António Miguel Cardoso, presidente do Vitória: "É importante uma Taça da Liga mais democrática"

António Miguel Cardoso
Miguel Pereira/Global Imagens
António Miguel Cardoso, presidente do Vitória, disse a O JOGO acreditar que o Vitória pode eliminar o Sporting e dá o exemplo do triunfo no Estádio do Dragão que valeu a qualificação para a final-four da prova
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V. Guimarães defronta hoje o Sporting, em jogo a contar para as meias-finais da Taça da Liga, e o presidente do clube minhoto, António Miguel Cardoso, em entrevista a O JOGO, disse estar confiante.
O que espera da presença de equipa na Taça da Liga?
-Temos um plantel equilibrado e vamos com um sentido de responsabilidade, com muita vontade de ter sucesso. Aconteceu dessa forma no Estádio do Dragão e vamos abordar o jogo com o Sporting com toda a vontade de vencer. Gostava muito de dar esse título aos nossos sócios e estou muito confiante.
Teria um gostinho especial por ser contra o Rui Borges? Isto porque parece que ficou alguma mágoa quando saiu para o Sporting.
-Da parte do Rui Borges? Não. A minha perspetiva das coisas é muito simples, enquanto o grupo e os treinadores estão no Vitória, são os melhores do mundo. Neste momento, penso dessa forma em relação ao Luís Pinto. O Rui Borges recebeu a proposta, quis ir, hoje em dia é treinador do Sporting. Pouco tenho a falar sobre isso e não me devo meter nesse tema. É um como qualquer outro. Fez um bom trabalho no Vitória, tenho que estar agradecido pelo trabalho que fez, quis seguir a sua vida e nós seguimos a nossa. Não há nenhum problema.
Esta é a taça dos ricos?
-Não. Existiu uma ideia, em determinado momento, de que a Taça da Liga fosse só uma final-four. Fomos dos clubes que mais se bateu para que isso não acontecesse, até fomos nós que lançámos este modelo de quartos de final, e acredito que esta Taça da Liga deve ser mais democrática, e penso que isso será no futuro. Estamos a arranjar, entre todos os clubes e a Liga, formas de enquadrar a Taça da Liga no futuro. Será uma taça em que, provavelmente, os clubes que estão nas competições europeias entrarão numa fase mais adiantada, e os outros clubes, da I e da II Liga voltarão todos à prova. Por isso, não acho que seja uma taça de elite, mas era importante que fosse uma taça mais democrática.
Isso significa que a Taça da Liga tem espaço num calendário que, dizem, está sobrecarregado?
-Acreditamos todos que faz sentido e, para o futebol português, é importante que os clubes da II Liga e os da I Liga que não estão na Europa tenham mais jogos. Quando se fala muito do calendário apertado, isso acontece para as equipas que estão nas competições europeias, mas para as restantes, só com os jogos da Taça de Portugal e do campeonato, precisam de mais. E tem que se arranjar modelos para proteger quem está na Europa, aumentando o nível competitivo das outras equipas e a quantidade competitiva.
Esta final da Taça da Liga surge dias depois do Tribunal Arbitral do Desporto ter aprovado a providência cautelar e suspendeu o seu castigo de 75 dias. Que significado teve essa decisão?
-É importante que exista liberdade de expressão. Os árbitros tentam fazer o melhor, e é normal que falhem, assim como é normal que exista pressão, seja dos clubes ou dos sócios. Nós também temos que desabafar e criticar algumas decisões, sempre com respeito. Foi o que fiz, sem a intenção de prejudicar o futebol português. Mas, não podemos viver calados.

