
Para aceitar o contrato de duas épocas com os axadrezados, João Talocha teve de se despedir da carreira como engenheiro mecânico
A carreira de João Talocha no futebol vai começar verdadeiramente esta época, aos 26 anos. O Boavista abriu-lhe as portas à concretização de um sonho que tardou a chegar e de que o lateral "já nem estava à espera". O lateral-esquerdo despediu-se, ontem, dos campeonatos não profissionais, não trouxe o título de campeão do Campeonato de Portugal, conquistado pelo Cova da Piedade, mas ficou na história da subida do Vizela à II Liga. E na quinta-feira despediu-se do emprego que manteve até assinar o contrato de sonho.
Talocha foi um nome referenciado por Dito, em 2011, então treinador da seleção da AF Braga, vencedora da UEFA Regions Cup, realizada em Portugal. Nessa altura, Dito reconhecia-lhe "condições para jogar na I Liga" e quando viu a oficialização de Talocha como reforço do Boavista, pegou no telefone para lhe dizer: "Ainda vais a tempo!". Dito compreende as razões que levaram o jogador a recusar os convites que ia recebendo, sobretudo, da II Liga. "Ele tinha um bom emprego, que só deixaria por propostas financeiras muito válidas". Devido à ponderação e ao sentido de segurança, o defesa abandonou o Famalicão, o clube da terra onde nasceu, porque os treinos passaram a ser realizados durante o dia... Talocha mudou-se para o Vizela, com treinos pós-horário laboral.
O engenheiro mecânico acabou por "arriscar" a profissão de jogador a tempo inteiro, com a camisola axadrezada. "Queremos sempre chegar lá acima. Vou trabalhar intensamente para ser opção do treinador", promete. Dito garante que Talocha é um "jogador equilibrado. A defender é muito forte e consistente, difícil de passar em situações de um para um e faz sempre uma leitura correta das intenções dos alas. Pode evoluir como central, porque é bom no jogo aéreo, nos lances ofensivos também marca, bate bem bolas paradas. É um lateral equilibrado. É robusto, tem resistência".
