Presidente da Académica revoltado: "Andam a brincar com o futebol profissional"

Presidente da Académica revoltado: "Andam a brincar com o futebol profissional"
Ricardo Sousa

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Pedro Roxo não esconde o descontentamento pelo adiamento do jogo da Académica em Viseu. "Como esperam que consigamos sobreviver? Já caíram alguns clubes. Quantos clubes vamos deixar cair mais?", questiona o líder da Briosa.

O adiamento do jogo entre o Académico de Viseu e a Académica, que estava agendado para ontem de manhã, por causa de três elementos do emblema viseense terem sido infetados com covid-19, motivou fortes críticas de Pedro Roxo.

Embora, antes de mais, reconheça que "se trata de uma questão de saúde e que o futebol e a Académica em particular foram exemplares na prevenção", considera "inacreditável que se venha invocar o número de casos ativos em Viseu para a não realização do nosso jogo e no mesmo fim-de-semana se inicie o campeonato daquele distrito sem que exista a necessidade de qualquer teste".
"Andam a brincar com o futebol profissional e alguém tem de se insurgir e defendê-lo. Estamos há mês e meio a ser extremamente exigentes em toda a atividade desportiva, com gastos acrescidos nos planos de prevenção e de higienização. Cumprimos as regras e queremos fazê-lo, mas não vejo as instituições a revoltarem-se em defesa dos clubes. Estou cansado disto. Desde o dia 10 de Março a Académica já teve de cumprir três verificações salariais (vai para a quarta na próxima semana), já realizou três baterias de testes nas quais não teve nenhum caso positivo e realizou zero jogos", constatou o presidente da Briosa, contactado por O JOGO, que deixou algumas perguntas:
"O produto que nós temos é futebol. O que facturamos é o futebol. E disso nada. Como esperam que consigamos sobreviver? Já caíram alguns clubes. Quantos clubes vamos deixar cair mais? Querem exigir aos clubes que cumpram? Também nós queremos. Todos os funcionários devem receber, mas isso é da lei geral, agora se o futebol quer ter uma lei à parte, também tem de ter mecanismos que consigam que os clubes sustentem as exigências deles ou então vamos para a lei geral", aponta o dirigente academista que lembra que «o futebol tem exigências salariais mais apertadas do que a lei geral, tem exigências financeiras acima da lei geral, tem obrigatoriedade de testagem e acompanhamento clínico acima das outras atividades. Obrigam-nos a tudo isto e no final não há jogos".

O dirigente do clube conimbricense faz, por fim, um apelo: "As regras têm de ser objetivas para podermos criar planos de contingência objetivos que impeçam adiamento de jogos e que permitam tomar decisões objetivas desportivas e de gestão para que haja campeonato de futebol profissional. Estão a exigir tudo aos clubes, mas não exigem futebol".