Benfica chega ao dérbi mais desgastado que o Sporting: "Quem decide é a cabeça, não os pés"

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Álvaro Isidoro / Global Imagens
Jogadores do Benfica chegam a este momento da temporada com uma carga física bem superior aos do Sporting. A diferença pode funcionar apenas de um ponto de vista teórico, mas não deixa de ser notória. Segundo defende o experiente Manuel Cajuda, até pode nem influenciar o resultado.
Os jogadores do Benfica vão chegar ao dérbi de amanhã com as pernas mais pesadas do que os atletas do Sporting. Teoricamente, claro. Isto porque, por exemplo, fizeram o dobro dos jogos nas últimas semanas em relação aos jogadores leoninos.
Os internacionais de cada uma das equipas chegaram da pausa de seleções no fim do mês de março e, já em abril, os do Benfica realizaram quatro partidas oficiais, enquanto os verdes e brancos fizeram apenas duas.
Uma diferença grande, até se tivermos em conta a qualidade dos adversários. Enquanto as águias competiram frente a Braga (dia 1), Belenenses (a 9) e Liverpool (dias 5 e 13), o Sporting defrontou Paços de Ferreira (dia 3) e Tondela (dia 9).
A diferença parece significativa de um ponto de vista físico, mas também não é de menosprezar o desgaste mental, tendo em conta a importância de se estar a competir na Champions. Por outro lado, caso as águias tivessem conseguido o apuramento europeu, a recuperação poderia ter fluído um pouco melhor. A turma leonina ganha assim (em teoria) uma ligeira vantagem também sob um prisma psicológico, até porque o Benfica chega ao encontro já sem ambições quanto ao título de campeão nacional e com poucas hipóteses de chegarem ao segundo lugar do campeonato.
Para as águias, a honra será mesmo o fator motivacional mais preponderante, que aqui nem é de somenos, tendo em conta que estamos em presença de um dos dérbis com historial mais forte em todo o mundo.
Folga cirúrgica para ajudar a uma melhor recuperação
Face a esta diferença de calendários, o treinador do Sporting deu-se até ao luxo de atribuir uma folga a meio da semana (quinta-feira) aos seus atletas, permitindo um repouso mental que pode ajudar a fazer a diferença.
A equipa chega ao dérbi após sete dias seguidos sem competir (um deles de folga), com as águias a jogarem no José Alvalade após o jogo de quarta-feira e uma viagem de avião na quinta. Mais um pormenor a contribuir para uma eventual diferença de disponibilidade física entre os jogadores das duas equipas, mesmo que, como o experiente treinador Manuel Cajuda defende na página ao lado, "hoje em dia as equipas tenham métodos para suavizar efeitos negativos" como estes na preparação das partidas.
Contabilizando toda a temporada, também os números são favoráveis ao Sporting, que fez menos três partidas do que o Benfica (47/50) e, globalmente, tem os prováveis titulares com menos partidas nas pernas.
Os mais velhos são os que mais minutos disputaram
Vertonghen e Otamendi são os dois jogadores de campo nos dois onzes prováveis que mais minutos disputaram esta época. Uma curiosidade com o seu relevo, ou não fossem eles os dois mais velhos em campo, ambos já com 34 anos. Para além deles, Vlachodimos também ultrapassou os quatro mil minutos de competição, o que nenhum sportinguista fez esta época.
3 QUESTÕES A MANUEL CAJUDA
"Quem decide é a cabeça e não os pés"
1 - O Benfica teve o dobro dos jogos desde o início do mês e também tem mais três encontros na época. Esse fator pode ser relevante no dérbi?
-Não me parece que tenha relevância grande. As equipas hoje em dia têm métodos para suavizar efeitos negativos na preparação. Tal como há trabalho para se chegar ao limite, também há para se recuperar as equipas. E não é nada que não suceda em Inglaterra, por exemplo. E em Inglaterra ninguém se queixa, enquanto em Portugal todos se queixam. Queremos estar na alta competição, mas depois lamentamo-nos de lá estar. O Benfica fez mais dois jogos, mas entre esses jogos até terá tido mais dias em que não treinou do que o Sporting.
2 - Se fosse treinador do Benfica, o que faria para contrariar eventual desgaste? E se treinasse o Sporting, como aproveitaria melhor o desnível?
-Se uma equipa mudar três elementos de jogo para jogo, e com mais cinco substituições, consegue-se poupar oito atletas de jogo para jogo. Como treinador, devo apresentar a melhor equipa do momento e não aquela que os papéis me dizem na teoria, só para justificar gestão. O futebol decide-se com a cabeça e não com os pés. Joga-se com os pés, mas decide-se com a cabeça. Quanto ao Sporting, em vez de entrar a todo o gás, pode deixar que o Benfica se derreta pelo excesso de jogos que tem. E depois, na altura em que o Benfica estiver mais debilitado, pode utilizar a sua máxima potência. Isso é teoria. Mas a diferença entre a teoria e a prática, é muito maior na prática do que na teoria. Porque na prática o futebol é complexo e imprevisível.
3 - Independentemente disso, o que perspetiva do jogo? Qual o favorito?
-A equipa que me parece mais favorita, até pelas realidades retroativas, ou seja, pelo que aconteceu ao longo da época, sinceramente parece-me o Sporting. Agora, a prática, especialmente a prática de um Sporting-Benfica, ensinou-me que neste jogo não há favoritismo. Às vezes ganha quem está pior, e isso até acontece muitas vezes. Depois, no fim do jogo, que haja respeito, classe e elevação. Que não haja argumentos falsos e que não haja batota.
