
Cristiano Bacci
Lusa
Declarações do treinador do Tondela em entrevista ao Tuttomercato
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A época: "O objetivo é a manutenção, mas sabemos que só a podemos alcançar no fim de uma maratona: desde que cheguei temos trabalhado sempre com essa mentalidade. O Tondela é uma realidade que precisa de dedicação e organização para acompanhar as outras equipas."
Forte ligação a Portugal: "Portugal foi o país que me deu a oportunidade de chegar a um certo nível no futebol. Depois dos anos na Série C com a Entella e depois na Série D, cheguei aqui em 2015 com o Olhanense, antes de ser adjunto de Razvan Lucescu e depois regressar com Boavista, Moreirense e agora o Tondela. Em Itália comecei a treinar aos 33 anos, mas não consegui dar o salto que consegui aqui em Portugal."
Foi adjunto de Lucescu: "Na altura podia até parecer um passo atrás, mas anos depois digo que não foi assim, pelo contrário. Faltavam-me algumas peças: nós, italianos, temos uma cultura muito forte em muitos aspetos, mas também lacunas noutros, e o estrangeiro, assim como Lucescu, ajudaram-me nisso. Foi um percurso de evolução e uma oportunidade que nasceu através de um contacto em cm comum, o preparador físico dele que já tinha trabalhado comigo. Conseguimos vencer, desde o campeonato grego com o PAOK até à Liga dos Campeões asiática com o Al Hilal."
Arábia Saudita: "É um país em evolução; quando cheguei, as mulheres estavam a começar a poder conduzir, para falar também de aspetos políticos e culturais. No plantel tínhamos jogadores fantásticos como Gomis e Giovinco, atletas de outra categoria, como os que atualmente estão na Arábia. No futebol, o investimento económico do país já tinha começado alguns anos antes."
Passagem pela Udinese como adjunto: "O meu ponto de partida foi sempre o conceito de aventura. Gosto de sair da zona de conforto, de me medir em novos desafios e encontrar neles gratificação. Por isso deixei uma situação muito confortável, como a que tinha com Lucescu, para tentar a Serie A. Foi fantástico, ainda por cima num clube de vanguarda como a Udinese: fui escolhido precisamente pela minha experiência no estrangeiro. Foram meses que me enriqueceram."
Nível do futebol português: "Para definir o nível, basta ver quantos jovens conseguem emergir neste campeonato. Em Itália ainda recorremos pouco a este mercado, mas Inglaterra e França, sobretudo, vêm cá fazer compras todos os anos. É um campeonato importante em termos qualitativos, uma ponte para os países sul-americanos rumo à Europa, utilizada por muitas equipas para fazer evoluir e amadurecer os jovens antes do salto definitivo de qualidade. Em Portugal o terreno é fértil porque se trabalha com muitos jovens e encontra-se aquela vontade de emergir típica das nossas divisões inferiores. E, pessoalmente, sinto-me talhado para trabalhar num contexto deste género."
Possível regresso a Itália: "Na verdade, estou aberto a tudo. As novidades e os desafios motivam-me. Sou um italiano no estrangeiro, mas estou convencido de que este percurso longe do meu país me enriqueceu profundamente. Tenho a sorte de ter uma família que me apoia nisso e, por isso, sigo o meu caminho, seja ele qual for."
Mentalidade: "O meu trabalho não é apenas dentro de campo, mas também de organização e mentalidade. O tempo é curto e todos os jogos são importantes. Empatámos até com o Benfica, não há resultados garantidos. Somos uma equipa que não tem, por exemplo, a força para se impor apenas em casa e descurar os jogos fora; todos os jogos contam. Esta é a mentalidade que tentei transmitir à minha equipa, sabendo que as contas só se fazem no fim."

