altura [agora no Man. City]. Ele não resultou porque não era o jogador indicado para a frente de ataque. Não era tão rápido e móvel como o Vardy e depois a equipa passou a jogar com um só avançado", descreve Tanner, que lembra como Brendan Rodgers, em 2021, asseverou que o avançado "merecia ser titular noutro clube" pelo "empenho máximo em cada treino".
2 milhões para sair
Para já, Slimani está arredado dos treinos com a equipa principal. Rúben Amorim aguarda que o atleta admita erros e a saída no verão é equacionada. O Sporting paga 2,4 milhões de euros brutos de salário por ano. Ao abrigo do Programa Regressar, os leões pouparam 400 mil euros em despesas fiscais, logo deverão ao atleta 2 milhões de euros brutos, pois este tem contrato até 2023, caso o queiram dispensar. Ao que O JOGO apurou, não está ainda garantida a saída de Slimani no fim da época.
Leicester precavia jejum religioso
Nos últimos dias, vários meios de comunicação argelinos têm escrito que o jejum religioso de abril prejudicou Slimani. O Ramadão não é, para Betinho, o problema: "Estamos a falar de um jogador que vive este período todos os anos e com muitas épocas de futebol". Tanner descarta que o jejum o tenha influenciado em Inglaterra: "O Leicester é muito bom com isso. O Fofana é observado durante a noite, para que coma e beba o suficiente para o dia seguinte. Aconteceu o mesmo com o Slimani. O clube até pede aos adversários uma pausa nas partidas noturnas para que se alimentem".
Betinho relativiza discórdia e lembra Bojinov
Em 2011/12, Bojinov fez três golos em 16 jogos pelo Sporting, sendo depois despedido. "No meu tempo, vi estas quezílias acontecerem duas ou três vezes. Lembro-me do Bojinov. O Sporting era diferente, hoje está mais organizado. Só que agora, mais rapidamente os jogadores vão às redes sociais dizer-se injustiçados", advoga Betinho, constatando a naturalidade das cisões nos plantéis de futebol.

