Adeptos de Portugal e da Europa contra deslocação de jogos para outros países: "Uma caixa de Pandora"

Tentativa de LaLiga e da Serie A de levarem jogos do campeonato para os Estados Unidos e Austrália não agrada
A Associação Portuguesa de Defesa do Adepto associou-se à Football Supporters Europa para emitir um comunicado em protesto contra a tentativa de levar jogos de LaLiga e da Serie A para os Estados Unidos e a Austrália, que consideram uma Caixa de Pandora que não deve ser aberta, pois subverte as regras do jogo e não leva em consideração os direitos e interesses dos adeptos.
O comunicado na íntegra:
"Nos, grupos de adeptos de toda a Europa, representando milhões de adeptos de futebol, manifestamos a nossa firme oposição à atual tentativa de subverter as regras do jogo, permitindo que as ligas transfiram os jogos para outros locais do mundo. Os últimos esforços para perturbar a natureza do futebol europeu com La Liga e Serie A a tentarem transferir jogos para os Estados Unidos e a Austrália são um ataque direto a essência do futebol. Se qualquer uma das propostas destas ligas for aceite, abrir-se-á de imediato uma caixa de Pandora com consequências imprevisíveis e irreversíveis. Todos os clubes, todas as equipas nacionais, todos os adeptos a nível mundial correriam 0 risco de ver a equipa que amam ser-lhes retirada, transferida para outra parte do mundo, por um jogo ou mais. Ou ver as competições de outros países baterem à sua porta, tal como a presença da La Liga e da Serie A iria perturbar o futebol nacional e a cultura dos adeptos nos Estados Unidos e na Austrália.
O futebol baseia-se num conjunto de regras e princípios e as regras dos campeonatos nacionais são simples: jogam os mesmos clubes em casa e fora e a melhor equipa ganha o campeonato. A deslocação dos jogos para o estrangeiro põe em causa este pilar vital do jogo. Qualquer desvio das regras existentes é uma perversão do futebol com o único objetivo de entretenimento e de ganhos financeiros a curto prazo.
Os clubes não são empresas de entretenimento nem circos ambulantes Eles existem para benefício das suas comunidades e proporcionam um sentimento de pertença, onde os adeptos assistem aos jogos em casa há gerações. Quebrar este laço vital, mesmo que temporariamente, seria minar as raízes culturais, sociais e locais que dão sentido ao nosso jogo.
O conceito de fazer voar jogadores, equipa técnica, adeptos e outras pessoas através dos oceanos para um jogo "em casa" é absurdo, incomportável, e ambientalmente irresponsável, E contrario ao compromisso declarado do futebol europeu com a sustentabilidade e a acessibilidade para todos, Corre o risco de entregar os nossos clubes e as nossas ligas à vontade de empresas de entretenimento, de ditaduras ou de fundos abutres, cujos interesses em afastar o futebol europeu da sua casa são contrários à própria estrutura do nosso desporto.
Quatro anos depois de o futebol europeu se ter unido e derrotado a Superliga, estamos perante uma ameaça existencial semelhante Convidamos os adeptos, os jogadores, os meios de comunicação social, os governos e os responsáveis pelo futebol a agirem em solidariedade e a tomarem uma posição neste momento decisivo para o futuro do futebol.
Apelamos à UEFA, à FIFA e a todas as federações nacionais para que se mantenham firmes, desempenhem o seu papel de reguladores do jogo, apliquem os regulamentos existentes, rejeitem estas propostas, protejam a integridade do jogo, reafirmem o seu compromisso para com o Modelo Desportivo Europeu e garantam que o futebol continua enraizado nas nossas comunidades, onde pertence. Não nos tirem o jogo."
