A lição desta época e o que está em falta: "O Boavista não tem referências, não sei porquê"

Litos, ex-jogador e antigo campeão nacional pelo Boavista
Ivan Del Val/Global Imagens
Litos confia na permanência, mas avisa que "os nomes não ganham jogos". Para o antigo capitão do Boavista, o caminho terá sempre de passar pela formação, algo que o clube sabe como se faz
A profunda transformação do Boavista esta época não teve os efeitos desejados. A equipa luta pela permanência e Litos é "o primeiro a dizer que o Boavista vai ficar na Liga NOS", mas deixou alguns reparos e apelos.
"É uma lição para, no futuro, não se cometerem certos erros e ter projetos reais. Os nomes não ganham jogos, é a ambição, o sacrifício e a luta lá dentro. Individualmente, podes ter grandes jogadores, mas não ter uma grande equipa e isso é visto frequentemente em vários clubes", vincou o antigo capitão, com um lamento: "O Boavista precisa de muitos "Litos", está órfão. Tem de ter mística e referências, todos os clubes têm isso. Veja-se o Bayern de Munique, até o presidente já foi atleta do clube. Os miúdos, quando chegam, têm de ser formados por pessoas que já foram como eles, é aquele sentimento de querer ser igual ao treinador, por ele ter passado pelo mesmo sítio. Isso é que é a mística. O Boavista não tem referências, não sei porquê."
Para Litos, o facto de o Boavista "não ter as mesmas condições que os grandes, Braga e Vitória e viver uma realidade totalmente diferente" não tem de ser um problema. "Trabalhemos com essa realidade. Que se vire para a formação, foi o grande êxito do clube, era muito forte e é aí que se vão criar os futuros campeões. Não é novidade para o Boavista, sempre foi assim", vincou, com o "sonho" de "ver os adversários temerem o clube". "Quero o Boavista como os bascos. Atlético de Bilbau, Real Sociedad são "maus" e competitivos. "
Não obstante, Litos deteta muitas diferenças no futebol do início do século para o atual, a começar pelo perfil do futebolista. "Hoje em dia é um bocado solitário. Isto é uma indústria, dinheiro e resultados. É diferente. Naquela altura, e não era só o Boavista, jogava-se muito pela camisola e agora não param. Hoje estás aqui, amanhã não estás. Havia mais compromisso na continuidade do clube", comparou.
"Sauer é um jogador à imagem do passado"
Litos lembrou "dois jogadores fenomenais" que jogavam à sua frente, "Petit e Rui Bento, pilares fortes e dinâmicos" e sorriu ao pensar em Martelinho, "o jogador dos jogos grandes", mas acabou por destacar quase toda a equipa campeã. "Uma família."
No salto para o presente, há um elemento que lhe enche as medidas. "Gustavo Sauer. É um jogador à imagem do passado, do nosso tempo. Muito competitivo, com andamento, rápido, forte fisicamente e polivalente. Gosto muito de vê-lo a jogar", descreveu.
